sábado, março 12, 2011

Centro Português de Investigação em História e Trabalho Social : 15 Anos de Investigação Activa 1

CPIHTS 
15 anos de Investigação activa (1)
Exmos. Senhores,
Em nome do Centro Português de Investigação em Historia e Trabalho Social gostaria de agradecer à Directora do curso e a toda  a equipa organizadora deste evento científico, o amável convite que nos foi dirigido pelo ISM para comparecer neste Seminário Internacional Euro-Brasileiro de Serviço Social, inserido nas comemorações dos 70 Anos do Instituto Superior Miguel Torga.
1.- Ao iniciar a comunicação gostaria de evocar o nome do médico e activista, Dr. António Melic Cerveira, falecido recentemente nesta cidade de Coimbra, que se distinguiu em vida pelo seu trabalho na saúde comunitária e mental, no género, na oftalmologia e na defesa do património científico, ecológico e cultural. Muito terá beneficiado a comunidade de Coimbra, de Lisboa e de Alcácer do Sal e, em particular, o CPIHTS, pela sua acção generosa e meritória.
O Centro Português de Investigação em História e Trabalho Social (cpihts) é uma instituição que encontra a sua génese na década de Oitenta e que consolidou o seu estatuto de associação científica e de centro de investigação de Serviço Social na década de 90.
Fundada por assistentes sociais foi integrando investigadores nacionais e internacionais de varias áreas das Ciências Humanas e estabelecendo protocolos de colaboração com diversos instituições congéneres do categoria. Tendo como objecto central o Serviço Sócia! e os problemas sociais, tem sabido privilegiar algumas linhas de actuação que se revelaram e concretizaram de forma profícua, provocando um efeito multiplicador, pela sua  seriedade cientifica.
Assinalamos no presente ano, o início das comemorações dos seus quinze anos de trabalho de investigação a partir da publicação do livro Corpo, -Sexualidade e Violência Sexual, -Análise e Intervenção Social, da nossa colaboradora, a Prof. Doutora em Serviço Social Marlene Braz Rodrigues, editado em parceria internacional com centros de investigação do Brasil e dos Estados Unidos e com o patrocínio da APSS
Confirma o nosso cominho a inclusão dos nossos trabalhos nos currículos de graduações e pós-graduações bem como nos concursos de promoção em Portugal como no estrangeiro.
2. A Actividade de Investigação e o Futuro
Falar do panorama, actual da investigação em Serviço Social pode ser promissor em termos prospectivos.
Nos últimos anos verificamos
*     A qualificação académica em Serviço Social à luz dos planos curriculares das licenciaturas de 4 e cinco anos que integraram pela primeira vez a investigação em Serviço Social, fornecendo as bases fundamentais para a aprendizagem das metodologias, a pesquisa e o treino nesta área.
*     A organização de cursos de pós-graduação em Serviço Social (mestrado e doutoramento) e também os cursos de especializações em áreas chaves da prática profissional,
*     A organização de núcleos e centros de investigação, formados para a reflexão, intervenção social e vida académica, podem constituir a aquisição e o reforço desta dimensão na categoria profissional o treino e a produção de cientistas em Serviço Social
*           A publicação de ensaios, teses, artigos, recensões e comunicações, apesar de condicionalismos económicos e logísticos, começaram a ser mais numerosos e alguns esgotados, a espera de segundas edições.
*    Multiplicaram-se os eventos de formação contínua, as reflexões e os debates entre estudantes e académicos da categoria, embora poucos destes espaços  terão consolidado a sua organização
3.- No entanto algumas reservas devem ser colocadas sobre este assunto a saber:
3.1.- Os presentes planos curriculares à luz de Bolonha (escolas com 3 e 3 anos e médio) dão garantias precárias da afirmação da tendência anterior: licenciados em Serviço Social aptos para a intervenção social, dominadores da teoria do Serviço Social e das Ciências Sociais; preparados para a intervenção e a investigação social.
Só a continuação de pós-graduações na nossa área podem colmatar estas deficiências. O que traz um encarecimento monetário significativo para a formação em Serviço Social apesar de Bolonha ter diminuído consideravelmente as cargas horárias acompanhada da insuficiência no ensino. Os custos dos cursos não diminuíram.
3.2.- A colocação desigual no mercado de trabalho.
Existe de facto um desfasamento entre estas duas gerações de Assistentes Sociais que se colocam no mercado com conhecimentos diferenciados. Para não falar de casos isolados de assistentes sociais que vieram de regresso, fruto do processo de descolonização nos anos 70 e mais tardiamente dos últimos territórios portugueses na Ásia.
Convêm reter este dado histórico: nos anos 80/90 os assistentes sociais que não reuniam requisitos curriculares, porque frequentaram cursos de auxiliares sociais ou outros para efeitos de carreira (para serem integrados na carreira técnica e posteriormente na técnica superior de serviço social) foram obrigados a frequentar cursos nos próprios institutos existentes em Lisboa, Coimbra e Porto.
Em suma, milhares de profissionais de Serviço Social são colocados no mercado de trabalho, cujas normas são alteradas consecutivamente, provocando desigualdades que só se explicam pelas mudanças cíclicas do próprio desenvolvimento deste.

continua...

sexta-feira, março 11, 2011

Homens da Luta Ganham Festival da Canção em Portugal

A Intervenção Social Estetica na Musica o Caso dos Portugueses Gel e Falancio

Ética e Serviço Social: Abolida a Pena de Morte no Estado de Illinois

L'Illinois a aboli mercredi 9 mars la peine de mort, devenant le 16e Etat américain à abandonner le châtiment ultime, a annoncé le bureau de Pat Quinn, gouverneur démocrate de cet Etat du nord des Etats-Unis, fief du président Barack Obama.

L'abolition avait été adoptée par le Parlement de l'Illinois en janvier, mais le mystère restait entier quant à sa ratification par Pat Quinn, qui venait d'être élu gouverneur et qui s'était déjà prononcé en faveur de la peine de mort. "Notre système de peine capitale est intrinsèquement truffé d'erreurs", a estimé le gouverneur dans un communiqué.
L'Illinois a une histoire récente mouvementée sur ce sujet, qui s'est soldée en 2003 par la commutation de toutes les condamnations à mort en prison à vie par le gouverneur républicain George Ryan après trois ans de moratoire.
Le débat avait éclaté en 1999 lorsque des étudiants de la Northwestern Universityavaient réussi à prouver l'innocence d'un condamné à mort dans l'Illinois. "Nous ne pouvons pas tolérer l'exécution d'innocents, parce que cela hypothèque la légitimité même du gouvernement" de l'Illinois, a poursuivi M. Quinn, qui s'est exprimé devant la presse à Chicago. Aujourd'hui, quinze condamnés sont enfermés dans le couloir de la mort de cet Etat qui n'a pas exécuté depuis 1999.
http://www.lemonde.fr/ameriques/article/2011/03/09/l-etat-de-l-illinois-abolit-la-peine-de-mort_1490824_3222.html#ens_id=1490827

segunda-feira, março 07, 2011

domingo, março 06, 2011

Rendas de Bilros: Investigação do Professor Mariano Calado


Não é conhecida a origem da renda de bilros. Sabe-se que povos muito antigos usavam tecidos cujo aspecto se assemelhava a renda e que se presume fossem elaborados de forma semelhante à renda actual. Admite-se que os Fenícios podem ter sido agentes divulgadores das rendas, através das suas trocas comerciais e, portanto, também ao longo da costa marítima portuguesa, onde estabeleciam contactos privilegiados. Outra corrente afirma terem chegado ao nosso país através dos contactos com o norte da Europa, onde a arte apareceu nos seus principais portos.




Definição

É um trabalho formado pelo cruzamento sucessivo ou entremeado de fios têxteis, executado sobre o pique e com a ajuda de alfinetes e dos bilros. O pique é um cartão, normalmente pintado da cor açafrão para facilitar a visão por parte da executante, onde se decalcou um desenho, feito por especialistas, cuja origem está na criatividade da autora, que por vezes recorre à estilização de objectos naturais como as flores e animais.



Os alfinetes fixam o trabalho ao pique e são colocados em furos estrategicamente efectuados no desenho base. O bilro é um artefacto de madeira em forma de pêra alongada onde é enrolada a linha (fio têxtil) que vai sendo descarregada à medida que o trabalho avança. Todo o trabalho é executado com o auxílio de uma almofada cilíndrica, onde é fixado o pique, que, por sua vez, está pousada sobre um banco de madeira cuja forma permite a fácil alteração da posição da almofada, que roda sobre si, enquanto permita uma posição cómoda a quem executa.



História

Indefinida que está a sua origem resta apurar a data do seu aparecimento no nosso país e, como tal, consta que a primeira vez que se falou na palavra renda, entre nós, terá sido no reinado de D. Sebastião em 1560.



No reinado de D. João V o país foi inundado e influenciado pelas rendas com origem na Flandres, dado que o protocolo da corte obrigava ao uso das rendas flamengas, facto que veio prejudicar o desenvolvimento das nacionais. Esta situação originou a revolta das rendeiras nortenhas que enviaram o seu protesto, perante o rei, através da vila-condense Joana Maria de Jesus, que conseguiu permissão para o uso das rendas nacionais em lenços, lençóis, toalhas e outro bragal de casa, continuando proibido o seu uso pessoal. As rendas nacionais foram libertadas destas peias em 1751, no reinado de D. José, passando a poder ser usadas na roupa branca de uso das pessoas, toalhas, lençóis e outras alfaias da casa. Porém a entrada na capital das rendas feitas no resto do país era sujeita ao acompanhamento de guias passadas pelos escrivães das câmaras, embora, pelo facto de na sua feitura se empregarem somente pessoas pobres, estivessem isentas de impostos.



E foi assim que na classificação das rendas se passou a denominar de aristocráticas, hoje em Peniche chamadas eruditas, aquelas que imitam as estrangeiras por serem mais elaboradas e utilizando linhas finas, e as populares que são aquelas que tradicionalmente sempre foram feitas pelo povo.



"Onde há redes há rendas" e Peniche não foi excepção, como não foram quase todas as povoações do litoral onde se desenvolve actividade piscatória. Num livro publicada em 1865 pelo então capitão do porto Pedro Cervantes de Carvalho Figueira refere-se que umas senhoras, que na época contavam mais de oitenta anos, afirmavam que a sua tia/avó lhes mostrava piques das rendas que tinha feito em menina, o que atesta que as rendas, em Peniche, já se faziam em meados do século XVIII.



Renda de Bilros em Peniche

Consta que em 1836 a mulher do Conde de Casal (que aqui se encontrava como governador da praça), analisando as rendas grosseiras que aqui se faziam, entendeu que, se se usassem materiais mais delicados, como linhas mais finas e desenhos elaborados, seria possível obter produto de melhor qualidade. Com o auxílio de um engenheiro em serviço na praça pôs em acção o seu plano, do que resultou sensível melhoria da qualidade, o que permitiu que as nossas rendas fossem premiadas em eventos internacionais logo nos anos de 1851 (Paris e Londres), 1857 e 1861 (Porto), 1872 (Viena de Áustria) e 1878 (Paris).



A originalidade e a qualidade das rendas de bilros de Peniche atingiram tal grau de perfeição e notoriedade, que toda e qualquer renda de bilros portuguesa passou a ser conhecida, simplesmente, por renda de Peniche. Em meados do século XIX existiam em Peniche quase mil rendilheiras e, segundo Pedro Cervantes de Carvalho Figueira, eram oito as oficinas particulares onde crianças a partir dos quatro anos de idade se iniciavam na aventura desta arte.



Em 1887 foi criada a Escola Industrial D. Maria Pia com uma secção de rendeira, que deu continuidade ao rejuvenescimento encetado em 1836. Foi sua primeira directora a D. Maria Augusta Bordalo Pinheiro que impulsionou o artesanato através da criação de novos e perfeitos desenhos. Assim as nossas rendas voltaram a ser premiadas em 1889 (Paris), 1893 (Belém) e 1895 (Paris).

Da Escola Industrial D. Maria Pia resultou a Escola Josefa de Óbidos, posteriormente denominada Escola Industrial de Peniche e entretanto a sua actividade passou a integrar a Escola Secundária de Peniche, onde hoje nada existe sobre rendas e o seu espólio acabou por ser desbaratado. Toda a actividade destas escolas foi formando pessoas que aprenderam a arte de desenhar, elaboração de piques e manufactura de renda, dependendo da sua capacidade criativa a preservação da qualidade das rendas de bilros de Peniche.



Paralelamente à actividade destas escolas existiu a Casa de Trabalho das Filhas dos Pescadores, que estava na dependência da Casa dos Pescadores e que, ao longo de quatro décadas, constituiu uma forma de assistência às filhas dos pescadores, com base nos ensinamentos ministrados, entre os quais a renda, e de um pequeno salário base. Também a paróquia, por iniciativa de Monsenhor Bastos, em fase crítica da produção de rendas, criou uma oficina de rendas junto do Lar de Santa Maria. Finalmente a Câmara Municipal de Peniche, em Setembro de 1987, abriu uma Escola de Rendas, que se encontra a funcionar com a frequência de adultos e crianças.



Por iniciativa particular de um grupo de interessados na preservação das rendas de Peniche foi fundada em Setembro de 1994 a Associação Peniche Rendibilros, com o objectivo de preservar e promover a aprendizagem e divulgação das rendas de Peniche.



Actualidade

Com o advento da industrialização, as rendas de bilros de Peniche foram sofrendo uma regressão, que atingiu o seu ponto mais drástico com a extinção da disciplina facultativa da sua aprendizagem no ensino secundário. Felizmente que, a par de outras iniciativas particulares, com o aparecimento dos Artesãos de Santa Maria (da responsabilidade da paróquia), da Escola de Rendas de Peniche (da Câmara Municipal) e da constituição da Peniche – Rendibilros (Associação para a defesa e promoção das rendas de bilros de Peniche), esta arte encontra-se actualmente salvaguardada e dignificada, sendo mais de meio milhar as penicheiras que sabem tecer renda de bilros ou se dedicam à sua confecção. E anualmente, no terceiro Domingo de Julho, celebra-se o Dia da Rendilheira, agora inserido no programa da Semana da Rendilheira, dedicado especialmente às rendilheiras, muitas são, de facto, as que, no Jardim Público, se exibem perante milhares de pessoas maravilhadas com a beleza das suas obras.



Observa-se, neste momento, o renascer do interesse pelas rendas, mercê do apoio que tem sido prestado pela nossa autarquia, como contrapartida do desinteresse do Governo Central que retirou o curso das rendas das escolas oficiais, mantendo a escola referida, promovendo concursos anuais e instituindo a semana da renda, onde se salienta a passagem de modelos com aplicações de renda em vestuário, terminando com o Dia da Rendilheira como acção pública de divulgação e promoção das rendas.



Bibliografia

•"Peniche na história e na lenda", de Dr. Mariano Calado

•"Bordados e rendas de Portugal", de Dr. Manuel Maria de Sousa Calvet de Magalhães

in http://terrasdeportugal.wikidot.com/rendas-de-bilros-de-peniche