segunda-feira, março 07, 2011

Música Portuguesa:Fausto Bordalo

domingo, março 06, 2011

Rendas de Bilros: Investigação do Professor Mariano Calado


Não é conhecida a origem da renda de bilros. Sabe-se que povos muito antigos usavam tecidos cujo aspecto se assemelhava a renda e que se presume fossem elaborados de forma semelhante à renda actual. Admite-se que os Fenícios podem ter sido agentes divulgadores das rendas, através das suas trocas comerciais e, portanto, também ao longo da costa marítima portuguesa, onde estabeleciam contactos privilegiados. Outra corrente afirma terem chegado ao nosso país através dos contactos com o norte da Europa, onde a arte apareceu nos seus principais portos.




Definição

É um trabalho formado pelo cruzamento sucessivo ou entremeado de fios têxteis, executado sobre o pique e com a ajuda de alfinetes e dos bilros. O pique é um cartão, normalmente pintado da cor açafrão para facilitar a visão por parte da executante, onde se decalcou um desenho, feito por especialistas, cuja origem está na criatividade da autora, que por vezes recorre à estilização de objectos naturais como as flores e animais.



Os alfinetes fixam o trabalho ao pique e são colocados em furos estrategicamente efectuados no desenho base. O bilro é um artefacto de madeira em forma de pêra alongada onde é enrolada a linha (fio têxtil) que vai sendo descarregada à medida que o trabalho avança. Todo o trabalho é executado com o auxílio de uma almofada cilíndrica, onde é fixado o pique, que, por sua vez, está pousada sobre um banco de madeira cuja forma permite a fácil alteração da posição da almofada, que roda sobre si, enquanto permita uma posição cómoda a quem executa.



História

Indefinida que está a sua origem resta apurar a data do seu aparecimento no nosso país e, como tal, consta que a primeira vez que se falou na palavra renda, entre nós, terá sido no reinado de D. Sebastião em 1560.



No reinado de D. João V o país foi inundado e influenciado pelas rendas com origem na Flandres, dado que o protocolo da corte obrigava ao uso das rendas flamengas, facto que veio prejudicar o desenvolvimento das nacionais. Esta situação originou a revolta das rendeiras nortenhas que enviaram o seu protesto, perante o rei, através da vila-condense Joana Maria de Jesus, que conseguiu permissão para o uso das rendas nacionais em lenços, lençóis, toalhas e outro bragal de casa, continuando proibido o seu uso pessoal. As rendas nacionais foram libertadas destas peias em 1751, no reinado de D. José, passando a poder ser usadas na roupa branca de uso das pessoas, toalhas, lençóis e outras alfaias da casa. Porém a entrada na capital das rendas feitas no resto do país era sujeita ao acompanhamento de guias passadas pelos escrivães das câmaras, embora, pelo facto de na sua feitura se empregarem somente pessoas pobres, estivessem isentas de impostos.



E foi assim que na classificação das rendas se passou a denominar de aristocráticas, hoje em Peniche chamadas eruditas, aquelas que imitam as estrangeiras por serem mais elaboradas e utilizando linhas finas, e as populares que são aquelas que tradicionalmente sempre foram feitas pelo povo.



"Onde há redes há rendas" e Peniche não foi excepção, como não foram quase todas as povoações do litoral onde se desenvolve actividade piscatória. Num livro publicada em 1865 pelo então capitão do porto Pedro Cervantes de Carvalho Figueira refere-se que umas senhoras, que na época contavam mais de oitenta anos, afirmavam que a sua tia/avó lhes mostrava piques das rendas que tinha feito em menina, o que atesta que as rendas, em Peniche, já se faziam em meados do século XVIII.



Renda de Bilros em Peniche

Consta que em 1836 a mulher do Conde de Casal (que aqui se encontrava como governador da praça), analisando as rendas grosseiras que aqui se faziam, entendeu que, se se usassem materiais mais delicados, como linhas mais finas e desenhos elaborados, seria possível obter produto de melhor qualidade. Com o auxílio de um engenheiro em serviço na praça pôs em acção o seu plano, do que resultou sensível melhoria da qualidade, o que permitiu que as nossas rendas fossem premiadas em eventos internacionais logo nos anos de 1851 (Paris e Londres), 1857 e 1861 (Porto), 1872 (Viena de Áustria) e 1878 (Paris).



A originalidade e a qualidade das rendas de bilros de Peniche atingiram tal grau de perfeição e notoriedade, que toda e qualquer renda de bilros portuguesa passou a ser conhecida, simplesmente, por renda de Peniche. Em meados do século XIX existiam em Peniche quase mil rendilheiras e, segundo Pedro Cervantes de Carvalho Figueira, eram oito as oficinas particulares onde crianças a partir dos quatro anos de idade se iniciavam na aventura desta arte.



Em 1887 foi criada a Escola Industrial D. Maria Pia com uma secção de rendeira, que deu continuidade ao rejuvenescimento encetado em 1836. Foi sua primeira directora a D. Maria Augusta Bordalo Pinheiro que impulsionou o artesanato através da criação de novos e perfeitos desenhos. Assim as nossas rendas voltaram a ser premiadas em 1889 (Paris), 1893 (Belém) e 1895 (Paris).

Da Escola Industrial D. Maria Pia resultou a Escola Josefa de Óbidos, posteriormente denominada Escola Industrial de Peniche e entretanto a sua actividade passou a integrar a Escola Secundária de Peniche, onde hoje nada existe sobre rendas e o seu espólio acabou por ser desbaratado. Toda a actividade destas escolas foi formando pessoas que aprenderam a arte de desenhar, elaboração de piques e manufactura de renda, dependendo da sua capacidade criativa a preservação da qualidade das rendas de bilros de Peniche.



Paralelamente à actividade destas escolas existiu a Casa de Trabalho das Filhas dos Pescadores, que estava na dependência da Casa dos Pescadores e que, ao longo de quatro décadas, constituiu uma forma de assistência às filhas dos pescadores, com base nos ensinamentos ministrados, entre os quais a renda, e de um pequeno salário base. Também a paróquia, por iniciativa de Monsenhor Bastos, em fase crítica da produção de rendas, criou uma oficina de rendas junto do Lar de Santa Maria. Finalmente a Câmara Municipal de Peniche, em Setembro de 1987, abriu uma Escola de Rendas, que se encontra a funcionar com a frequência de adultos e crianças.



Por iniciativa particular de um grupo de interessados na preservação das rendas de Peniche foi fundada em Setembro de 1994 a Associação Peniche Rendibilros, com o objectivo de preservar e promover a aprendizagem e divulgação das rendas de Peniche.



Actualidade

Com o advento da industrialização, as rendas de bilros de Peniche foram sofrendo uma regressão, que atingiu o seu ponto mais drástico com a extinção da disciplina facultativa da sua aprendizagem no ensino secundário. Felizmente que, a par de outras iniciativas particulares, com o aparecimento dos Artesãos de Santa Maria (da responsabilidade da paróquia), da Escola de Rendas de Peniche (da Câmara Municipal) e da constituição da Peniche – Rendibilros (Associação para a defesa e promoção das rendas de bilros de Peniche), esta arte encontra-se actualmente salvaguardada e dignificada, sendo mais de meio milhar as penicheiras que sabem tecer renda de bilros ou se dedicam à sua confecção. E anualmente, no terceiro Domingo de Julho, celebra-se o Dia da Rendilheira, agora inserido no programa da Semana da Rendilheira, dedicado especialmente às rendilheiras, muitas são, de facto, as que, no Jardim Público, se exibem perante milhares de pessoas maravilhadas com a beleza das suas obras.



Observa-se, neste momento, o renascer do interesse pelas rendas, mercê do apoio que tem sido prestado pela nossa autarquia, como contrapartida do desinteresse do Governo Central que retirou o curso das rendas das escolas oficiais, mantendo a escola referida, promovendo concursos anuais e instituindo a semana da renda, onde se salienta a passagem de modelos com aplicações de renda em vestuário, terminando com o Dia da Rendilheira como acção pública de divulgação e promoção das rendas.



Bibliografia

•"Peniche na história e na lenda", de Dr. Mariano Calado

•"Bordados e rendas de Portugal", de Dr. Manuel Maria de Sousa Calvet de Magalhães

in http://terrasdeportugal.wikidot.com/rendas-de-bilros-de-peniche

sábado, março 05, 2011

História do Serviço Social: Testemunho da Professora Doutora Myrian Veras Baptista

Eu quero primeiro agradecer e dizer que é um prazer estar aqui. Morei em Londrina, dois anos. Já faz ‘um pouco de tempo’: foi bem antes dos 35 anos desta universidade. O meu marido trabalhou na companhia que construiu a Rodovia do Café. Então, morei em Ponta Grossa, em Londrina... Depois, nós tivemos o golpe militar e eu fui para Curitiba, onde fiquei 10 anos. Foi por isso que a Silvia[2] falou que eu sou quase paranaense, porque, de fato, não só morei aqui bastante tempo, como gostei muito e fiz grandes amizades, amizades que existem até hoje. Não é Lídia[3]? Lídia é do meu tempo de Curitiba, mas ela é bem mais nova, bem mais nova. Só para vocês terem uma idéia, eu fui supervisora da Odária[4] quando ela estava fazendo seu TCC. Quem orientou o TCC da Odária fui eu.
A Silvia quando me convidou disse que era para conversar um pouco com vocês. Eu até pensei que fosse uma coisa menos formal. Vou confessar que se eu soubesse que era assim, mais formal, eu teria preparado um discurso, mas, como já não preparei, agora, vamos assim por esse caminho.
Eu pensei em fazer essa minha fala em duas partes: a primeira, com uma reflexão sobre a origem do Serviço Social no Brasil. Eu coordenei - antes do núcleo de pesquisa da criança e do adolescente que coordeno agora - um núcleo de pesquisa sobre a história do Serviço Social. A Lídia fez parte desse núcleo. Dele saíram várias teses de doutorado e algumas dissertações de mestrado. Então, nessa época, nós pesquisamos a história. Eu mesma já vivi uma boa parte dessa história, desses 70 anos. Eu já fiz o meu jubileu de ouro como assistente social: 50 anos de formada. Então, desses 70 anos, 50 eu vivi diretamente.
Existem algumas coisas de que eu posso falar a partir da minha própria experiência e outras que são resultado de minhas análises, das apreensões que fui fazendo com base nos relacionamentos que tive com as pioneiras e com os pioneiros. A faculdade onde eu fiz o meu curso foi a primeira escola de Serviço Social do Brasil - a Escola de Serviço Social de São Paulo – que, na época que eu estudei se situava na rua Sabará, em Higienópolis, um bairro nobre da cidade. É essa mesma escola que agora está integrada na PUCSP. Naquela época ela já era uma escola ligada à Universidade Católica, que funcionava em uma casa isolada. Era uma escola isolada, mas que fez história.
Então, nesta primeira parte, eu pensei em contar um pouco a respeito do meu olhar sobre essa história. Porque a história, além de ser muito dinâmica e construída no contexto das relações, tem o significado do olhar de quem a olha. Eu vou falar para vocês sobre o meu olhar sobre a história: como eu vejo aqueles primeiros anos do serviço social e como vejo essa história se construindo até agora. Na outra parte, eu penso em falar da minha participação na criação da escola de Londrina, na qual eu tive, de certa forma, uma pequena colaboração, mas que foi importante até para sua existência.
A construção de uma profissão ou de uma instituição é resultante do movimento da história. No século XIX, a sociedade ocidental estava em um processo de transição bastante acentuado para um novo tipo de relação social e econômica no contexto do capitalismo, o capitalismo monopolista. As evidências do capital como determinante do processo de produção, que tiveram início em meados do século XVIII, se consolidaram no século XIX, quando também começaram a preocupar os problemas que estavam gerando. Na emergência da industrialização, da concentração de riquezas e do modelo capitalista de relações de trabalho, existia uma grande esperança de uma nova e melhor qualidade de vida para a população, mesmo porque, com esse novo tipo de relação de trabalho, abolira-se a servidão. Existiam os feudos, os moradores daqueles feudos eram servos, não eram escravos, mas eram servos, não tinham direito à propriedade do território onde viviam; pagavam impostos sobre a sua produção ao senhor feudal e lhes juravam fidelidade. Este tipo de relação social começou a se desmanchar e um novo tipo de relação emergiu, na qual o trabalho era acertado por contrato e o gentio teve acesso à propriedade privada. Com o uso de novos e mais avançados maquinários, houve aumento da produção, dando espaço para que se tivesse a expectativa de que se iria acabar com a fome, e que as pessoas teriam melhores condições de vida e de trabalho. Essas esperanças, aos poucos, foram sendo frustradas pela realidade, onde ia se engendrando algo que, já então, passou a ser nominado de questão social, desencantando diferentes segmentos da sociedade.
Por essa época, começaram emergir críticas e preocupações com os rumos da sociedade em razão do tipo de relações construídas no sistema capitalista. A pobreza, que já existia muito antes da implementação desse novo sistema, ficou mais evidente aos olhos da sociedade, principalmente por causa da concentração de pessoas pobres nos centros urbanos e da ausência de quem por elas se responsabilizasse. Nos feudos, a servidão era um problema mas, ao mesmo tempo, era uma solução para os problemas de segmentos mais vulneráveis da população: os senhores feudais eram responsáveis pelos seus servos, assim como os donos de escravos eram responsáveis pelos seus escravos. Tanto entre os antigos servos, quanto entre os antigos escravos, a abolição do regime foi, ao mesmo tempo, um momento de libertação e de mudança, mas também um momento muito trágico de luta pela sobrevivência para grandes contingentes populacionais. 
Análises feitas nos anos 1800, sobre a situação da população nesses primeiros tempos do capitalismo, da industrialização, foram deixando muito evidentes esses problemas. Também se evidenciou a exploração da mão-de-obra, não apenas dos adultos: havia crianças desde muito pequenas trabalhando em trabalhos pesados e insalubres. Chegaram até nós documentos que mostram essa realidade. Havia problemas muito sérios, que foram denunciados, principalmente, pelos chamados ‘socialistas utópicos’, nas primeiras décadas do século XIX  (Saint-Simon, Fourier, Owen) e, em 1848, pelo Manifesto do Partido Comunista, de Marx e Engels.
Essa realidade preocupava diferentes grupos e, principalmente, a Igreja Católica, que, nos finais do século XIX, escreveu uma encíclica colocando a posição da Igreja frente a essas relações capitalistas. Nesta encíclica, de 1891, chamada Rerun Novarun, a Igreja denuncia a questão social, pondo em discussão um dos princípios fundamentais do liberalismo: a crença no funcionamento das leis de mercado. A Rerum Novarum apresentava uma proposta de sociedade como contraponto à questão social. Esta proposta foi conhecida como uma “terceira via”, que negava o capitalismo selvagem e o comunismo materialista e propunha o humanismo cristão. Dizia Leão XIII: De nada vale o capital sem o trabalho, nem o trabalho sem o capital... Essa proposta foi reafirmada quarenta anos depois, por Pio XI, em 1931, em uma outra encíclica que foi chamada Quadragésimo Ano. Esta encíclica avançou mais nas propostas que compunham o que hoje conhecemos como a Doutrina Social da Igreja. Nela, Pio XI afirmava serinteiramente falso atribuir, ou só ao capital ou só ao trabalho, o produto do concurso de ambos, e é injustíssimo que um deles, negando a eficácia do outro, se arrogue a sí todos os frutos.
 Na verdade estas Encíclicas não representavam uma recusa ao capitalismo como meio de produção, mas continham uma proposta de humanização das relações capital/trabalho, através da justa distribuição dos resultados da produção, do salário justo que possibilitasse ao trabalhador a manutenção de si próprio e de sua família, da participação dos trabalhadores nos lucros, da oportunidade dos mesmos construírem um patrimônio com o excedente de seu salário. Nestas Encíclicas, também, a Igreja posicionava-se em favor da intervenção do Estado no controle dessas relações.
Por que estou falando isso? Porque é nesse movimento da Igreja, nesta proposta, que foi se engendrando o Serviço Social, como um novo tipo de profissão que iria fazer frente àquelas situações concretas, que iria ser (eu sempre brinco com essa figura) “o braço armado da Igreja” para a implementação de sua doutrina.
É essa a perspectiva do meu olhar para a gênese do serviço social: em seu nascedouro esta profissão teve um componente eminentemente político, foi fruto de uma proposta política. Foi uma proposta política que, como qualquer outra, desenvolveu estratégias para sua implementação.
Na Europa, há dois anos atrás, foram festejados os 100 anos do Serviço Social. Nós tivemos 30 anos de defasagem em relação à Europa e, aproximadamente, 20 anos em relação aos Estados Unidos. Esta diferença de tempo histórico, eu atribuo ao atraso na penetração do capitalismo nas relações brasileiras. No Brasil, a sociedade e, em decorrência, a Igreja, começam sentir a necessidade de um posicionamento face à questão social com um atraso de 20, 30 anos em relação aos países europeus e aos Estados Unidos.
Quando esta preocupação chegou ao Brasil, já havia uma industrialização incipiente, já estavam postos os espaços onde se faziam ouvir os reclamos dos trabalhadores nas greves e nos movimentos anarquistas, comunistas e socialistas que formavam seus quadros e estavam se firmando como grupos (partidos) que tinham propostas alternativas de relações de sociedade.
Face à esse novo quadro, a Igreja, no Brasil, se mobilizou e desenvolveu as estratégias já seguidas em território europeu, para implementação, divulgação e construção da sua proposta política, estruturada como uma doutrina: a Doutrina Social da Igreja.
A estratégia desenvolvida no Brasil se apoiou em um tripé. Um de seus pilares era formado pela mais evidente estratégia assumida pela Igreja - o envolvimento do laicato (dos leigos) nesta ação, principalmente o laicato jovem - foi criado, na década de 1920, o movimento de Ação Social Católica, que coordenava agrupamentos de leigos militantes por categorias: a Juventude Universitária Católica - JUC, a Juventude Estudantil Católica - JEC (dos estudantes secundaristas), a Juventude Independente Católica - JIC, a Juventude Operária Católica - JOC. Além desses agrupamentos, havia os movimentos operários coordenados pela Igreja, os Centros ou Círculos Operários que funcionavam nos bairros e cidades industrializadas. O segundo pilar foi o investimento na formação de quadros, na construção de uma intelectualidade católica, capitaneado por Dom Sebastião Leme, com a criação do Centro Dom Vital, da revista Ordem e da implantação do Instituto Superior de Estudos Católicos no Rio de Janeiro, precursor das Universidades Católicas que passaram a ser criadas em quase todos os estados brasileiros, com formação fortemente doutrinária. O terceiro pilar desse tripé foi a conquista de um partido político: naquela época já existia um partido católico o Partido Democrata Cristão - PDC, que estava nas mãos dos integralistas católicos. Um grupo ligado à ação católica, que era a vanguarda da Igreja (do qual faziam parte os assistentes sociais José Pinheiro Cortez e Helena Iraci Junqueira) se organizou e tomou a direção do partido.
Com isso, eu estou querendo mostrar o quanto este não foi um movimento de cunho eminentemente assistencial, como se costuma ouvir falar quando se trata das origens do Serviço Social brasileiro. Ele foi parte de um movimento político, doutrinário, mobilizado para fazer uma intervenção que tinha por objeto a questão social.
Eu ia fazer meu pós-doutorado com o Michael Löwy, na França, sobre o Serviço Social. Minha tese é que a visão de mundo anti-capitalista romântica poderia ser uma categoria explicativa que permitiria compreender essa nossa profissão desde os seus primórdios até hoje. Neste estudo o serviço social seria visto, como qualquer outra profissão, a partir de sua estruturação histórica. Essa estruturação é composta por vários elementos – ideologia, teoria, ciência, método, objeto, especificidades, conhecimentos, instrumentais, procedimentos, normas – que se relacionam e dão unidade a essa estrutura. Esses elementos estruturais se consolidam, se modificam, são eliminados, são substituídos por outros, em uma dinâmica regida por determinações externas (sócio-históricas) e determinações internas (conjunturais), o que não significa que não permaneçam  “impurezas” e “sobrevivências” dessas transições.
Neste momento, eu me lembro da tese de doutorado da Lídia[5], que teve como idéia básica para o título de um de seus capítulos (que tratava da transição do doutrinarismo para o primeiro momento do marxismo no Serviço Social) uma afirmação bem significativa para exemplificar o que estou dizendo: Saiu dos braços de Jesus, e caiu nos braços de Marx. A ideologia permaneceu doutrinária, mas o seu conteúdo, que em seus primórdios era católico, transmudou com a incorporação acrítica das idéias de intérpretes de Marx. Outra idéia significativa da tese da Lídia, que mostra bem esse movimento foi: Deixou de preocupar-se com o pecado original e passou a preocupar-se com o pecado de classe. Com estes exemplos eu estou querendo mostrar que os elementos estruturais eram os mesmos, os conteúdos é que mudaram nesses momentos da nossa história.
Portanto, quando eu discuti com o Michael Löwy sobre qual seria a minha tese para o pós-doutorado, levei por proposta a afirmação de que o serviço social, desde o seu nascedouro tem uma característica que é de luta e, essa luta tem uma bandeira, que é o anti-capitalismo romântico - essa é uma luta com fundamento utópico: o desejo de uma relação de sociedade ainda não alcançada. Eu defendo que esta utopia (tendo como fundamento um tipo diferente de relação) já estava presente entre os pioneiros do serviço social, quando eles pugnavam pelo humanismo cristão. Tanto isso é verdade que eles não só tomaram partido político como fizeram deputados, vereadores, e dirigentes executivos (prefeitos, governadores). E, nas salas da Escola de Serviço Social da Rua Sabará, foram discutidas muitas propostas de projetos de lei apresentados na época, como, por exemplo, do salário mínimo e do salário-família. Era um grupo formado por André Franco Montoro, José Pinheiro Cortez, Helena Iraci Junqueira, Susana Medeiros e outros, que discutiam, no contexto das idéias da democracia cristã. Helena Iraci Junqueira foi a primeira vereadora mulher da cidade de São Paulo (tanto que ela brincava que o primeiro  banheiro feminino na Câmara só foi construído depois que ela foi eleita).
Essa é uma característica que quase não se vê analisada quando se pretende recuperar a história do Serviço Social. Este grupo pioneiro foi um grupo extremamente lutador: eles conseguiram em pouco tempo a legislação que legitimava a profissão, antes de muitas outras profissões. Eles conseguiram também montar, em meados da década de 1940, uma organização que agrupava as unidades de ensino do Serviço Social, a ABESS- Associação Brasileira de Escolas de Serviço Social, com o objetivo de possibilitar a troca de experiências e o progresso do ensino. São muito poucas as profissões que contam no Brasil com esse tipo de organização e, mesmo na nossa profissão são poucas essas organizações no exterior. Por exemplo, em Portugal, há uma grande preocupação porque estão proliferando enormemente os cursos de Serviço Social e a associação de escolas deles ainda é muito nova, não tendo ainda conseguido consolidar-se. Aqui, a associação de escolas de Serviço Social que temos, é responsável pelas diretrizes do ensino da profissão, o que permite que ela tenha uma certa unidade em todo país: uma unidade na diversidade. Não quero dizer com isso que o Serviço Social seja homogêneo no Brasil, mas que tem elementos comuns em todo o território nacional: é uma única profissão, num país do tamanho do nosso!
Existiram muitos movimentos marcantes deste grupo pioneiros, ao qual nós devemos muito. Nós passamos por momentos da história brasileira em que os/as pioneiras(os) tiveram papel importante. Se vocês se lembrarem que uma das pioneiras, da primeira turma de Serviço Social, Nadir Gouvea Kfouri, foi a reitora da PUC de São Paulo que, tendo sido indicada pelo cardeal, instituiu a democracia e o voto direto para a reitoria da Universidade, e quando ela instituiu isso, ela foi a primeira reitora eleita e só não se reelegeu outras vezes porque o estatuto não permitia e porque ela se afastou da universidade por aposentadoria.
Só vou relatar mais um fato relacionado à execução desta proposta política. Nos primeiros anos do Serviço Social, ainda na década de 30, o Dr. José Pinheiro Cortez (que não tem qualquer parentesco com o Cortez da editora) estava fazendo a faculdade de Direito, do Lago São Francisco (atualmente, incorporada à USP) e era também militante da JUC - Juventude Universitária Católica (O Dr. Cortez era uma pessoa muito religiosa – ele, uma vez, brincou comigo dizendo que só não era franciscano porque se apaixonara pela mulher com quem se casou, mas ele estava se encaminhando para ser franciscano. Os franciscanos têm voto de pobreza – este voto de pobreza que ele cumpriu pela vida inteira). Enquanto participante da JUC, ele foi chamado pelo mentor espiritual de seu grupo, que lhe disse: Você tem uma missão: nós estamos precisando de uma escola masculina de Serviço Social e é você quem vai criar – isto significa que ele não criou a nova escola porque quis, mas por imposição da Igreja da qual ele fazia parte. O seu mentor determinara: Você vai fazer o curso  de Serviço Social para poder criar uma escola masculina, que dará bolsas de estudo para operários. Porque nós precisamos disseminar a doutrina entre o operariado. Foi, então, criada uma escola masculina que inicialmente se chamou Instituto de Serviço Social de São Paulo (que, quando eu fazia meu curso na Sabará, funcionava no edifício  Martinelli) e hoje em dia é a Escola Paulista de Serviço Social. Em seguida à sua criação em São Paulo, foi criado um campus no ABC, em São Caetano, justamente para cumprir esse objetivo de formação de operários assistentes sociais.  É por isso que eu brinco - mas não é muito brincadeira - que o Serviço Social tinha esse papel de “braço armado da Igreja” – era aquele que chegava perto da população, junto ao operariado, para fazer a disseminação da doutrina, da proposta política, social e ideológica da Igreja.
Eu acho que esse olhar, esta perspectiva do Serviço Social, é bastante importante para compreender sua história. Em geral, quando se fala da história do Serviço Social, fala-se do seu lado assistencial. Este lado assistencial já existia naquela época, mas não era a sua ‘mola mestra’, o seu eixo era a proposta política de enfrentamento da questão social.
 Um outro aspecto que eu gostaria de ressaltar deste momento inicial da profissão – do qual sou grande admiradora - é o método. Aquela divisão de métodos de caso, de grupo e de comunidade que nós mais conhecemos, não era o que havia nos primórdios do Serviço Social – só passou a ser adotada depois que o país estabeleceu uma relação Brasil–Estados Unidos, que incluía no Ponto 4 do acordo, a facilitação de ida de bolsistas para formação nos Estados Unidos - foi quando um grupo de professores das Escolas de Serviço Social brasileiras, trouxe essa metodologia. Mas até essa época, o método de intervenção do Serviço Social era o adotado pela Ação Católica e se estruturava a partir de círculos de estudos.
Eu estudei nessa época, quando o curso era de tempo integral. Nos círculos de estudos procurava-se saber o que estava acontecendo, como estava acontecendo, quem fazia e o que estava sendo feito – era o ‘ver’. Em seguida, vinha o ‘julgar’ - quando eu comecei a estudar planejamento, eu pensei: Será que esse julgar significa fazer um diagnóstico? Não era a mesma coisa: era um julgamento ético-moral, norteado pela ética da Igreja. Não era a moral que se pergunta “casou ou não casou? está dormindo com quem?”, não era nessa linha da moral, era uma moral com base em uma ética doutrinária. Fazia-se um julgamento ético-moral a respeito de cada questão que entrava em pauta. Eram discussões aprofundadas, por isso precisava-se de período integral. Depois, vinha o ‘agir’o que vamos fazer face a isso? Qual a nossa responsabilidade face ao que está acontecendo? Nós nos acostumávamos, então, a assumir responsabilidades face às coisas que aconteciam na comunidade, na cidade, no país, no mundo. Nós éramos cobrados disso a toda hora, pelo menos duas vezes por semana, nos círculos de estudos.
A base - a formação ética e moral - nesses cursos pioneiros era forte. Nós tínhamos três disciplinas do curso de Serviço Social que tratavam disso: ética, ética profissional e Doutrina Social da Igreja. E essa ética era vivida cotidianamente: ninguém cuidava das provas, porque você tinha que desenvolver a sua responsabilidade ética em relação a sua formação. E era muito pesado - eu tive colegas que saíram (não foram mandadas embora) porque não agüentaram o peso de ter colado em uma prova - dizia-se que se estava preparando uma elite, eticamente bem formada, para implementação da doutrina. Você tinha uma responsabilidade, e a pessoa fazia o ‘mea culpa’ - eu não sirvo, eu não agüento - e saía. Hoje em dia parece um absurdo, ou bobagem mas, na verdade, nós tínhamos esse tipo de pensamento impregnado, ficávamos o dia inteiro alí, recebendo essa formação.
Uma outra coisa também era a nota, principalmente a do trabalho prático (eu estou dando esses exemplos porque acho que são interessantes e, como isto não está escrito em nenhum lugar, vocês estão tendo um depoimento de quem viveu essa experiência). Nós tínhamos estágio desde o início do curso. Ao final do semestre a supervisora (a minha era a Antonieta Guerrero) e a aluna sentavam frente a frente e ela falava: “Pense no que você fez, que nota você se dá?”. Você é que dava a sua nota - mas antes tinha que fazer um exame de consciência.
Por que eu estou falando isso tudo aqui? Para recuperar uma face do Serviço Social que é muito pouco explorada, que é essa face da luta, do compromisso e da ética, que acompanhou o Serviço Social desde o seu início. Era um outro momento da história, um outro momento do Brasil: não tínhamos televisão para ficarmos sabendo das coisas que estavam acontecendo e tínhamos outra maneira de lidar com as questões.
Essa era a primeira parte do que eu estava querendo falar. Nesta outra parte, eu quero contar a respeito da minha participação na história desta Universidade.
Quando eu me formei, eu casei. Uma das exigências do meu marido para casar comigo foi a entrega do Trabalhou de Conclusão do Curso – TCC: se eu não entregasse o TCC, ele não casava, nem preciso dizer que eu fiz o TCC rapidamente. Tanto é que eu fiz bodas de ouro e jubileu de ouro de formada ao mesmo tempo.
Bem, o meu marido é engenheiro construtor de estradas e, na década de 1960 nós viemos para o Paraná para a construção da Rodovia do Café, que liga o norte do Paraná com o porto de Paranaguá. Primeiro eu fui morar em Ponta Grossa, porque estava sendo feito aquele trecho da estrada. Quando nós tivemos que mudar para Londrina, para fazer este outro trecho, estávamos em março, nos finais das chuvas, quase à entrada do outono... Quando viemos, tinha havido um “chuvão”, e como não havia estrada asfaltada, o caminho estava intransitável. Para chegarmos em Londrina o caminhão da mudança teve que ir para São Paulo e entrar no Paraná por Jacarezinho - porque o norte do Paraná era ligado por rodovia asfaltada a São Paulo e, conseqüentemente, ao porto de Santos. Todo escoamento da produção do norte do Paraná se fazia pelo porto de Santos. O governador do Paraná, na época, Ney Braga, assumiu como uma das primeiras medidas, o projeto da Rodovia do Café. Nós viemos para cá por causa dela - eu morei um ano em Ponta Grossa e, depois, vim para Londrina.
Eu era assistente social, tinha quatro filhos pequenos (em seis anos eu tive quatro filhos e doze mudanças, porque como meu marido construía estrada, eu ia para onde não tinha estrada e, quando a estrada era construída eu mudava para onde não tinha...) Eu vim com a criançada - eu não estava trabalhando em Serviço Social: fiquei dez anos longe do trabalho externo, trabalhando muito, mas dentro de casa. Tinha uma prima do meu marido que estudava no colégio Mãe de Deus, onde era realizado um trabalho social. Naquela época, em Londrina, não havia favelas. Havia um lugar onde algumas pessoas construíram suas casas - era onde os proprietários, japoneses, tinham sido mortos no final da guerra, por seus compatriotas – era uma invasão porque aquelas terras não tinham mais dono. Eu não sei mais onde fica: já se passaram muitos anos. Nessa invasão era realizado um trabalho das alunas do Colégio Mãe de Deus. As freiras ficaram sabendo que a prima de uma delas era assistente social e me chamaram para dar uma força lá, fazer uma supervisão do trabalho que realizavam.
Eu comecei a fazer essa orientação e um dia Dom Geraldo, que era o bispo de Londrina, me chamou e disse que queria fazer uma escola de Serviço Social na cidade. Convidou-me, então para organizá-la. Eu achava muito difícil porque só havia duas assistentes sociais em Londrina, eu e a assistente social do SESC. E me perguntei: Com que base eu vou criar uma escola de Serviço Social com apenas dois profissionais da área na cidade? Neste mesmo dia, eu fui chamada pelo pessoal do Colégio Londrinense porque eles também queriam uma escola de Serviço Social - os protestantes também queriam uma escola de Serviço Social. Eu senti que era uma coisa que estava no ar - ou um ficou sabendo da idéia do outro, não sei. E eu pensei: Se estão querendo tanto uma escola de serviço social é porque existe um espaço para essa profissão em Londrina.
Neste momento eu vou fazer um outro parêntesis: eu era “peixinho” da escola de Serviço Social de São Paulo, “queridinha da escola”, porque casei com o sobrinho da bibliotecária, que era de uma das primeiras turmas, a Margarida Pizante, que é uma pessoa estimadíssima lá. Como eu era sobrinha dela, por procuração, eu tinha vantagens de relacionamento naquela escola. Então, pensei: Eu vou lá, ver se eles me apóiam para abrir essa escola. Eu fui. Fui recebida por Dna. Helena Junqueira e Dna. Nadir Kfouri - que foram minhas professoras e eram minhas amigas. Elas tiraram da minha cabeça: disseram que era uma loucura, que eu não deveria nem pensar nisso (elas sempre foram contra a proliferação de escolas - desde o Instituto de Serviço Social – porque queriam garantir a qualidade doutrinária da formação).
Bem, se eu não podia contar com elas, eu estava disposta a desistir da idéia. Aí, eu desci e fui falar com a minha tia Margarida. A Margarida me vira chegar e estava querendo saber o que eu tinha ido fazer lá, e eu contei toda a história para ela. Sentado na mesa de leitura da biblioteca, estava o Dr. Cortez, que ouviu tudo. Quando eu acabei de contar para Margarida, o Cortez falou: Eu ‘topo’. Ele já havia criado a escola masculina, que nessa época já não era mais exclusivamente masculina, já era mista - mas sempre foi uma escola que teve um contingente maior masculino do que feminino.
O Cortez sentia que tinha possibilidade de apoiar esse projeto: ele era um sonhador que sonhava sonhos possíveis, não era um sonhador de sonhos impossíveis. Ele era também uma pessoa que se entregava por inteiro. E, como ele tinha voto de pobreza, não esperava retribuição econômica das coisas que fazia, ele se dedicava por convicção.
Por essa época, o Dr. Cortez era o Secretário Geral do Partido Democrata Cristão (mantinha-se nesse cargo desde aqueles primórdios, quando eles tomaram o partido) e o governador Ney Braga fora eleito por esse Partido. Então, o Dr. Cortez disse que poderíamos fazer um projeto amplo porque havia possibilidades objetivas para que ele transitasse favoravelmente no governo do Estado. Eu então perguntei:Mas isso não é uma loucura? Só existem duas assistentes sociais em Londrina, como nós vamos criar uma escola? O Dr. Cortez, então, explicou-me que a criação de uma escola de Serviço Social só teria sentido como resultado de um movimento maior - que seria um movimento no sentido do desenvolvimento macroregional do norte do Paraná – que incluía o norte velho, o norte novo e o norte novíssimo - este movimento traria não só mais profissionais, mas também a necessidade de novos profissionais e de criação de um centro de formação de profissionais que movimentassem isso, eram os assistentes sociais: cabia então uma escola de Serviço Social para formar pessoas para essa mobilização. Nós estávamos no momento do desenvolvimentismo: a minha tese de doutorado é sobre isso: Desenvolvimento de Comunidade como nível do sistema de desenvolvimento.
O Dr. Cortez foi, então, conversar com o governador Ney Braga que designou o Dr.Adail Spengler Passos, que era Secretário de Governo, para acompanhar o planejamento e a execução desse processo de desenvolvimento macro regional e, no bojo desse projeto iria precisar de profissionais.
Como eu morava em Londrina, a minha contribuição inicial para a realização desse projeto foi disponibilizar meu apartamento para hospedagem da equipe: Maria Inês Bernardes Pinto, Dr. José Pinheiro Cortez e a Maria Luísa Heder.
Então, nós começamos a nossa peregrinação pelo norte do Paraná: falávamos com os prefeitos, com as organizações, os sindicatos... fazíamos reuniões enormes, em cinemas. Juntávamos um monte de gente para fazer o diagnóstico macro regional, o diagnóstico desta região inteira, com o apoio do governo do Estado.
Nós estávamos mergulhados em um processo grande de mobilização, quando, em pleno entusiasmo, fomos surpreendidos pelo golpe militar de 1964. Então, o Dr. Cortez recebeu um telefonema do Ney Braga dizendo: Pare com tudo, porque agora não dá pra fazer mobilização de massa. E, aí, nós paramos, mas nesse processo nós já havíamos entrado com o pedido para a criação da escola de Serviço Social no MEC.
O primeiro governo militar proibiu a criação de alguns novos cursos, incluindo o de Serviço Social. Quando foi criada a UEL, eles descobriram o processo que autorizava a criação de uma faculdade de Serviço Social em Londrina, e isto tornou possível a abertura do curso. Foi o único curso de Serviço Social que pode ser aberto naquela época, isto porque já tinha um processo anterior aprovado. Não fomos nem nós que descobrimos, nem que dissemos que tinha, eles descobriram no MEC esse processo, e como era o processo para uma faculdade em Londrina, ela pode acontecer.
Aí tem outra história engraçada. Nesse meio tempo, eu morei 10 anos em Curitiba, e depois nós voltamos para São Paulo, e eu fui trabalhar na Secretaria da Assistência Social da Prefeitura de São Paulo. Um dia eu recebi um telefonema da Profª Odária: a primeira turma ia se formar e ela me convidou para vir para a formatura desta turma. Aí, eu me preparei para contar esta história que acabei de contar para vocês, e vim. Quando eu cheguei, o aeroporto estava cheio de gente e estavam também os dois canais de televisão, e eu pensei: Deve ter alguém importante chegando aí. Mas, quando vi, a pessoa que eles estavam esperando era eu. Foi nesse dia que eu fiquei sabendo da ligação da minha antiga história, com a história do curso de Serviço Social da UEL. Houve uma homenagem para mim contando essa história, contando aquele movimento que havíamos vivido. Eu pedi para a Odária: Tente localizar esse discurso que conta essa história, porque quem tinha mais detalhes era o Doutor Cortez e ele já morreu.
Ela tem essa história. Houve a preocupação de documentar essa história por uma das professoras daqui, mas foi uma professora que ficou doente e não completou a dissertação de mestrado. Ela recolheu muito material sobre isto, porque entrevistou o Cortez, a Maria Inês Bernardes... É por isso que eu me sinto um pouco daqui, da UEL. Eu sinto que faço, um pouco, parte dessa comunidade de vocês.
Era mais ou menos isso que eu estava pensando em contar, numa conversa descontraída - não pensei na formalidade, mas foi um prazer ter esta oportunidade. Eu também quero dizer que foi gostoso poder falar aqui. Quero dizer também que eu conto essa história, do início do Serviço Social, porque eu me sinto comprometida com as pioneiras. Elas se sentiram magoadas com a história que vinha sendo contada do Serviço Social, então, eu assumi o compromisso de levar também o meu olhar. Foi também por isso que criei o Núcleo de História do Serviço Social na PUC de São Paulo. O Dr. Cortez participou todo o tempo em que esse Núcleo funcionou. Desse Núcleo saiu a tese de doutorado da Lídia, a tese de doutorado do José Paulo Netto, da Maria Raquel Tolosa Jorge, entre tantas outras. Saíram várias teses de doutorado sobre a história do Serviço Social nas várias regiões de São Paulo, sob diversos ângulos...
Mas, ainda está faltando aquele momento em que se pega tudo o que foi produzido e se reconstrói a unidade da história da profissão. Eu vou deixar esse desafio para vocês. Obrigada



[1] Palestra proferida no evento “70 anos de Serviço Social no Brasil”, realizado em 24 de outubro de 2006 e promovido pelo Curso de Serviço Social da Universidade Estadual de Londrina – PR.
[2] A palestrante se refere à Profª Silvia Alapanian
[3] A palestrante se refere à Profª Lídia Maria Monteiro Rodrigues da Silva
[4] A palestrante se refere à Profª Odária Battini
[5] A palestrante se refere ao trabalho intitulado “Aproximação do Serviço Social à Tradição Marxista: Caminhos e Descaminhos”, Tese de Doutoramento em Serviço Social da Professora Doutora Lídia Maria Monteiro Rodrigues da Silva, PUC/SP, 1991.

Instituto Poltécnico Apresenta Nova Versão do Mambo

Debates sobre o Aborto Clandestino em Cabo Verde

Debate sobre aborto clandestino


05 Março 2011

A amplitude dos abortos provocados pelo uso do medicamento citotec levou o hospital de Santa Catarina a promover um debate sobre o assunto com algumas instituições, dentre elas o Ministério Público e o Instituto Cabo-verdiano da Criança e do Adolescente. O objectivo, conforme Paulo Soares, director do hospital, é sensibilizar a população, em especial as mulheres acerca de práticas perigosas para a saúde. Entre tais, está o uso do citotec com fins abortivos.
Nesse concelho do interior de Santiago, o assunto tomou proporções alarmantes quando o citotec conheceu uma venda exponencial no mercado informal, por causa da sua capacidade de provocar a expulsão do feto. Só que as consequências são nefastas para a saúde da mulher e quase sempre as usuárias acabam por ir parar às Urgências com fortes dores abdominais e sangramento abundante.




Nos últimos tempos, vários abortos com recurso ao citotec já foram denunciados pela direcção do Hospital de Santa Catarina à Judiciária e ao Ministério Público. A maioria dos casos ainda está na fase de instrução mas A Semana sabe que algumas das mulheres que abortaram dessa forma foram multadas. Só que as próprias vítimas começam a tentar safar-se do cerco que as autoridades estão a fechar em Santa Catarina, com receio de serem processadas. Assim, passaram a procurar o Hospital da Praia, quando as coisas correm mal, assim evitando serem denunciadas ao MP de Santa Catarina.



Mas, para médicos e enfermeiros, o que mais importa é salvaguardar a saúde das gestantes. E, em caso de necessidade, a lei permite às mulheres fazer o aborto nos hospitais até às doze semanas de gestação ou quando há riscos para a integridade da mãe. O aborto também é legalmente permitido em Cabo Verde quando há o risco da criança nascer com alguma deficiência grave.

in http://www.asemana.publ.cv/spip.php?article61986

terça-feira, março 01, 2011

Ministro Alemáo Apresenta Demissão Após Reconhecer Plagio de Tese Doutoral

Ministro, barão, rico y copião


"Siempre he estado listo para luchar, pero ahora he llegado al límite de mis fuerzas". Con estas palabras, el ministro de Defensa alemán, Karl Theodor zu Guttenberg, 39 años, ha dimitido hoy de su cargo, tras ser acusado de plagiar su tesis doctoral. Zu Guttenberg había recibido enormes presiones para que fuera fiel a su compromiso con los electores y a la seriedad y confianza que siempre dijo defender. Su abandono supone un duro golpe para el Ejecutivo de Angela Merkel.

La presión comenzó cuando el diario Süddeutsche Zeitung publicó pruebas de que había plagiado parte del trabajo de su tesis doctoral en Derecho. El ministro ha comparecidoesta mañana, visiblemente afectado, frente a las cámaras en la sede de Defensa y leyó una carta de renuncia. A diferencia de lo que acostumbra cuando habla en público, no despegó la mirada de sus papeles. Leyó con voz rota y, tras pronunciar la ultima palabra, se dirigió rápidamente a las escaleras.




La canciller reaccionó con sorpresa y dolor a la dimisión de su ministro estrella: "Lamento muchísimo su decisión, pero entiendo sus razones", declaró Merkel, quien no excluyó la posibilidad de volver a colaborar con Zu Guttenberg en el futuro. "Es un hombre con unas dotes políticas extraordinarias", afirmó Merkel. La canciller añadió que "ahora no es el momento de decisiones" sobre la sucesión al frente de la cartera de Defensa. Explicó que discutirá el asunto con sus socios de la Unión Socialcristiana de Baviera.



Zu Guttenberg era hasta hace dos semanas el político alemán más valorado, con un apoyo del 70%. Joven, mediático, exitoso y dedicado a la familia, tenía, según muchos, todas las cartas para construirse un camino cómodo hacia la cancillería. Su renuncia al título de doctor, poco después de ser acusado de plagio, sonó enseguida como una admisión de culpa y el principio del final de este capítulo de su carrera. Según denunciaron los medios alemanes, el ministro copió sin citar las fuentes el 20% de las 475 páginas de su tesis.



Zu Guttenberg admitió que sus errores estaban perjudicando el Ministerio: "La enorme atención de los medios gravita ahora solo alrededor de mi persona y mi tesis doctoral", dijo. "Los acontecimientos dramáticos en Afganistán y la muerte de los tres soldados alemanes han terminado en el trasfondo. (...) Es un error dramático". "Es el momento más doloroso de mi vida", concluyó el exministro.



Su renuncia supone otro golpe de imagen para la coalición de Gobierno, que acaba de recibir un significativo revés electoral en las elecciones locales de la ciudad de Hamburgo. La salida del ministro es también una nefasta carta de presentación para las próximas elecciones regionales: en Alta Sajonia están convocadas para el 20 de marzo y en Baden-Wuttenberg para el 27. En ambos casos la CDU se arriesga a perder el poder, según las encuestas.



No sirvió de nada el apoyo de la canciller al joven ministro socialcristiano de Baviera. Tampoco la solidaridad ofrecida por el diario sensacionalista Bild, el más leído del país, que se embarcó en una cruzada en defensa de Zu Guttenberg. De nada valió tampoco el editorial impreso en la portada del último numero del semanal liberal Die Zeit, firmado por el director de esta reputada publicación, Giovanni di Lorenzo, que decía: "El ministro ya no es doctor, y esto es suficiente. Ahora tiene que mantener su cargo y demostrar desde ahí lo que vale".


http://www.elpais.com/articulo/internacional/Dimite/ministro/Defensa/aleman/plagiar/tesis/doctoral/elpepuint/20110301elpepuint_6/Tes

Manifestação de Assistentes Sociais por incumprimento de Lei BRASIL


Os Assistentes Sociais do INSS no Piauí vão suspender suas atividades hoje, terça-feira. Uma manifestação contra o descumprimento de Lei de redução de jornada de trabalho em todo o país terá início às 10h. A categoria aderiu a uma convocação em nível nacional e estarão concentrados em frente à agência central do INSS no cruzamento das avenidas Areolino de Abreu com Rui Barbosa pela manhã. No período da tarde farão visitas às demais agências do INSS na capital.

Em 27 de agosto de 2010 foi publicada a Lei nº 12.317, que determina uma jornada de trabalho de 30 horas semanais para assistentes sociais, sem qualquer redução salarial. O motivo da manifestação é o descumprimento da Lei pelo INSS, que tem ignorado a legislação trabalhista em vigor, uma conquista destes profissionais e resultado da luta da categoria através do esforço conjunto do Conselho Federal de Serviço Social (CFESS) e dos Conselhos Regionais de Serviço Social (CRESS).

O INSS optou pelo descumprimento de uma Lei que já é cumprida por diversas entidades em todo o Brasil desde a data da sua publicação. Os gestores da instituição impõem uma redução salarial de 33% àqueles profissionais que trabalharem 30 horas semanais ao invés de pelo menos 40 horas. O INSS alega seguir uma Orientação Normativa do Ministério do Planejamento que determina o corte.

Aurenice Frazão é assistente social do INSS e conta que a paralisação é uma forma de chamar a atenção da diretoria da entidade para aquilo que é um direito da categoria, garantido por Lei e que deve ser cumprido em sua plenitude. “Estamos sujeitos nos vários espaços ocupacionais, a um trabalho com altos índices de estresse, fadiga mental, desgaste físico e psicológico. Isso porque lidamos, diariamente, com o sofrimento, a dor e a tristeza num contexto de vulnerabilidade econômica e péssimas condições de vida de milhares de pessoas. Essa redução na carga horária de trabalho é um direito consolidado e as entidades públicas e privadas precisam acatá-la”, defende Aurenice.

A manifestação dos profissionais de Serviço Social do INSS conta com o apoio da entidade defensora da classe, o CRESS/PI, e também do Conselho Federal de Serviço Social, o CFESS. Além destes, recebe apoio da Representante Técnica do Serviço Social do Piauí, Solange Ferreira e do SINSTSPREVS, representado por Inácio Schuck. Elvira Lustosa, presidente do CRESS/PI, conta que a luta dos assistentes sociais do INSS é também de toda a categoria. "Essa é uma conquista garantida em Lei pela categoria, e o CRESS/PI tem lutado para efetivar este direito dos profissionais de Serviço Social. Então incorporamos esse movimento dos servidores do INSS com uma luta de toda a categoria”, declara Elvira Lustosa.

http://www.tribunadosol.com.br/coluna.asp?id=71552

segunda-feira, fevereiro 28, 2011

sábado, fevereiro 26, 2011

sexta-feira, fevereiro 25, 2011

A Memória O Instituto Superior de Serviço Social de Lisboa



Palácio do Mitelo
Super Administrador
2011/01/02 15:01

Data
Século XVII
Do Palácio Mitelo, sabe-se que era habituado no século XVII por D. Guiomar Nunes Correia, e que em 1672, era propriedade de Manuel Francisco Mendes, que realiza importantes obras de alteração, quer na construção, quer nos jardins.
Em 1737, a casa muda de família, e é vendida ao Desembargador Alexandre Metelo de Sousa e Meneses. Por corruptela, o apelido Metelo, dá lugar ao Mitelo, pelo qual é conhecido o Palácio e o largo fronteiro.
Não sofreu muito com o terramoto, sabendo-se que, nessa altura, pertencia a Laureano Gonçalves da Câmara Coutinho. O Palácio foi vendido várias vezes, e foi aqui que faleceu em 1865, o Conde de Vimioso.

Palácio seiscentista, no qual se destacam os azulejos pintados à mão que se encontram na portaria, escadaria, salas e corredores. O pátio de entrada é tido por um dos mais antigos da capital.

Cronologia

Em 1672, Manuel Francisco Mendes fez importantes obras. Em 1737, foi vendido ao desembargador Alexandre Metelo de Sousa e Meneses, cujo apelido dá lugar a Mitelo. Em 1755, pertencia a Laureano Gonçalves da Câmara Coutinho. Em 1865, faleceu aqui o Conde de Vimioso. Em 1884 passou a ser habitado pela Marquesa de Pomares. De 1941 a 2005 foi cedido ao Instituto de Serviço Social.

Historial

Inscreve-se no núcleo primitivo de construção seiscentista do Campo do Curral, o qual passou no século XVIII a Campo de Sant’Ana, depois Campo de Santana. As fachadas não foram tocadas pelas obras de restauração. A principal a norte, compõe-se de três corpos separados por pilastras encimadas por acrotérios. Em 194, foi cedido ao Instituto de Serviço Social, para o primeiro curso em Portugal, destinado a formar assistentes sociais. Na entrada pelo antigo nº. 2 do Largo do Mitelo, hoje transformada em janela, esteve instalada a Botica da Peça, onde Fialho de Almeida foi praticante de farmácia, oficialmente desde 4.11.1871 a 29.10.1880, sendo proprietário o farmacêutico José Bento Coelho de Jesus, figura ilustre da Farmácia Portuguesa. O Instituto de Serviço Social nasceu em 1935 e foi a primeira escola do género em Portugal. A iniciativa partiu do Patriarcado de Lisboa, designando-o como estabelecimento particular de ensino feminino, tendo como suporte jurídico a Associação de Serviço Social. Tinha como finalidade “promover o estudo e vulgarização do Serviço Social à luz da doutrina católica e da caridade cristã”. A formação ministrada foi reconhecida pelo Decreto-Lei nº 30.135 de 14.12.1939, em cujo preâmbulo ressaltava o quadro ideológico político da formação das “assistentes de serviço social” e de um perfil ligado ao Estado Novo. Da fundação até 1944, foi dirigido pela Assistente Social francesa, Marie Thérèse Lévêque, daí a influência do modelo de formação francês. A filosofia de ensino foi sujeita a várias alterações, com planos de estudo que tentaram acompanhar o processo internacional. Reestruturado para 4 anos em 1956, em 1961, passou a curso superior. A par disso, em 1969, a instituição tomou o nome de Instituto Superior de Serviço Social. Em 1985, alicerçadas no Dec.-Lei nº 100B/85, criaram-se as bases legais para que os estabelecimentos do Ensino Particular e Cooperativo atribuíssem graus académicos.. Assim, em 1985/86 e na perspectiva do reconhecimento do grau de licenciatura, o curso adoptou um novo plano de estudos de 5 anos. Em 1987 e ao abrigo de um Protocolo com a Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, iniciou-se o 1º. Mestrado em Serviço Social, no país. O reconhecimento do grau de licenciatura deu-se através da Portaria nº. 793/89 de 8 de Setembro. Foi ainda a 1ª. Escola a criar mestrado e doutoramento. A sua luta - com a intervenção de docentes, alunos, profissionais e trabalhadores - é um exemplo de como a reivindicação estratégica bem fundamentada consegue alcançar o que é justo. Hoje, o Serviço Social português tem na sua memória a marca do “locus” onde tudo aconteceu: o Palácio do Mitelo. Mas, o ISSS já não “mora” no palácio do Mitelo, onde se formaram milhares de assistentes sociais, pois, a partir de 2005, foi integrado na Universidade Lusíada.

Palácio seiscentista, no qual se destacam os azulejos pintados à mão que se encontram na portaria, escadaria, salas e corredores. O pátio de entrada é tido por um dos mais antigos da capital.



Cronologia

Em 1672, Manuel Francisco Mendes fez importantes obras. Em 1737, foi vendido ao desembargador Alexandre Metelo de Sousa e Meneses, cujo apelido dá lugar a Mitelo. Em 1755, pertencia a Laureano Gonçalves da Câmara Coutinho. Em 1865, faleceu aqui o Conde de Vimioso. Em 1884 passou a ser habitado pela Marquesa de Pomares. De 1941 a 2005 foi cedido ao Instituto de Serviço Social.

Historial

Inscreve-se no núcleo primitivo de construção seiscentista do Campo do Curral, o qual passou no século XVIII a Campo de Sant’Ana, depois Campo de Santana.
As fachadas não foram tocadas pelas obras de restauração. A principal a norte, compõe-se de três corpos separados por pilastras encimadas por acrotérios. Em 194, foi cedido ao Instituto de Serviço Social, para o primeiro curso em Portugal, destinado a formar assistentes sociais. Na entrada pelo antigo nº. 2 do Largo do Mitelo, hoje transformada em janela, esteve instalada a Botica da Peça, onde Fialho de Almeida foi praticante de farmácia, oficialmente desde 4.11.1871 a 29.10.1880, sendo proprietário o farmacêutico José Bento Coelho de Jesus, figura ilustre da Farmácia Portuguesa. O Instituto de Serviço Social nasceu em 1935 e foi a primeira escola do género em Portugal. A iniciativa partiu do Patriarcado de Lisboa, designando-o como estabelecimento particular de ensino feminino, tendo como suporte jurídico a Associação de Serviço Social. Tinha como finalidade “promover o estudo e vulgarização do Serviço Social à luz da doutrina católica e da caridade cristã”. A formação ministrada foi reconhecida pelo Decreto-Lei nº 30.135 de 14.12.1939, em cujo preâmbulo ressaltava o quadro ideológico político da formação das “assistentes de serviço social” e de um perfil ligado ao Estado Novo. Da fundação até 1944, foi dirigido pela Assistente Social francesa, Marie Thérèse Lévêque, daí a influência do modelo de formação francês. A filosofia de ensino foi sujeita a várias alterações, com planos de estudo que tentaram acompanhar o processo internacional. Reestruturado para 4 anos em 1956, em 1961, passou a curso superior. A par disso, em 1969, a instituição tomou o nome de Instituto Superior de Serviço Social. Em 1985, alicerçadas no Dec.-Lei nº 100B/85, criaram-se as bases legais para que os estabelecimentos do Ensino Particular e Cooperativo atribuíssem graus académicos.. Assim, em 1985/86 e na perspectiva do reconhecimento do grau de licenciatura, o curso adoptou um novo plano de estudos de 5 anos. Em 1987 e ao abrigo de um Protocolo com a Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, iniciou-se o 1º. Mestrado em Serviço Social, no país. O reconhecimento do grau de licenciatura deu-se através da Portaria nº. 793/89 de 8 de Setembro. Foi ainda a 1ª. Escola a criar mestrado e doutoramento. A sua luta - com a intervenção de docentes, alunos, profissionais e trabalhadores - é um exemplo de como a reivindicação estratégica bem fundamentada consegue alcançar o que é justo. Hoje, o Serviço Social português tem na sua memória a marca do “locus” onde tudo aconteceu: o Palácio do Mitelo. Mas, o ISSS já não “mora” no palácio do Mitelo, onde se formaram milhares de assistentes sociais, pois, a partir de 2005, foi integrado na Universidade
in

quinta-feira, fevereiro 24, 2011

segunda-feira, fevereiro 14, 2011

sexta-feira, fevereiro 11, 2011

A Nova Ética Sexual e o Caso de François Houtart Benjamin Forcano


Un “pecado” para el que no hay piedad ni perdon"

En nuestra sociedad no es raro constatar momentos
en que prevalecen estados de opinión generalizada
condicionados negativamente por el ambiente,
la cultura o los “medios”, pudiendo generar
actitudes y comportamientos exacerbados e injustos
que afecten a ciudadanos concretos,
con lo que se suele caer en el mal detestable del
puritanismo y que a la vez resta crédito a la crítica.


Quizás sea un Caín, pero es humano,
Y, por él, Dios, celoso, nos pregunta:
-Abel, Abel, ¿qué has hecho de tu hermano?
(Pedro Casaldáliga)



Una noticia sorpresiva
La noticia trascendió veloz. Francois Houtart, a sus 85 años, después de 40 años de haber ocurrido, es denunciado por cometer un abuso sexual con un niño de ocho años. La denuncia la hace una prima suya, hermana del niño, precisamente cuando se estaba impulsando la campaña para postular para el sacerdote el Premio Nobel para la Paz. En octubre de 2010, la hermana pasó la información a la oficina CETRI (fundada por el mismo Houtart en la década de los setenta). Houtart renunció inmediatamente a la candidatura y fue paralizada por la comisión organizativa.
En el arco de tiempo de más de 60 años, Houtart ha tejido una vida meritoria, de esfuerzo y dedicación, a favor de los más pobres y de los pueblos más explotados y esclavizados por la lógica colonizadora e imperialista. Destacado analista, sociólogo y teólogo ha denunciado los intereses, tramas y procedimientos de una dominación, que ha reportado a miles y aun millones de seres humanos carencias, sufrimientos, humillaciones y marginaciones intolerables.

Esa entrega le ha valido sobresalir como una bandera , en torno a la cual, muchos se han unido, acogiendo y promoviendo sus causas y combatiendo a su lado el feroz dominio del Primer sobre el Tercer Mundo. Sin duda, su trabajo desinteresado ha hecho una siembra que ha fructificado en luz, entrega y compromiso de innumerables ciudadanos. Gracias a Houtart, a su esforzada entrega de tantos años, la vida de muchas personas y pueblos ha mejorado y ha evolucionado hacia niveles superiores de conciencia, de solidaridad, de liberación y de bienestar. Resulta natural, por tanto, que servida la noticia, la exclamación espontánea haya sido: ¡Qué lastima! ¡Qué pena!
Esta primera impresión no debe borrar el otro aspecto básico de la relación: el daño infligido a la víctima. Como me comentaba un profesor amigo: “Así como el desliz de Houtart no afecta a todo lo bueno que él hizo, también hay que tener en cuenta que todo lo bueno que él hizo no moraliza el delito cometido.

Encuadre y significado del hecho
Ciertamente, es una pena.
Pero quisiera enmarcar el significado de esta pena. Porque la pena, en este caso, parece referirse a él, como si una fuerza ciega lo hubiera fulminado. Es decir, el incidente del abuso sexual – real, pero esporádico, efecto de una imprudencia e irresponsabilidad según ha confesado él mismo, resuelto entonces con acuerdo de Houtart con los padres del niño y silenciado por 40 años- irrumpe ahora como un rayo que mata al autor: social, política y éticamente. La acción del abuso sexual se impondría como monstruosidad absoluta, que borraría la estela luminosa de su vida en beneficio de sus semejantes. “¡Qué lástima!”, parecería deplorar esta injusticia , pero la cargaría como inexorable destino.
Son dos, por tanto, los aspectos que conviene evidenciar: por una parte, la severísima condenación que, por lo general, hacen los eclesiásticos sobre las transgresiones sexuales y, por otra, la paradójica tolerancia y ocultamiento que han ejercido sobre los abusos sexuales con menores.
El ocultamiento de esos abusos, mantenido por siglos, ha perjudicado a la víctima, ha protegido al transgresor y al lograr publicidad en nuestros días se ha hecho detestable e intolerable, obligando a los responsables a comparecer por vez primera ante la jurisdicción civil y sin que les valga la mera solución del pecado ante el confesor. La justicia civil exige reparar daños y aplicar sanciones al transgresor.

Prevenirse contra un puritanismo cruel
Es justo y plausible lo que la sociedad demanda ante los abusos de este tipo: nadie, sea quien sea, queda exento del tribunal de la Justicia.
Al demolerse la cobertura cómplice de la clandestinidad mantenida por el sistema, puede ocurrir que el transgresor sea ahora escarnecido y maltratado más allá de los límites de la justicia. Me temo que es esto lo que pueda ocurrirle a Houtart, marcado con el irremisible sello de la exclusión y sin que puedan redimirle sus muchos y enormes méritos acumulados.
Desgraciadamente, la hegemonía y prepotencia del poder eclesiástico y la primacía ético-jurídica ejercida en los países de Occidente, le han permitido elaborar un sistema propio de leyes y procedimientos que lo sustraían a la jurisdicción civil y le conferían autonomía en su aplicación. Hoy, en una sociedad democrática, todos somos regidos por un mismo Derecho y sin que ningún credo religioso pueda servir de escape o exención para el cumplimiento de lo que son derechos y deberes cívicos universales.
Desde esta perspectiva, no resulta difícil entender que si, antes, al transgresor, le amparaba y defendía el sistema, ahora, tras minarlo en su capacidad de autonomía y responsabilidad individuales, lo deja solito e indefenso y, encima, le aplicará el rigor que ha ejercido sobre las otras transgresiones sexuales. Se le aplicará con toda probabilidad una desproporcionada justicia; desproporcionada por la absolutización del abuso y por contraposición a otros “pecados” sociales mucho más graves y en los que la complicidad, la indulgencia, el perdón o la amnistía actúan con una medida distinta.

El trasfondo cultural
de esta extrema severidad de la moral sexual
Y es aquí a donde quería llegar con estas mis reflexiones: descubrir la injusticia de un sistema que, por una parte, minusvalora, oculta y absuelve abusos sexuales que dañan profundamente al prójimo y, por otra, ensalza el puritanismo más cruel al sobrevalorar la gravedad de los pecados sexuales y perseguirlos con inusual rigor.
Está claro que en medio de todo, anda como sujeto de lo bueno y lo malo, la condición humana, débil y transgresora, y también la cultura que la condiciona y reviste de peculiar pecaminosidad en cada momento y situación de la historia.
La contradicción a que me refiero viene de siglos. Bastaría señalar como síntoma de esta contradicción el que en relación a ningún otro pecado se encuentra en la literatura eclesiástica la denominación de pecado nefando (innombrable) como se aplica al hecho del “pecado” homosexual. Tan es así que los padres, de tener que elegir, optarían porque su hijo fuera delincuente antes que homosexual. Y la masturbación se la consideraba como más grave que la fornicación, por ser aquella “contra naturam” y ésta “secundum naturam”.
Pienso que esta calificación ética, aplicada al campo sexual, puede entenderse si analizamos la marcha de los cambios culturales en los últimos siglos. Poco a poco la ignorancia, el miedo, y la represión han ido supliéndose por el conocimiento, el amor y la liberación. Y es que, en la cultural occidental, -y no sólo en ella- el sustrato de nuestra cultura lleva incorporados elementos remotos de dualismo atroz entre la materia y el espíritu, teniendo a la primera como innoble y degradante y al segundo como noble y enaltecedor.
La perfección humana, vista desde la óptica humana y también cristiana, estaba en proporción al grado de adhesión al espíritu y de desapego al cuerpo. Nada había tan opuesto a Dios y que nos alejara tanto de El como el ejercicio de la sexualidad. El camino perfecto era la abstinencia, el celibato, la castidad. De donde surgían dos caminos desiguales: el celibato como camino de primer orden y el matrimonio como camino de segundo orden. La castidad, virtud angelical, era la virtud reina y la caridad, virtud central y primera, la virtud súbdita.

Durante siglos se mantuvo como norma la de que, en materia sexual, todo pecado era grave, no había parvedad de materia. En cualquier tipo de pecado podía haber un más o un menos; aquí no, todo era grave. Se podía ser un poco rencoroso, un poco envidioso, un poco orgulloso, ¿un poco lujurioso?, no. Y, así, los pecados sexuales fueron acaparando la totalidad de la moral , siendo los únicos que acababan por ser llevados al confesionario y allí recibir severas amonestaciones y obsesivos controles.

Pasos para superar la cultura recibida

1.La reducción de la ética al ámbito sexual.
La reducción de la ética a la ética sexual, fue una operación intelectualmente mediocre y de efectos psicológicamente devastadores. La cristiandad andaba al acecho de las faltas y transgresiones sexuales, consumiendo en autoexámenes neuróticos energías personales y, a su vez, adormecida y alejada de la conciencia de otras transgresiones que afectaban a la raíz y centro de la existencia: amor, igualdad, justicia, solidaridad, sinceridad, ternura, misericordia, etc.
No aparece que este rigorismo tenga base en el Evangelio , ni en el sentido profundo de la ética humana. Pero, se ha impuesto de hecho, determinando en las conciencias y en la sociedad mecanismos de extrema crueldad y normas de desmesurada y ridícula represión sexual.
Pueden darse diversas explicaciones a este rigorismo. Y no resulta irrelevante la razón de quienes pretenden atribuirlo a un secreto poder coercitivo, que provendría de quienes, guardianes de lo sagrado, consideran el mundo de la sexualidad como el más opuesto a la Divinidad y el que representa la mayor degradación de la persona. La raíz de la represión cobraría legitimación en la convicción de estar luchando por la “dignidad” humana, que demandaría repudiar el ejercicio mismo de la sexualidad. ¿La fuente de tal severidad sería la enseñanza y práctica de Jesús o la voluntad vindicativa de cuantos, frustrados, y luego entregados a servir más y mejor a Dios, consideran la sexualidad como camino indigno e incompatible para unirse a él?

Explica también el hecho, saber que nunca a la sexualidad se le ha reconocido el intrínseco valor del placer, justificándolo únicamente como subordinado al proceso y fin de la procreación: “Tota enim quanta est (la relación sexual) propter generationem”, recogía el manual del moralista Arregui, libro de cabecera de los confesores.
El placer sexual, en sí mismo, no era ético, era indigno y reprobable, pecado . La “animalidad” de la relación sexual eclipsaba la grandeza de una relación personal e interpersonal unitaria, donde el amor era vivido y experimentado a través de las redes y poros del cuerpo, sin necesidad de tener que ser justificado por su conexión y dependencia de la procreación.
Otra razón de esta especial severidad la ven otros en que la intensidad del placer sexual amenazaría con identificarse con la felicidad misma. En lugar de considerarlo un elemento parcial de esa felicidad se lo constituiría en razón y centro absoluto de la misma, lo cual atentaría contra el mensaje mismo del Evangelio que coloca la felicidad en el seguimiento de Jesús, con la última y eterna posesión de la felicidad de Dios.
La solución dada no parece haber sido atinada, pues para evitar el posible riesgo de una posible absolutización del placer, se ha optado por demonizar la realidad misma del placer, elemento constitutivo e integrativo de la sexualdiad. Y para no caer en el riesgo, se preconiza como óptimo y encomiable el camino de la abstinencia y castidad completas. A más castidad, menos sexualidad; y a menos sexualidad, más virtud y perfección de la persona.

2. Revisión y cambio de modelo cultural
Revisar este trasfondo cultural es condición necesaria para rectificar una visión desajustada, que se traduce hacia dentro en obsesión y culpabilidad y hacia fuera en rigor y represión. Lo que va contra la naturaleza, desnaturaliza. Y la naturaleza humana es racional y libre, psicomáticamente unitaria, para relacionarse con conocimiento, amor y respeto con cualquier semejante y también en la relación específica masculino-femenina.
Esta unidad racional y responsable de la persona se puede perder y degradar ciertamente por el egoísmo en la manipulación sexual del otro, pero no menos por otras manipulaciones que puedan infligirle daño, humillación, sometimiento, tortura, desprecio, anulación del yo. La erótica del placer, absolutizada, buscada como panacea de la felicidad es un error y un espejismo, pero dicha erótica puede reprimirse y disfrazarse bajo la erótica del poder, el cual suele actuar con dosis incalculables de orgullo, prepotencia y desprecio a quienes lo critican y tratan de ponerle límites razonables.

3. Justicia y magnanimidad ética
La convivencia humana necesita una regulación basada en el Derecho, que trata de aplicar la razón y la justicia cuando el conflicto estalla entre ciudadanos. El respeto al otro, si no se ha cumplido, debe ser urgido por la autoridad y normas competentes. De otra manera, la parcialidad y arbitrariedad subjetivas harían imposible la convivencia. Hay una dignidad de todos, unos derechos y obligaciones universales, y unas mediaciones jurídicas que tratan de asegurar en el ámbito externo, lo más posible esa dignidad.
Si la sociedad pide que un asesino como José Ignacio Juana de Chaos, -que mató a 25 personas y que confiesa estar dispuesto a volver a matar-, siga en la cárcel es porque nuestro derecho a vivir está amenazado por él y no se hace acreedor al derecho de vivir en libertad. Eso no obsta a que yo piense que él puede cambiar, puede reconocer sus errores, puede regenerarse y ser readmitido a una convivencia positiva. Esta actitud supone una “fe” en el ser humano, en su bondad, en propiciarle condiciones que lo pueden humanizar y, al mismo tiempo, acredita la magnanimidad con que estamos hechos y que nos dispone a proceder, superando las reacciones instintivas contra los fallos humanos. ¿Quién puede autoproclamarse mejor que otro y erigirse en juez sin disponer de la interioridad, circunstancias y tramas de la vida del otro? ¿Podemos estar seguros de que, en las mismas circunstancias, no haríamos nosotros lo mismo? ¿Podría valer para esto lo dicho por San Juan de la Cruz: “Donde no hay amor, pon amor y sacarás amor?

En ese sentido, la ley no puede asegurar que los sujetos en cuestión, acompañen interiormente el cumplimiento de lo exigido por la dignidad y derechos del otro. En ese terreno son la ética y pedagogía quienes tienen que sembrar reflexiones que hagan nacer actitudes libres y consecuentes de comprensión, de respeto y, si preciso, de enmienda y rectificación. Las personas pueden cambiar, son sujetos que aprenden y han podido ser influenciadas por ideas o comportamientos que deshumanizan a sí mismo y en su relación con los demás. ¿Es descabellado o razonable pensar que no habría transgresión alguna, por muy perversa y cruel que fuera, que no pudiese ser corregida, transformada, devolviendo de nuevo salud y sanidad ética al sujeto que la ha cometido? ¿Y que, desde esa sanación que le permite renacer a lo humano, pueda reintegrarse a la convivencia y ser restaurado y potenciado con su valer en su relación con los demás?

4. Perdonar setenta veces siete
A este respecto, conviene señalar que los cristianos se confrontan con una valoración específica ante quien peca o conculca la ley. Es la postura de Jesús: al enemigo incluso hay que perdonarle, y al que te ofende hay que perdonarle setenta veces siete, es decir, siempre.
El perdón no depende de que el otro admita su pecado y se arrepienta, aunque es imprescindible de cara a su rehabilitación para la convivencia, sino de saber que su bondad está por encima de la maldad, de que nunca esa disponibilidad para el bien se puede dar por perdida, de que es muy probable que su pecado sea producto más de unas circunstancias adversas que de su propia libertad, de que, en definitiva, nuestro comportamiento adopta el comportamiento de Dios, único en llegar al fondo de las cosas y saber que allí permanece la bondad secreta de su criatura humana, que merece confianza y perdón. La maldad más bien la creamos nosotros, -con nuestros deformados hábitos y justificaciones, con nuestras estructuras deficientes o perniciosas - más que provenir de la íntima realidad del ser humano.

5.Dolor y justicia dentro de la condición y totalidad de cada persona
La conclusión no puede ser más obvia e interpelante: la noticia del abuso sexual, en el caso comentado, merece nuestro dolor y reprobación; pero sin perder de vista la condición y totalidad del ser humano que lo realiza. El amor a nuestra propia dignidad exige la vigilancia y reprobación cuando ésta se desmanda, pero los desmanes son diferentes en magnitud y calidad. La verdad humana reclama hacer justicia, lamentar lo que se daña y determinar los pasos para repararlo, no confundir lo que es un mal eventual con otro sistemático, no reducir la total valía de una persona a un acto y no olvidar nunca la medida de lo sensato y razonable.
Lo expuesto sobre la severidad y puritanismo acerca de los pecados sexuales, apunta en primer lugar a exorcizar toda una cultura netamente antisexual y represiva, provista de falsos presupuestos y planteamientos y, en segundo lugar, a abrir el corazón a actitudes y reacciones menos virulentas e instintivas y a una educación que comience por comprender más la complejidad y diversidad de las circunstancias de cada vida humana y nos haga confiar más en todos.
El puritanismo sexual –tanto individual como colectivo- con su autojustificada reacción de acciones vindicativas y represivas, puede ser muy bien un termómetro de la propia e interior frustración, del miedo y represiones personales acumuladas. Nadie da lo que no tiene: el reprimido da represión; el libre libertad; el muy reprimido da mucha represión y el muy libre da mucha libertad.

6. A Jesús lo mataron los guardianes del poder y de los códigos ético-religiosos.
Es curioso, y da que pensar, que Jesús de Nazaret fustigase por encima de cualquier otro pecado el orgullo y la avaricia, la dureza de corazón y la hipocresía, la violencia y humillación de los más pobres ejercidas en nombre de Dios y de la religión, el desprecio de los mas humildes y desfavorecidos, en definitiva la ausencia del amor, la compasión y la ternura.

No le mataron ciertamente los humildes y pequeños, los más insignificantes de la sociedad, sino los dirigentes y sabios, los dueños del poder civil y religioso. Sabía El muy bien que en esa esfera, es donde fermentan los pecados más graves, los que se sobreponen a toda consideración, los que son colados como si nada y se los pretende incluso convertir en virtud con apelación a Dios y a la religión o, en versíón más secular, como requisito para lograr la democracia, los derechos humanos, la seguridad de todos.
El poder, con su multiforme faz opresiva, actúa en la sociedad, en las estructuras y en las conciencias y acaba por distorsionar demasiadas veces el curso de la existencia individual, de la pareja, de la familia, de la ciudad y de la política, con efectos muy negativos en el desarrollo del ámbito familiar, laboral, social y político.

Benjamín Forcano