segunda-feira, abril 06, 2009

Serviço Social Maus-Tratos de Crianças



Regional
Maus-tratos: Crianças em situação de "risco social"

passam pelo menos um mês no hospital


O caso de uma criança em situação de "risco social" demora em média um mês a ser resolvido no Amadora-Sintra, mas há meninos que, na "pior das hipóteses", ficam vários meses no hospital até o seu encaminhamento ser resolvido.
Uma criança é retida no hospital quando apresenta indicadores de perigo ou situações económicas muito graves que comprometem o seu bem-estar, adiantou a assistente social do Serviço de Pediatria do Amadora-Sintra, onde nos primeiros oito meses de 2008 foram sinalizadas 467 casos de "risco social", que incluem maus-tratos, rejeição familiar, carência económica e negligência. Quando na base dos problemas estão dificuldades económicas, Madalena Barros explicou que se tenta encontrar, de "todas as formas possíveis", as condições para a família ficar com a criança."Muitas vezes, essas crianças passam aqui um mês, um mês e meio, dois meses, até conseguirmos que as condições mínimas sejam asseguradas e tratadas", explicou.Mas há outros casos em que as crianças entram "severamente batidas" e o hospital tem de agir ao nível de prevenção e retém a criança."Já tivemos uma criança retida no hospital quatro meses e outro caso de uma criança deficiente que esteve um ano, mas em média costumamos ter uma situação destas, na pior das hipóteses, resolvida num mês", sublinhou.Muitas destas situações carecem de investigação, principalmente de crianças até um ano de idade, que são as "mais difíceis de percepcionar se foram vítimas de acidente ou maus-tratos", que, às vezes, têm "laivos de leviandade graves de abusos contra crianças" e que estão "camufladíssimos".Estes casos são reportados à Comissão de Protecção de Crianças e Jovens (CPCJ) da área da residência que irá fazer um estudo mais aprofundado das condições e dos indicadores detectados no hospital.Os bebés até dois anos são os que representam o maior número de situações de "risco social" no hospital, seguindo-se a faixa dos três aos seis anos e depois diluem-se até aos 16 anos.Muitos destes casos são detectados nos hospitais, mas há outros que são referenciados pelas escolas, autoridades policias, pelas CPCJ ou por algum familiar.A rapidez na resolução dos casos resulta da "boa articulação" entre o hospital, as comissões de protecção de menores, as equipas da Segurança Social, tribunais e as forças policiais, o que "facilita a intervenção e salvaguarda o bem-estar e o projecto de vida da criança", sustentou.No Hospital de Faro, onde no ano passado foram sinalizados 106 situações de risco social, contra 81 em 2007, duas crianças aguardam alta social.O médico coordenador do Núcleo Hospitalar de Apoio a Crianças e Jovens em Risco (NHACJR), Raul Coelho, disse à Lusa que a maioria destas crianças regressa ao núcleo familiar, mas há outras que são reencaminhadas para instituições de acolhimento, dependendo da "gravidade do caso e da situação clínica". Madalena Barros assegurou que nenhuma criança é retirada à "revelia dos pais": "agimos sempre numa linha de honestidade muito grande com os pais sejam eles agressores descontrolados ou não".Contactado pela agência Lusa, o presidente da Comissão Nacional de Protecção das Crianças e Jovens em Risco (CNPCJR), Armando Leandro, explicou que, quando há oposição dos pais, o caso é comunicado ao Ministério Público para que o tribunal decida em 48 horas o encaminhamento da criança.
6 de Abril de 2009 13:12lusa

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