domingo, fevereiro 28, 2010

Serviço Social Seminário Em Coimbra (Portugal) Sessão de Abertura



SEMINÁRIO
Produção do conhecimento para a intervenção profissional. Contributos do Mestrado em Serviço Social do ISMT
– 25 e 26 Fevereiro de 2010

Em nome dos professores do mestrado em Serviço Social e das comissões organizadoras do Seminário e da Mostra quero cumprimentar o Senhor Governador Civil do Distrito de Coimbra, a Senhora. Vereadora da Cultura da Câmara Municipal de Coimbra, a presidente da Delegação Regional do Centro da Associação de Profissionais de Serviço Socia e o Mestre Vasco Almeida em representação do Conselho Directivo do ISMT.
Quero dar as boas vindas a todos os presentes, professores e investigadores, mestres em Serviço Social, alunos do mestrado e da licenciatura, colegas Assistentes Sociais e convidados.
Começo por agradecer aos professores, investigadores e colaboradores, aos mestres e alunos das sete edições do mestrado em Serviço Social neste Instituto que ajudaram a construí-lo e a consolidá-lo.
As palavras que recebemos, a propósito deste Seminário, da Coordenação do Programa de de Estudos Pós Graduados em Serviço Social da PUC-SP, a Profª Doutora Carmelita Yasbeck, uma das professoras do 1º curso do mestrado no ISMTem 2001, constituem um reconhecimento institucional do empenho dos docentes deste Instituto em prol da qualidade da formação em Serviço Social no nosso país.
Passo a ler a mensagem:
“Caríssima Alcina,
lamento muito não poder estar em um momento tão significativo para o Serviço Social do ISMT (Instituto Superior Miguel Torga). Aproveito o ensejo para desejar muito sucesso neste evento que, sem dúvida expressa os esforços e conquistas do Serviço Social português, do ISMT e especialmente seus e dos docentes do Mestrado do Instituto.
Como a experiência brasileira demonstra, com a produção de conhecimentos e com o reconhecimento acadêmico da profissão, particularmente no âmbito da investigação, o Serviço Social profissional pode, efetivamente contribuir para o enfrentamento da pobreza e da desigualdade social, grandes desafios do tempo presente. Assim, cada investigação dos docentes, cada dissertação de Mestrado é um contributo inestimável para a construção de uma sociedade melhor.
Querida professora, cumprimento-a com muito reconhecimento e coloco-me, como sempre, à sua disposição para colaborar com esse projeto que muito deve orgulhar o Serviço Social português.
Atenciosamente
Maria Carmelita Yazbek
Vice Coordenadora do Programa de Estudos Pós Graduados em Serviço Social da
Pontifícia Unversidade católica de São Paulo- Brasil. "

Aproveito esta sessão de abertura para relembrar o contexto e os desafios que motivaram a realização deste evento.
Por quê realizar uma iniciativa de natureza científica como esta, que envolve o esforço de largas dezenas de investigadores e, que, ao longo de nove anos de vigência deste curso de mestrado contou com a participação de milhares de assistentes sociais, investigadores, docentes e estudantes no âmbito das suas actividades, tantas delas abertas à comunidade académica e ao público em geral?
Na tentativa de resposta diremos:
1º No contexto da globalização e de crise do ensino superior, com precarização laboral e menosprezo generalizado das actividades docentes e de investigação, é com justiça que se coloca a valorização dos recursos humanos do ISMT e de todas as suas actividades de suporte: desde o esforço por produzir conhecimento, até ao trabalho às vezes invisível, de formiga, de “arrumar” fisicamente os livros na nossa biblioteca.
2º Num contexto de esvaziamento de conteúdos nos programas curriculares das licenciaturas e pós-graduações, o ISMT continua a sublinhar a necessidade de unificar um projecto académico sem se eximir de manter um debate aberto transparente nos seus espaços académicos e científicos. A multidisciplinaridade, como valor que acompanha a autonomia da disciplina de Serviço Social, suficientemente consolidada nas Ciências Sociais e Humanas. A construção do ISMT está suficientemente alicerçada na escola original: Escola Normal Social de Coimbra, fundada em 1937, sob a tutela da JBL, a actual Assembleia Distrital, constituindo-se em património das Ciências Sociais e Humanas em Portugal e na Europa. Por esta razão, reitero a filiação do ISMT à Associação Europeia de Escolas de Serviço Social.
3º No contexto das comemorações republicanas coincidente com as alterações significativas da cidadania da mulher, da criança e do idoso; as alterações à legislação em prol da igualdade, género e orientação sexual, a condição do doente psiquiátrico e as consequentes re-organizações institucionais e alterações ao Código do Trabalho.
4º As tragédias permanentes do foro da natureza levam a que as opções sobre as prioridades do planeta se desloquem do cimento para a protecção, prevenção e previsão dos riscos do planeta terra, como nave desgovernada.
5º A pobreza e as desigualdades no contexto do século XXI, o Ano Europeu de luta contra a pobreza e exclusão recolocam as reflexões sobre o objecto e os objectivos das profissões das Ciências Sociais e Humanas, em particular em Serviço Social e o projecto ético e político dos profissionais.
6º Este Seminário realiza-se ainda no contexto da produção do conhecimento resultante de cerca de meia centena de dissertações do mestrado em Serviço Social deste Instituto, procurando-se fazer a sua divulgação e debate.
Para tal convidámos um elenco de conferencistas que aceitaram o nosso convite e a quem queremos agradecer: a Senhora Secretária de Estado da Igualdade, Mestre Elza Pais que nos honra com a sua presença; o Prof. Doutor Fernando de Sousa, presidente do Centro de Estudos da População, Economia e Sociedade, que entretanto, não poderá proferir a sua conferência “No centenário da República” em virtude de se encontrar doente e a quem desejamos rápidas melhoras. O Prof Doutor Carlos Montaño, professor da UFRJ e coordenador nacional de Relações Internacionais da Associação Brasileira de Ensino e Pesquisa em Serviço Social (ABEPSS), uma referência do Serviço Social latino-americano, que se encontra a desenvolver o seu pós-doutoramento, tendo o ISMT como instituição de acolhimento. O nosso colega Prof Doutor Manuel Menezes que integra a equipa de professores do mestrado – 2º ciclo em Serviço Social, com reconhecidas obras publicadas nas áreas da comunicação e Serviço Social.
Os agradecimentos vão também para os professores que irão comentar as comunicações dos mestres em SS, antigos ou actuais professores e colaboradores deste mestrado: as Prof. Doutoras Fernanda Rodrigues, Marília Andrade, Sónia Guadalupe, Luísa Pimentel e o Prof. Doutor Carlos Montano.
Seguem-se os agradecimento aos 20 mestres em Serviço Social formados por este Instituto, que constituem a razão de ser deste Seminário, à mestranda Susana Pires com defesa da dissertação já marcada, que irá apresentar o trabalho de investigação desenvolvido pelo grupo de mestrandos do NEI “História e Serviço Social Contemporâneo” e à doutoranda em Serviço Social da Universidade Estadual do Rio de Janeiro, Luana Siqueira que se encontra connosco a desenvolver a sua investigação doutoral que irá intervir na sessão de conclusões e encerramento do Seminário.
Ao Conselho Directivo, Científico e à Escola Superior de Altos Estudos do ISMT por terem criado condições para viabilizar esta realização
Quanto à “Mostra de Investigação em Serviço Social” é outra forma de forma de dar a conhecer a produção científica dos professores, investigadores e colaboradores dos cursos de mestrado e as 41 dissertações em Serviço Social defendidas até Dezembro passado. Foi produzido o CD “Recortes dos Cursos de Mestrado em Serviço Social” que intregra: os planos curriculares, os professores por curso, de 2001 a 2010; lista das obras seleccionadas e as capas das dissertações de mestrado para a exposição e os cartazes dos eventos científicos e seminários realizados entre 2007 a 2010. Aos participantes do Seminário será oferecido este CD.
Na sua produção contámos com o patrocínio do Governo Civil de Coimbra e o apoio nas lembranças/ofertas aos intervenientes. Queremos agradecer também a presença nesta Sessão do Sr Governador Civil do Distrito de Coimbra, Dr Henrique Fernandes.
Para a realização destes eventos muito contribuiu o apoio da Casa Municipal da Cultura com a cedência de instalações, queremos na pessoa da Senhora vereadora da cultura, Prof. Doutora Maria José Azevedo Santos expressar esse reconhecimento.
Agradeço a presença da Presidente da Delegação Regional da APSS Mestre Emília Santos por quanto sempre temos contado com a prestimosa colaboração e os contributos na divulgação dos eventos realizados no âmbito do mestrado.
Por fim agradecer aos elementos da comissão científica e organizadora dos eventos, ao grafista Cesário Damas, ao secretariado da ESAE Dra Alexandra Damas, D. Fátima Monteiro, D. Elisabete Marques, d. Vanda Lopes, à secretária da direcção Dra Lina Salgueiro e à Dra Andrea e ao aluno de comunicação empresarial Pedro Romano que dão apoio nas sessões de trabalho.
Uma última palavra para sublinhar a importância deste ISMT no panorama nacional na contribuição para a qualidade da formação dos profissionais, licenciados e mestres em Serviço Social a caminho de um projecto de doutoramento em Serviço Social.
Alcina de Castro Martins

sexta-feira, fevereiro 26, 2010

Portugal Contemporâneo Base de Dados Dirigida Por António Barreto

PORDATA - Base de Dados do PORTUGAL CONTEMPORÂNEO
Os últimos 50 anos em números...
http://www.pordata.pt/
Responsável: António Barreto

in Insistente Social

http://insistente-social.blogspot.com/

Marat


Marat-Sade
3/ 4/ 1982 - Porto Alegre/RS
Teatro Renascença


Histórico
Espetáculo dirigido por Nestor Monasterio e Juan Carlos Sosa, é a primeira encenação gaúcha do texto de Peter Weiss. A montagem, um musical - gênero incomum ao público gaúcho -, reúne um elenco numeroso para os padrões do teatro feito em Porto Alegre no período.

O texto de Weiss, A Perseguição e o Assassinato de Jean-Paul Marat Conforme Foi Encenado pelos Enfermos do Hospício de Charenton sob a Direção do Marquês de Sade, filia-se à tradição da dramaturgia épica de Bertolt Brecht. A peça trabalha com o recurso do teatro dentro do teatro e tem como referência uma situação histórica. A ação ocorre no dia 13 de julho de 1808, data do 15º aniversário do assassinato de Jean-Paul Marat por Charlotte Corday. Na obra de Weiss, o Marquês de Sade, que efetivamente realizou encenações em Charenton, é o autor da peça representada dentro do hospício. O crítico Yan Michalski salienta que o texto traz "o violento choque de duas reações diametralmente opostas: um profundo envolvimento emocional (horror, piedade, etc.) que a visão da demência desperta em todos nós, e o distanciamento crítico que caracteriza a nossa atitude diante daquilo que os loucos dizem e fazem. Em outras palavras: o teatro de crueldade de Artaud e o teatro épico de Brecht, de mãos dadas - um namoro aparentemente implausível, mas tornado possível através do engenhoso truque de Weiss".¹

O elenco une o grupo Teatro Cidade de Porto Alegre, de Nestor Monasterio, com alunos de Juan Carlos Sosa, dos Cursos de Jornalismo e Publicidade e Propaganda da Universidade do Vale do Rio dos Sinos - Unisinos. Juan Carlos Sosa havia já realizado uma montagem de Marat-Sade em seu país de origem, o Uruguai, onde enfrentou problemas com a censura governamental. Radicado no Brasil, Sosa decide encenar Marat-Sade em colaboração com o argentino Nestor Monasterio, também exilado em Porto Alegre após o golpe militar em seu país. O aspecto político é o principal motivo para a montagem do texto de Weiss, visto que em 1982 o Brasil, como outros países da América Latina, ainda vive sob o regime militar.

Num período de escassez de público para os espetáculos em cartaz, o processo de ensaios passa a ser um foco de atenção e atrai, a cada reunião, de trinta a quarenta pessoas interessadas em assisti-los. Mesmo a definição do elenco é resultado do entusiasmo dos atores em participar da montagem. Nestor relembra que era comum chegar ao Círculo Social Israelita, onde ensaiavam, e se surpreender com um novo integrante no início do aquecimento: "E era tanta gente que aconteceu comigo, como éramos dois diretores, de repente chegar ao palco, estar aquecendo para começar e ver uma pessoa que eu não conhecia. ´O que é que o senhor está fazendo?' - ' É que o fulano não vai mais fazer e eu entrei e falei com o...' As pessoas entrando e saindo do espetáculo e eu nem conhecia. [...] Foi uma experiência única. Tinha aquela cena muito forte do final, a pantomima da copulação. Tinha vinte e cinco pessoas nuas e rolava uma coisa assim: se tu chegasses às onze horas da noite no Renascença, podias roubar o que quisesses dentro do Centro de Cultura, porque estava todo mundo lá dentro vendo aquela cena. Lotado de gente, todos os guardas, todo mundo assistindo! Era uma maravilha aquilo".²

A montagem de Marat-Sade provoca uma divisão na crítica teatral gaúcha. Cláudio Heemann considera o grupo imaturo para a empreitada de encenar o texto de Weiss. Já Antônio Hohfeldt escreve: "A respeito do espetáculo Marat-Sade que o Teatro Cidade de Porto Alegre vem apresentando no Teatro Renascença, com mais do que merecido sucesso, deve-se dizer, antes de tudo, que alcançou plenamente o que se propôs, ou seja, simultaneamente ser um espetáculo, no sentido de encher os olhos do espectador, e, ao mesmo tempo, manter a fidelidade ao texto. [...] E este foi o grande acerto de Marat-Sade: impressiona, desde o primeiro momento, a extrema competência com que a dupla de diretores foi capaz de movimentar o grupo, por sua vez símbolo da massa em cena".³

Com mudanças no elenco, a encenação cumpre diversas temporadas em Porto Alegre em 1982 e 1983. No último ano, o espetáculo apresenta-se no Uruguai, onde recebe o Prêmio Florencio de Melhor Espetáculo Estrangeiro dado pela Sección Uruguaya de la Asociación Internacional de Críticos Teatrales. Sosa remonta Marat-Sade em 1992, desta vez sem a parceria de Nestor.

Notas
1 MICHALSKI, Yan. Reflexões sobre o teatro brasileiro no século XX. Rio de Janeiro: FUNARTE, 2004, pp. 92-93.
2 ALABARSE, Luciano. Alguns diretores & muita conversa. Porto Alegre: SMC, 2000, p. 343.
3 HOHLFELDT, Antônio. Marat-Sade: trabalho de um grupo teatral que atinge o seu objetivo. Correio do Povo, Porto Alegre, p. 15, 15 abr. 1982.




Atualizado em 02/02/2009

quinta-feira, fevereiro 25, 2010

terça-feira, fevereiro 23, 2010

Mutilação Genital Feminina: o flagelo do século XXI






Mutilação Genital Feminina: o flagelo do século XXI







Mafalda Santos é Licenciada em Comunicação Social, pós graduada em Criminologia e colaboradora do CPIHTS






A mutilação genital feminina compreende todos os procedimentos cirúrgicos que impliquem a remoção total ou parcial dos genitais femininos externos ou quaisquer outros danos no órgão genial feminino por motivos culturais não terapêuticos (OMS).
Desde a clitoridectomia à infibulação este é um ritual de transição das meninas e mulheres para a adultícia e dá-se por volta dos 4 aos 15 anos.
Pratica-se em 28 países do continente africano mas os movimentos imigratórios fizeram com que este passasse a ser, também, um problema europeu.
As consequências para estas crianças e mulheres dividem-se entre físicas (imediatas, a médio e
longo prazos) e psicológicas (também estas a curto, médio e longo prazos).
De salientar que a curto prazo a morte é muitas vezes uma realidade mas também as hemorragias, o choque hipovolémico ou séptico (Countdown 2015 Europe – Campaigning for universal access to reproductive health) e a longo prazo o aparecimento de quistos, a infertilidade e as complicações durante a gravidez e o parto são frequentes (Countdown 2015 Europe – Campaigning for universal access to reproductive health).
Psicologicamente estas crianças e mulheres enfrentam problemas como a ansiedade, a depressão, disfunção sexual, dispareunia entre outras.
A Unicef (Unicef - FACTSHEET: FEMALE GENITAL MUTILATION/CUTTING) fala em razões que levam à perpetuação deste tipo de flagelo. Atenuar o desejo sexual da mulher ou manter a castidade e virgindade antes do casamento, e a fidelidade depois do mesmo, são motivos psicossexuais. Sociologicamente surge a importância do legado cultural e a integração e coesão sociais e, em termos de higiene e estética, a MGF mantém-se porque os órgãos genitais femininos são considerados sujos e inestéticos.
As razões religiosas, apesar de não fundamentadas por textos religiosos, levam a que muitas mulheres se sujeitem e sujeitem as suas filhas por crerem que a MGF é exigida pela religião que seguem.
A MGF pratica-se essencialmente entre populações islamizadas mas também entre judeus, cristãos e muçulmanos (Yasmina Gonçalves; Mutilação Genital Feminina – para a APF - 2004).
Quem continua a perpetrar tamanha atrocidade a estas mulheres e crianças? As chamadas matronas, fanatecas ou excisadoras. São mulheres que gozam dum elevado estatuto social e recorrem a facas, pedaços de vidro, lâminas de barbear ou outros instrumentos, muitas vezes não esterilizados, para o procedimento (Unicef-FACTSHEET: FEMALE GENITAL MUTILATION/CUTTING).
A medicalização desta prática começa a ser uma perigosa realidade na medida em que as matronas começam a ser substituídas por pessoal médico que garante procedimentos indolores (durante o acto, embora as consequências físicas se mantenham) e consegue garantir o uso de equipamento esterilizado contornando doenças como o HIV.
Há cerca de 500.000 mulheres a viver na Europa com as consequências da MGF e, apesar das leis vigentes, não consegue controlar a prevalência nem a incidência da prática. A falta de medidas transfronteiriças e de controle leva a pensar que este não é um problema europeu (Poldermans, Sophie ; Combating Female Genital Mutilation in Europe; 2005-2006).
As campanhas de sensibilização vão-se multiplicando e juntam-se a Organizações Não Governamentais bem como a outras mulheres como Waris Dirie ou Khady numa tentativa de divulgar esta problemática que já não se cinge ao território africano.
Estudos da OMS e outras Organizações revelam uma diminuição da prevalência da MGF em que mulheres começam a optar por não sujeitas as suas filhas às consequências vitalícias desta prática (Female genital mutilation/cutting: a statistical exploration. New York, NY: UNICEF; 2005).
Em França um médico humanitário desenvolveu uma técnica de reconstrução do clitoris dando a mulheres vítimas duma prática milenar uma melhoria significativa na sua vida.
A chamada cirurgia contra a excisão é a reconstrução anatómica e funcional do clítoris que implica um internamento de 24 horas e 10 dias de cicatrização mas apenas um mês e meio depois três em cada quatro mulheres apresentam um clítoris com um aspecto normal. A reparação nervosa e sensorial demora três a seis meses e 80% das vezes o resultado anatómico é satisfatório (O livro negro da condição das mulheres, organização de Christine Ockrent).
Para Khady a cirurgia de reparação não deve substituir a erradicação tal como é importante “Nunca parar de falar, nunca parar de explicar o porquê se deve parar esta prática”.

domingo, fevereiro 21, 2010

Tragedia em Portugal Universidade da Madeira Suspende Aulas

Universidade da Madeira suspende aulas
Por causa da tempestade mortal que ocorreu na Madeira, as escolas vão estar fechadas pelo menos nos próximos dois dias, bem como a a Universidade da Madeira. A informação foi avançada pelo reitor Castanheira da Costa, que anuncia a suspensão das aulas, pelo menos ao longo desta semana.

http://tv1.rtp.pt/noticias/index.php?t=Universidade-da-Madeira-suspende-aulas.rtp&headline=46&visual=9&article=321050&tm=8

quarta-feira, fevereiro 17, 2010

Serviço Social A Paixão da Maria Bethania

RESTAURANTE TRILHOS URBANOS E UMA SENHORA CHAMADA MARIA

No dia 6 de Fevereiro de 2010, voltei a Santo Amaro da Purificação na Bahia, na hora do almoço eu e Isabelle resolvemos almoçar no restaurante da cidade chamado Trilhos Urbanos, por ser um lugar com comida típica da Bahia, por ser um lugar que faz homenagem a cultura bahiana e por ser um lugar acolhedor e com comida caseira, onde a gente se senta para comer e pensa estar na nossa própria casa.
Quando entrei no restaurante, havia uma senhora almoçando e me perguntou se podia falar comigo, no que eu respondi que sim. Na minha cabeça veio uma imagem de alguém religioso que me quisesse catequizar, ou alguém que precisava de ajuda, não sei porque razão pensei isso. Mas prontamente me dirigi a senhora e ouvi o que ela me tinha a dizer.
Então ela falou: desculpe se a importuno, mas tenho te visto pela cidade, te vi na igreja, na novena e na procissão, você gosta de Maria Bethânia? Eu respondi: Amo!
E ela continuou: eu tenho um livro que algumas pessoas que admiram ela, fizeram e queria dar a uma pessoa especial, você se incomoda se eu lhe der? Eu disse: claro que não fico até muito feliz.
Ela disse que o livro estava em na sua casa, no que respondi que não era da cidade e estava indo embora no fim da tarde, ela disse se eu esperava ela ir buscar o livro em casa, eu disse que sim.
Ela terminou de almoçar e foi a casa pegar o livro.
Quando Iza entrou eu contei-lhe a conversa que estava a ter com a senhora, que nem sequer havia perguntado o nome, e Iza ficou comovida.
Minutos depois a senhora voltou com o livro na mão,
MARIA BETHÂNIA, A DONA DO DOM,

Eu então lhe disse que havia um texto meu no livro, e perguntei se ela também havia escrito algum texto no livro, no que ela respondeu que não.

Fiquei comovida com a cena, meus olhos encheram de lágrimas, quis registar a cena, mas, a máquina fotográfica de Iza ficou sem bateria, eu disse a ela que isso não era o mais importante, porque iria guarda-la no meu coração. Ela me abraçou e então perguntei-lhe o seu nome: e ela disse: me chamo Maria e vivo aqui perto, almoço aqui todos os dias, e foi embora me dizendo que já que eu tinha o livro, que não foi o acaso que fez ela me encontrar e que então eu desse o livro a alguém especial que eu encontrasse no meu caminho.
Abracei-a novamente e beijei o livro, sentei-me para almoçar com vontade de chorar.
Resolvi então, pedir a todas as pessoas que estavam participando do congresso que tinham feito parte do livro que assinasse no seu texto, pois aquele livro era especial e eu iria guardá-lo com muito carinho e doaria o que tinha comigo em Portugal a alguém especial.
Lilia Trajano

Livro que reúne artigos do Curso de Serviço Social Especialização à Distância está a venda no CRESS



Livro que reúne artigos do Curso de Especialização à Distância está a venda no CRESS
Já se encontra à venda na sede do CRESS-RJ o livro "Direitos sociais e competências profissionais". Com 760 páginas, a publicação reúne artigos utilizados ao longo do curso de especialização lato sensu à distância promovido pelo Conselho Federal de Serviço Social (CFESS) e pela Associação Brasileira de Ensino e Pesquisa em Serviço Social (ABEPSS), em aliança com a Universidade de Brasília (UnB) e com o Centro de Educação à Distância (CEAD).

Os artigos estão organizados em 7 unidades, conforme previsto pelo referido curso. São elas:

Unidade 1: O significado sócio-histórico das transformações da sociedade contemporânea

Unidade 2: O Serviço Social no contexto das transformações societárias

Unidade 3: Produção e reprodução da vida social

Unidade 4: O significado do trabalho do assistente social nos distintos espaços sócio-ocupacionais

Unidade 5: Atribuições privativas e competências do assistente social

Unidade 6: Pesquisa e produção do conhecimento na área do Serviço Social

Unidade 7: Monografia final

A publicação pode ser adquirida na secretaria do CRESS-RJ, de segunda a sexta-feira, de 09 a 18 horas, ao custo de R$ 70,00. Aquisições que impliquem em envio do material pelo correio terão as taxas postais cobradas do solicitante.


sexta-feira, fevereiro 12, 2010

O Blogue das Alcunhas Alentejanas

Sendo eu Professor do ISSS de Beja, hoje ao abandono, conhecí um celebre Professor Doutor que tinha como Objecto de Investigação o tema acima descrito. Fica o registo de um outro blog onde existem muitas sufestões para a investigação,
Alfredo Henríquez
(....)
Coça nas virilhas - O alcunhado apanhou sarna e as mulheres puseram-lhe essa designação

Colchão das ciganas- Alcunha Aplicada a um sujeito que é gordo e que assedia jovens de etnia cigana.

Dez Réis - O visado no tempo da miséria andava só com dez-réis e então puseram-lhe esta alcunha

Jaburu - Alcunha outorgada a um homem que anda muito bem disposto

Já Lá Vai - O visado e taberneiro e sempre que lhe perguntavam algo respondia Já La Vai

Invisível - sujeito que tinha a mania de se esconder debaixo dos moveis

Ladravona - É uma alcunha aplicada a uma pessoa gorda que prima pela falta de higiene

Lambão - aplica se a um homem que come muito

Mata mulas - aplicado a um homem que matou uma mula

Mau governo - atribuída a um sujeito que gasta dinheiro de uma forma desastrada

Mis fitinha - alcunha atribuída a uma mulher magra e vaidosa

Farsolo- O receptor tem os olhos tortos e usa óculos

Cavalo cigano - Alcunha atribuída a um sujeito que se agita muito ao andar

Caga tosse - O alcunhado adquiriu esta designação porque tosse e deita gases ao mesmo tempo

Coca - homem que gosta muito de ficar em casa e que é pouco dado a convívio

Papanotas - Isto porque comeu uma nota de 20 escudos quando era pequeno.

Caga no Torreiro - Porque "cagou" em cima de um torrão de formigas
(...)


http://www.gforum.tv/board/1033/266177/alcunhas-alentejanas.html
ps
Outra sugestão do meu colega Francisco Martins
http://www.instituto-camoes.pt/encarte/encarte56k.htm

terça-feira, fevereiro 02, 2010

Parlamento aprova propostas da FENPROF reparando injustiça

A Comissão de Educação e Ciência da Assembleia da República aprovou esta manhã, na especialidade, alterações ao D.-L. nº 207/2009 (artº 6º) que consagram um regime bastante mais justo para a transição dos docentes equiparados para a nova carreira, tendo a votação da transição dos assistentes sido adiada para dia 4/2.

Em síntese, é o seguinte o conteúdo das normas aprovadas que correspondem a propostas apresentadas conjuntamente pelo PSD e pelo CDS, e que recolheram também a aprovação ou a abstenção do PCP e do BE que tinham apresentado propostas em sentido idêntico:

1. Os actuais equiparados a professor coordenador e a professor adjunto, já doutorados e em regime de tempo integral ou em dedicação exclusiva há mais de 10 anos, passam a um contrato por tempo indeterminado, sem período experimental, nas categorias de professor coordenador (com tenure) e de professor adjunto, respectivamente. [a favor: PSD, CDS, BE e PCP; contra: PS]

2. Os actuais equiparados a professor coordenador e a professor adjunto, já doutorados e em regime de tempo integral ou em dedicação exclusiva há menos de 10 anos, passam a um contrato por tempo indeterminado, com um período experimental de 5 anos, nas categorias de professor coordenador e de professor adjunto, respectivamente. [a favor: PSD, CDS, BE e PCP; contra: PS]

3. Os actuais equiparados a assistente, já doutorados e em regime de tempo integral ou em dedicação exclusiva há mais de 3 anos, passam a um contrato por tempo indeterminado, com um período experimental de 5 anos, na categoria de professor adjunto. [a favor: PSD, CDS, BE e PCP; contra: PS]

4. Os contratos dos actuais docentes equiparados, em regime de tempo integral ou em dedicação exclusiva há mais de 5 anos, que em 15/11/2009 estavam inscritos num programa de doutoramento, validado por avaliação externa:

a) serão automaticamente renovados até perfazer um período total máximo de 6 anos;

b) obtido nesse período o doutoramento, passam a um contrato por tempo indeterminado, com um período experimental de 5 anos, na categoria de professor adjunto, ou de professor coordenador se forem já equiparados a esta categoria.

[a favor: PSD, CDS; abstenção: BE e PCP; contra: PS]

5. Os actuais docentes equiparados, em regime de tempo integral ou em dedicação exclusiva há mais de 15 anos, podem requerer provas públicas, no prazo de 1 ano, e, sendo nelas aprovados, passam a um contrato por tempo indeterminado, sem período experimental, na respectiva categoria.

Estas provas constarão de apreciação e discussão curricular, e da apresentação de uma lição de 60 minutos.

[a favor: PSD, CDS, BE; abstenção: PCP; contra: PS]

O texto completo do artigo aprovado, bem como um quadro resumo dos efeitos por categorias das propostas apresentadas conjuntamente pelo PSD e pelo CDS (as já aprovadas e as que se presume que em 4/2 serão aprovadas) encontram-se no endereço: www.fenprof.pt/superior/

O Parlamento contribui assim decisivamente para corrigir as injustiças do período de transição que levaram a FENPROF a recusar a assinatura de qualquer acordo com o Ministro.

Recorda-se que o Ministro sempre se recusou a admitir outras formas de transição para a carreira, propostas pela FENPROF em representação da vontade dos docentes, que não fosse através de concursos, independentemente da situação de cada docente quanto a: formas de recrutamento; tempo de serviço; regime de prestação de serviço; qualificações adquiridas e avaliações a que se submeteram com êxito.



Cordiais Saudações Académicas e Sindicais

Pel’O Secretariado Nacional da FENPROF

João Cunha Serra

Coordenador do Departamento do Ensino Superior e Investigação

segunda-feira, fevereiro 01, 2010

Serviço Social em Coimbra: Professores do ISMT Queixam-se das Condições Salariais

ISMT – Docentes versus Conselho Directivo

Professores queixam-se das condições salariais

Alguns docentes da maior instituição de ensino privado da cidade estão contra os seus órgãos de direcção, sobretudo desde a recusa do processo negocial. O conselho directivo nega as acusações.

No Instituto Superior Miguel Torga (ISMT), os professores querem negociar os salários e progredir no escalão da carreira. Mais, querem negociar o acordo de empresa, em vigor desde 1993, e adequá-lo ao tempo presente. Querem também constituir uma comissão paritária para iniciar a discussão de outros problemas, ao nível das condições e horários de trabalho.
Do lado dos docentes o verbo é o querer. E o advérbio é o não – da recusa negocial, por parte da direcção.
Do lado da direcção, a posição é outra. Primeiro, o “Acordo de Empresa” – um documento que data de 30 de Abril de 1993, esclarece o conselho directivo do ISMT – “não cumpriu os requisitos legais exigidos para a entrada em vigor dos instrumentos de regulamentação colectiva de trabalho”, o que implica “legalmente a não produção de efeitos jurídicos”. No entanto, o Sindicato dos Professores da Região Centro (SPRC) diz, em comunicado, que o acordo tem sido aplicado desde 1993. Por isso, os docentes querem clarificar o “instrumento regulador do trabalho em que se tem baseado para as condições salariais, de carreira, de trabalho, contratuais e de horário”.
O conselho directivo do ISMT garante que tem cumprido sempre as “suas obrigações”. Aliás, tem, “nalgumas ocasiões, sido excedido o que seria exigível, nomeadamente em face da particular natureza do estabelecimento”. Mas as críticas do SPRC continuam. Em causa, a crescente instabilidade laboral, violação dos acordos estabelecidos quanto a horários e regime de emprego e receio de despedimentos. A resposta não se faz esperar: “os aumentos salariais são, em percentagem, superiores aos respectivos aumentos aprovados para a função pública”. Ao certo não se sabe quantos professores vivem a situação de instabilidade, que fala o sindicato. Contudo, o conselho directivo do ISMT garante que o número é “bastante reduzido”.
http://www.asbeiras.pt/?area=coimbra&numero=79676&ed=29012010

terça-feira, janeiro 26, 2010

Forum Social Mundial Portalegre 2010

El Foro Social Mundial, que nació hace 10 años para reunir a los movimientos sociales de izquierdas del mundo en antagonismo al Foro Económico Mundial de Davos, ha comenzado hoy en Porto Alegre (Brasil) en un clima de crisis de identidad. Este foro nació en clara pugna con el neoliberalismo capitalista, pero ahora se enfrenta a más problemas, hasta el punto que este año va a tener dos ediciones: la de Porto Alegre, en manos de los movimientos sociales de izquierdas que son de alguna forma antipartidos, y la de Salvador de Bahía, durante el fin de semana, a la que sí asistirán los partidos, empezando por el Partido de los Trabajadores (PT) en pleno, actualmente en el Gobierno brasileño.

En estos 10 años, las cosas han cambiado mucho en América Latina, donde el Foro Social Mundial ha tenido una mayor proyección, mientras algunos de sus fundadores, como el portugués Boaventura de Sousa Santos, llegan a Brasil con un cierto pesimismo. "Esta década en la que estamos entrando será más difícil para las fuerzas progresistas", afirma Sousa.

El foro, al que acudirá el presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que estaba en la oposición cuando se fundó, se va a plantear una serie de preguntas sobre su futuro tras estos 10 años de experiencia. Lula asistirá este año también al Foro de Davos, que comienza esta semana.

La primera discusión del foro va a ser si debe seguir siendo un movimiento puro, sin dejar que los partidos puedan tener voz y voto en las decisiones, como ha sido hasta ahora, o si dejarles participar más activamente. El foro está dividido en este aspecto, ya que una parte se abre a nuevos horizontes y la otra sostiene que ha acabado la hora de los partidos como representación política de la sociedad para dar paso a la democracia directa, en la que el pueblo, a través de plebiscitos, tome sus decisiones.

Se va a plantear en el foro hasta la posibilidad de convertirse él mismo en una especie de partido mundial, una especie de V Internacional Socialista, en la que podrían entrar los partidos de izquierdas. Una incógnita será el papel que desempeñará el presidente venezolano, Hugo Chávez, que en los años pasados tuvo en el Foro de Porto Alegre una fuerte presencia, robándole incluso el protagonismo a Lula en alguna ocasión.

El fantasma de la crisis económica mundial dará armas a los movimientos más antiliberales del foro para arremeter contra el capitalismo y pedir un mayor protagonismo para el Estado y para los movimientos sociales. Por último, existe un cierto temor de que la llegada de Barack Obama a la Casa Blanca pueda suponer un problema añadido para los movimientos sociales de América Latina. El portugués Sousa teme el crecimiento del paramilitarismo, ya que según él, Estados Unidos está ya presente en Colombia, Bolivia, Ecuador y Venezuela.

Entre 20.000 y 30.000 personas acudirán esta semana al foro. Sus fundadores consideran que, después de la época neoliberal triunfante de los años noventa, las ideas del foro han avanzado, como lo demuestra la mayor intervención de Estados en la economía para poner freno a la crisis económica o la movilización para contener el cambio climático y el deterioro del medio ambiente. Pero, en 10 años, el movimiento también empieza a preguntarse sobre su futuro.

"El Foro Social Mundial tiene como primer objetivo la necesidad de cambiar la cultura política y económica dominante. Mientras tanto, nosotros tenemos que definir qué mundo queremos", ha declarado el brasileño Cándido Grzybowski, uno de los fundadores, a la agencia France Presse. Esta edición del foro "deberá servir para hacer propuestas para el futuro del movimiento", ha añadido Oded Grajew, otro militante histórico.

"En 2001, fuimos los únicos que dijimos que la globalización no iba a mejorar el mundo. Ahora, tenemos que desafiar de forma aún más contundente la cultura dominante en los mercados", opina la italiana Rafaella Bolini. Otro fundador del foro, el francés Bernard Cassen, ha sugerido una mayor implicación de los políticos, estrategia criticada por muchos militantes del movimiento.

Además de Lula y Chávez, también es posible que acudan los presidentes de Bolivia, Evo Morales; de Echttp://www.elpais.com/articulo/internacional/Foro/Social/Porto/Alegre/busca/nuevo/rumbo/elpepuint/20100125elpepuint_11/Tesuador, Rafael Correa, y de Paraguay, Fernando Lugo.

quarta-feira, janeiro 20, 2010

Segunda Edição do Livro Génese, Emergência e Institucionalização do Serviço Social Português de Alcina Maria de Castro Martins Relança o Debate


A segunda edição do livro Génese, Emergência e Institucionalização do Serviço Social Português da autoria da cientista portuguesa Alcina Maria de Castro Martins, natural de Coimbra (1955) vem confirmar as expectativas e as preocupações dos assistentes sociais sobre a construção da história da sua profissão, resgatando o protagonismo destes na construção da democracia em Portugal no século XX.
A autoridade desta investigadora reforça as bases desta identidade sonegada (muitas das vezes escondida) até o advento da Segunda República, porque intimamente construída sob a base da história das classes trabalhadoras. A questão social, como pano de fundo do século XIX e XX, retira os véus de uma história com protagonistas imbuidos de pensamentos e ideais fruto do contexto nacional e internacional que atravessa o campo científico, especialmente as Ciências Sociais.
A presente edição internacional da obra (Portugal-Brasil) desta investigadora do Centro Português de Investigação em História e Trabalho Social (CPIHTS) e docente do Instituto Superior Miguel Torga, revela a apropriação colectiva e o debate promissor num contexto em que, a condição da criança, da mulher, das instituições sociais, e a história da república portuguesa regressa ao debate científico.

Longe de retratar o miserabilismo das classes laboriosas, este trabalho científico de Alcina Martins, consegue estabelecer o diálogo multidisciplinar que perpassa a construção de todas as profissões na Europa e na América desde o último quartel de século XIX.
Por esta razão chamo a atenção de estudantes e docentes, investigadores e historiadores para participar neste debate que não se esgota nesta obra, antes pelo contrário, as futuras gerações de profissionais demandarão mais informação sobre um projecto ético e político que ainda está no berço, porque a mudança está no presente e no futuro.
Uma Boa Aposta Editorial para o início de 2010
Bernardo Alfredo Henríquez C

terça-feira, janeiro 19, 2010

EL TRABAJO SOCIAL SOLIDARIO ANTE EL DESASTRE DE HAITI

EL TRABAJO SOCIAL SOLIDARIO ANTE EL DESASTRE DE HAITI
Tras el terremoto producido 12 de enero se han contabilizado más de 100.000 víctimas mortales.

Desde el Consejo General de Diplomados en Trabajo Social y Asistentes Sociales, en representación de toda la profesión queremos solidarizarnos con el pueblo Haitiano ante la difícil en la que se encuentra a causa del terremoto de magnitud 7 en la escala Richter que ha sumido al País en la destrucción y el caos más absoluto.


Para paliar esta emergencia social sin parangón, la Comunidad Internacional se ha movilizado para coordinar la ayuda humanitaria. Muchas ONG han abierto cuentas de emergencia social para recaudar fondos que serán enviado a Haití y en especial a su capital, Puerto Príncipe. Os adjuntamos los datos de dichas ONG españolas ( tal y como indica la noticia del mundo que podéis encontrar en el siguiente enlace: http://www.elmundo.es/elmundo/2010/01/13/solidaridad/1263401174.html ) para todo aquel que quiera colaborar con el pueblo Haitiano

veja mais in
http://www.cgtrabajosocial.es/index.php?option=com_content&task=view&id=441&Itemid=1

segunda-feira, janeiro 18, 2010

Serviço Social Barbarie e Neoconservadorismo: Os Desafios do Projecto Ético-Político

Barbárie e Neoconservadorismo: Os desafios do projeto ético-politico.


Lucia Barroco
( Palestra realizada no Congresso “30 anos da Virada” ; São Paulo, 17 de novembro de 2009)

Bom dia. Quero saudar a todos (as) assistentes sociais, alunos e alunos, às entidades CFESS/CRESSSP/ABEPSS/ENESSO, As queridas companheiras de mesa, Carmelita, Sara, Ana Elisabete, Samya e Silvana Mara.

Nesse mesa de diálogos, coube a mim trazer uma reflexão sobre os desafios do projeto ético-politico na atual conjuntura, sob a perspectiva da ética.

Isso requer uma breve referência às tendências ideo-culturais que atravessam as relações sociais produzindo formas de hegemonia e de resistência política, com suas motivações e exigências ético-morais, nos marcos da expansão destrutiva do capitalismo financeiro e da implantação das políticas neoliberais .

As transformações operadas no capitalismo mundial, a partir da década de 70 do século XX pela ofensiva do capital, alteraram as relações sócio-econômicas instaurando um processo inédito de degradação humana que atingiu todas as esferas da vida social, em suas diversas dimensões. O desemprego estrutural e a desregulamentação dos direitos, a violência estrutural e o aprofundamento das desigualdades, a assombrosa concentração econômica e política nas mãos das elites, marcam a expansão destrutiva do capitalismo financeiro e a implantação das políticas neoliberais a partir desse marco.

Aliada à degradação econômica, que contribui para desestruturar formas de solidariedade e motivações políticas, a derrocada do socialismo no leste europeu também rebateu na organização política dos trabalhadores e na desmobilização de suas entidades de classe, enfraquecendo os sindicatos e os partidos, contribuindo para a fragilização de sua consciência de classe, ampliando o espaço para a assimilação de resistências despolitizadas e individualizadas.

Determinados ethos se revelam nesse contexto, na direção da apologia da ordem burguesa. Novas necessidades de acumulação acentuaram a tendência capitalista de mercantilização das relações humanas: o individualismo possessivo, típico do ser social burguês, adquire novas configurações em face da exacerbação do consumismo e da comunicação virtual valorizadora das imagens se expressando através de um ethos narcísico: o indivíduo centrado na vida privada, no intimismo, na indiferença social: sua igreja é o shopping; seu reino é o mundo virtual; seus mitos são as imagens que – fetichizadas em um espaço imaginário – desmaterializam o mundo real, criando uma segunda vida onde os desejos consumistas podem ser satisfeitos sem a presença do outro: o eterno empecilho a sua liberdade. Ídolos e mitos são reproduzidos incessantemente pelo mercado da publicidade e pela indústria cultural: Barbies, séries de TV, filmes, novelas, propagandas para todas as idades e classes sociais, especialmente para os extratos de classe média. Incentiva-se não apenas o consumismo, mas, também a preocupação com tudo que desvie os indivíduos da vida publica e da política: questões pessoais, de auto-ajuda, problemas íntimos, familiares, psicológicos: uma forma de controlar as tensões sociais e ao mesmo tempo imprimir um modo de ser necessário à apologia do capital.

Seu exemplo mais recente é o sucesso mundial estrondoso do filme Lua Nova e da serie de TV Crepúsculo, americanos, que contam a historia de uma jovem de classe media que se apaixona por um colega que é um vampiro adaptado aos valores conservadores da classe média. O vampirismo é o símbolo do individualismo possessivo nas relações amorosas fundadas em valores das classes médias. A série já vendeu mais de dois milhões de livros no Brasil, prevendo-se que o filme atinja sete milhões. de espectadores: multidões de jovens enlouquecidos que no Brasil passaram duas noites sem dormir, no aeroporto à espera dos atores. Segundo Ianni, parte da cultura nazifacista está presente na indústria cultural do capitalismo globalizado.

Diferentes manifestações contemporâneas expressam componentes neofacistas: estupros coletivos, genocídios, torturas, intolerâncias religiosas, étnico-racias. Os movimentos neonazistas, vinculados a partidos de extrema direita, como os skinheads, são fenômenos atuais, como estudos têm mostrado, entre o seu surgimento, nos anos 70, em função do desemprego estrutural, a precarização das condições de vida das classes trabalhadoras e a origem de classe de seus integrantes: na Europa e no Brasil, são jovens, filhos de operários, trabalhadores do subúrbio e das periferias das grandes cidades e minoritariamente das classes médias empobrecidas. Segundo dados do serviço secreto alemão, após a queda do Muro de Berlim, em 1999, existiam cerca de 3.000 skinheads na antiga Alemanha oriental e 1.200 na ocidental. Ocorreram 2.500 atentados de caráter xenófobo na Alemanha em 1992 e em 1993, ocorreram 6.000 atentados, constatando-se que vários deles tiveram o apoio da população.

Ao mesmo tempo, formas de ser neoconservadoras, buscam legitimar ideologicamente a repressão aos trabalhadores, a criminalização aos movimentos sociais e a pobreza, a militarização da vida cotidiana. Em essas formas, existe a violência contra o outro e em todas elas, em diferentes graus, existe uma dimensão ética que se expressa, entre outros aspectos, na negação do outro: quando o outro é discriminado lhe é negado o direito de existir como tal.

São manifestações neoconservadoras as que presenciamos dias atrás quando jovens universitários – homens e mulheres – insultaram selvagemente uma aluna em função de sua mini saia – avanço da geração dos anos cinqüenta do século passado – e como se não bastasse diante dessa atitude medieval a aluna foi expulsa da universidade.

Certamente parte da sociedade não concorda com essas práticas; a parcela que está aqui representando o Serviço Social, os movimentos populares democráticos, os partidos políticos e as entidades de classe dos trabalhadores, milhares de sujeitos políticos que no mundo inteiro se manifestam de formas variadas na resistência à desumanização, em confronto com o capital, na resistência ao avanço das políticas neoliberais, no processo de luta pela hegemonia em busca da construção de novos projetos e de uma nova sociedade. Os piqueteiros, as Mães da Praça de Maio, na Argentina, os Zapatistas, México, o MST, no Brasil, os movimentos de indígenas, na Bolívia e Equador, outras centenas de movimentos populares democráticos que desde 2001 se reúnem nas edições do FSM em torno da idéia de que “Outro mundo é possível”. No entanto, o cenário histórico tem mostrado uma crise de hegemonia da esquerda e dos projetos socialistas, de modo geral.

O neoconservadorismo, reatualização do conservadorismo moderno sob a influencia das idéias neoliberais, apóia-se em mitos, motivando atitudes autoritárias, discriminatórias e irracionalistas, valorizadoras da hierarquia, das normas institucionalizadas, dos valores morais tradicionais, da ordem e da autoridade. Quero ressaltar uma expressão dessa ideologia: o medo social.

Temos medo de algo real ou imaginário. Quando o objeto do medo é tratado moralmente, torna-se sinônimo do mal. Ao mesmo tempo em que a moral serve ideologicamente para dar identidade ao objeto do medo; ela passa a justificar uma inversão na moralidade do sujeito: na luta contra o mal toda moral é suspensa, tudo é válido: o mal acaba justifica o próprio mal, a morte, a tortura, a eliminação do outro. Quando essa ideologia do medo é internalizada na vida cotidiana, uma situação de insegurança excepcional passa a ser vivida como algo que pode ocorrer a qualquer momento, um estado de alerta típico de situações de guerra.

Após os atentados de 2001, nos EUA, foram produzidos centenas de filmes, seriados e programas virtuais, incentivando a insegurança e a idéia moral do outro como ameaça permanente. Não é preciso dizer quem é o outro. 24 horas, um dos seriados de maior sucesso, passado no Brasil, deixou isso claro: na série, nenhum lugar do mundo é seguro; a qualquer momento a vida pode se tornar um inferno pelas mãos do mal: terroristas, criminosos, traficantes. A política de tolerância zero e o Estado policial seguem essa lógica neofascista reproduzida na Europa, na discriminação contra os imigrantes a exemplo das milícias populares na Itália, e no Brasil, pela criminalização dos movimentos sociais e da pobreza, e na atual institucionalização da militarização do cotidiano pelo estado.

O filme brasileiro, Tropa de Elite, de 2007, que perdeu o Oscar para outro filme também violento cujo titulo é sugestivo: “Por que os fracos não têm vez”, mostra essa lógica. O violento treinamento físico e condicionamento psicológico exigido aos integrantes do Bope têm por finalidade a sua desumanização, o que significa incorporar a ideologia da guerra permanente, o que permite a suspensão de qualquer resquício de uma moralidade humanitária na consciência dos agentes: guerra é guerra. Diante dessa palavra chave qualquer moral é suspensa: tudo é válido: os fins justificam os meios.

Estudos sobre a violência no Rio de Janeiro (Batista, 2003), apontam essa ideologia na guerra ao narcotráfico: uma herança da doutrina de segurança nacional usada na ditadura: a ideologia da guerra contra o inimigo interno. Na guerra atual o discurso é moral e religioso: a droga aparece como uma metáfora diabólica contra a civilização cristã: uma cruzada contra o mal, uma guerra santa contra o traficante herege. Repete-se a lógica do Bope: guerra é guerra.

Desse modo, o filme é realista ao mostrar a lógica que move as forças de repressão no Brasil, antecipando o que veio a ser implantado definitivamente nesses dias com o projeto de lei aprovado pelo presidente da republica, que estende para as forças armadas, exercito, marinha e aeronáutica, o poder de policia, em clara consonância com a tentativa de acabar até 2012, com as tensões sociais exterminando aqueles que estão no varejo do trafico de drogas, parte da nossa juventude pobre, enquanto se reproduz a indústria capitalista da guerra e do narcotráfico.

Essas breves observações tiveram por finalidade apontar um cenário propicio à objetivação de idéias e práticas neoconservadores e narcísicas, que obviamente não se restringem às aqui apresentadas, e que coexistem com formas de oposição e de resistência, a exemplo da indignação de alunos e entidades de defesa dos Direitos Humanos, que prontamente se manifestaram em face da discriminação da aluna aqui citada e de tantas outras práticas, denúncias, resistências, mobilizações e lutas constitutivas do universo das forças políticas democrático-populares e do conjunto das classes trabalhadoras brasileiras.

Assim, considerando que o cenário atual pode ser facilitador da reatualização de projetos conservadores na profissão, mas entendendo também que nossa trajetória de lutas, inserida nesse universo de resistências da sociedade brasileira permite esse enfrentamento, quero afirmar que do ponto de vista ético-politico a busca de ruptura com o conservadorismo no serviço social princípio e objetivo que norteou o que o projeto ético-politico nesses 30 anos é nesse momento renovado como um grande desafio: o enfrentamento de suas novas formas ético-morais e manifestações teórico- políticas.

Assinalo então algumas questões para reflexão e debate:

 Em primeiro lugar cabe refletir sobre as bases sociais do nosso projeto ético-politico. Sabemos que seu surgimento foi determinado fundamentalmente em função de certas e sujeitos e condições históricas: o protagonismo das classes trabalhadoras no processo de redemocratização da sociedade brasileira. O nosso projeto está direcionado socialmente às classes trabalhadoras: sujeitos de nossa ação. Sendo assim, a nossa força política está articulada, ainda que não seja de forma mecânica, ao avanço das lutas dos trabalhadores, mesmo porque também somos trabalhadores.

 Nesse sentido, o enfrentamento do neoconservadorismo, sob o ponto de vista profissional, é de caráter político em dois aspectos articulados. Por um lado, é preciso que nossa organização política esteja fortalecida e renovada com novos quadros, supondo trabalho de base, junto à categoria, com as entidades de representação, as unidades de ensino, os profissionais e alunos. Por outro lado, nós só conseguimos consolidar politicamente o nosso projeto, na direção social pretendida, se tivermos uma base social de sustentação; logo, a articulação com os partidos, sindicatos, entidades de classe dos trabalhadores, movimentos populares e democráticos, associações profissionais, entidades de defesa de direitos, é fundamental; e o avanço político do nosso projeto está articulado ao avanço dessas forças sociais mais amplas. Ao mesmo tempo, é preciso ter clareza de que essa luta é limitada, uma vez que ela envolve dimensões que vão alem da profissão: como diz Marx ao se referir à alienação religiosa, a critica das ilusões é a exigência de acabar com as condições objetivas que fazem os homens precisarem viver de ilusão (Marx, 1991).

 A reatualização do conservadorismo é favorecida pela precarização das condições de trabalho e da formação profissional, pela falta de preparo técnico e teórico, pela fragilização de uma consciência critica e política, o que pode motivar a busca de respostas pragmáticas e irracionalistas, a incorporação de técnicas aparentemente úteis em um contexto fragmentário e imediatista. A categoria não está imune aos processos de alienação, à influência do medo social, a violência, em suas formas subjetivas e objetivas. Isso coloca um imenso desafio ao projeto ético-politico, na medida em que a sua viabilização não depende apenas da intencionalidade dos profissionais, tendo em vista as suas determinações objetivas, nem se resolve individualmente. Alem disso, não podemos ignorar que o conservadorismo tem raízes históricas na profissão: para parcela da categoria, trata-se de uma opção política conscientemente adotada. Nesse sentido, a conjuntura pode favorecer a sua reatualização; sob novas roupagens e demandas.

 A dimensão ética desse enfrentamento supõe aspectos teóricos e políticos. O Neoconservadorismo tem diversas formas de expressão. Seu conhecimento exige a pesquisa e o estudo, em suas configurações na sociedade contemporânea e brasileira, como pensamento teórico e projeto político-ideológico e em seu rebatimento particular na profissão, em sua dimensão ética e moral. É preciso conhecer nossa categoria, nossos alunos e a população que atendemos para que não sejam reproduzidos mitos e idealizações;

 A ideologia neoconservadora tende a se irradiar nas instituições sob formas de controle pautadas na racionalidade tecnocrática e sistêmica tendo por finalidade a produtividade, a competitividade e a lucratividade, onde o profissional é requisitado para executar um trabalho repetitivo e burocrático, pragmático e heterogêneo que não favorece atitudes críticas e posicionamentos políticos. Instituições voltadas à coerção, como prisões, delegacias, casas para jovens infratores, abrigos, instituições jurídicas, demandam ao assistente social atividades de controle e censura: avaliações de situações que envolvem os sujeitos criminalizados moralmente e julgados como irrecuperáveis pelo poder dominante. A ideologia da guerra e do medo social está incorporada nestas instituições de formas diversas, como mostram diversos relatos de usuários. O discurso dominante é o da naturalização e moralização da criminalidade, as praticas de encaminhamento são seletivas baseadas em critérios morais, de classe, de raça e condição social. O assistente social precisa estar capacitado para enfrentar esse discurso, para não reproduzi-lo reeditando o conservadorismo profissional, para não atender as novas requisições do estado policial, para não incorporá-las exercendo a coerção. Esse enfrentamento ético-politico supõe estratégias coletivas de capacitação e organização política, de discussão nos locais e de trabalho, de articulação com outras categorias, entidades e com os movimentos organizados da população usuária;

 O enfrentamento teórico do neoconservadorismo é um empreendimento que supõe a desmistificação dos seus pressupostos e dos seus mitos irracionalistas que falseiam a história. A crítica dos valores é uma tarefa especifica da ética, em sua explicitação do significado do uso ideológico dos valores éticos. Nos últimos 20 anos todos falam em ética: nem todos dizem em qual direção, com qual projeto, com qual significado. O código de ética é usado como uma “senha”; o projeto ético político é utilizado como “mito”. Mas o CE tem uma concepção que dá significado aos seus valores; eles não universais abstratos; se são retirados do seu contexto viram abstrações que servem para falsear a história como faz a ideologia dominante em sua apologia da guerra contra o mal.

 É também um desafio ético o incentivo à criação de núcleos de pesquisa e de estudos voltados à capacitação em ética e direitos humanos, demandas dos alunos e profissionais que precisam ser atendidas de forma qualificada, para identificar análises irracionalistas, presentes no ideário pós-moderno, que negam a universalidade dos valores, a perspectiva de totalidade, a luta de classes, o trabalho, o marxismo, afirmando um pluralismo apoiado no ecletismo e na relativização da verdade objetiva, passível de ser apreendida pela razão dialética. Outro desafio é desenvolver a análise histórica dos DH, para não repetirmos as visões abstratas que remetem aos postulados tradicionais do Serviço Social, reeditando a pessoa humana com citações de Marx;

 Formas de capacitação que tem se desenvolvido através da utilização de meios virtuais, tem contribuído para retirar do ensino a possibilidade interativa exigida pelo conhecimento critico. Cursos à distância, salas de discussão virtual, leituras virtuais, entre outras, são algumas das formas de reprodução do neoliberalismo contemporâneo: o indivíduo isolado e passivo diante de uma maquina se comunicando com imagens e idéias que substituem as relações humanas por relações entre objetos e imagens fetichizadas. Além disso, a utilização institucionalizada dos meios virtuais envolve inúmeras questões éticas como a divulgação de dados sigilosos, além de permitir a possibilidade de plágio, etc.
 As instituições de ensino, responsáveis pela transmissão do conhecimento, tendem a se adequar a lógica do mercado: empresas que vendem mercadorias; a força de trabalho de professores, super explorados e desapropriados dos meios de seu trabalho: a pesquisa, o tempo para o estudo, a construção do conhecimento como totalidade. O produto final dessa precarização subjetiva em curso, nas instituições mercantis é o empobrecimento material e espiritual da juventude, que uma vez profissionalizada tem poucos recursos para realizar seus possíveis ideais, já fragilizados pelas condições objetivas da sociabilidade burguesa.
 Só é possível fazer essas observações criticas e pretender enfrentá-las porque já dispomos - enquanto categoria profissional - de um acúmulo teórico e político nos capacitou para apreender a realidade além de sua aparência, em uma perspectiva de histórica e de totalidade, ou seja, buscando perceber a relação entre os fenômenos, em suas mais intimas e ocultas determinações. Ora, esse acúmulo foi obtido através de um longo a árduo processo de trinta anos; um esforço teórico e político que contou com o trabalho de assistentes sociais, mulheres e homens que aqui estão nessa mesa e plenária e outros que não estão; um processo de luta política que foi travado a duras penas durante a ditadura e depois dela por profissionais que fizeram a virada em 1979, dos que assumiram a direção das entidades, dos alunos e alunos que encamparam essa luta e a renovam cotidianamente.
 Se temos uma herança conservadora, também temos uma história de ruptura: um patrimônio conquistado que é nosso, mas cujos valores, cujas referencias teórica, cuja força para a luta não foram inventados por nós. Trata-se de outra herança que pertence à humanidade e que nós resgatamos dos movimentos populares revolucionários, das lutas democráticas, do marxismo, do socialismo, e incorporamos ao nosso projeto.
 Os pilares que sustentam o nosso projeto ético-politico em sua dimensão de ruptura - o marxismo, o ideário socialista da emancipação humana, o compromisso com as classes trabalhadoras e com a realização de um Serviço Social que atenda os seus reais interesses e necessidades, e busca de ruptura com o conservadorismo, em todas as suas formas – constituem o nosso mais valioso patrimônio que espero possamos cuidar como muito amor e coragem. Obrigada.

Bibliografia
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BARROCO, Maria Lucia Silva. “A historicidade dos Direitos Humanos” In Forti, Valeria e Guerra, Yolanda. Ética e Direitos: Ensaios Críticos. Rio de Janeiro, Lumen Júris, 2009.
_____________________ Bandidos, mitos e bundas: moral e cinema em tempos violentos. Festival SESC de Melhores Filmes. São Paulo: SESCSP, 2008.
BRAZ, Marcelo. “Notas sobre o projeto ético-político”. Assistente social: ética e direitos. Rio de Janeiro, CRESS-7 a. Região, 2005.
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Conselho Federal de Serviço Social (CFESS). Código de Ética do Assistente Social. Brasilia, CFESS, 1993.
IAMAMOTO, Marilda. Serviço em tempo de capital fetiche. São Paulo: Cortez, 2007.
JAMESON, F. A virada cultural: reflexões sobre o pós-moderno. São Paulo: Civilização Brasileira, 2006.
KEHL, Maria Rita. E BUCCI, Eugênio. Videologias. São Paulo: Boitempo, 2004, Coleção Estado de Sítio.
Lukács, Georg. O problema da ideologia, Secção 3 do volume II de Per l’ontologia dell’ essere sociale, versão italiana de Alberto Scarponi, Roma, Riunit, Tradução de Ester Waisman, 1981,3.
Lukács, Georg, El assalto a la razon: la trayectoria del irracionalismo desde Schelling hasta Hitler, Barcelona, México, DF Ediciones Grijalbo, 1968
MARX, Karl. A questão Judaica. São Paulo, Editora Moraes, 1991.
MÉSZÁROS, István. A crise estrutural do capital, São Paulo, Boitempo (Coleção Mundo do Trabalho), 2009.
NETTO, José Paulo “A construção do projeto ético-político do Serviço Social frente à crise contemporânea” In Capacitação em Serviço Social e Política Social: Módulo 1: Crise Contemporânea, Questão Social e Serviço Social. Brasília: CFESS/ABEPSS/CEAD/UNB, 1999.
OZ, Amoz. Contra o fanatismo. Lisboa, Porto: Asa Editores, 2007.
TRINDADE, José Damião de Lima. História Social dos Direitos Humanos. São Paulo: Peirópolis, 2002.
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WACQUANT, Loic. Punir os pobres: a nova gestão da miséria nos Estados Unidos. Rio de Janeiro. Revan, 2007.

sexta-feira, janeiro 15, 2010

Cuban social workers help out in Haiti

Cuban social workers help out in Haiti Havana.– Cuban social workers who assisted with an energy-saving program in Haiti finished their effort and were bid farewell by Serge Raphael, director of the electric company of that country.

Raphael expressed the gratitude and recognition of Haitian President Rene Preval and Prime Minister Jacques Edouard Alexis at a ceremony also attended by Cuba’s ambassador Raul Barzaga, Granma Newspaper reported .

As a result of the social workers efforts 2.8 million low-energy consumption light bulbs were installed, 7 percent more than originally planned, reported Prensa Latina.

The Cubans carried out their work in several departments of Haiti. This included visits to 93,572 homes and 63,000 workplaces, state government statistics

NASW Social Workers Prepared to Help Victims of Haiti Earthquake

Social Workers Prepared to Help Victims of Haiti Earthquake
NASW encourages members to get involved


WASHINGTON DC—In the aftermath of the deadly earthquake in Haiti this week, the National Association of Social Workers (NASW) is issuing an alert to its nearly 150,000 members to help support recovery efforts for victims and their families. In disasters such as this, social workers are uniquely suited to assess the disaster environment in a culturally competent manner and to provide leadership in promoting effective disaster relief and recovery efforts.

“Social workers are often among the first to respond to disasters both nationally and abroad,” says Elizabeth Clark, PhD, ACSW, MPH, executive director of NASW. “The people of Haiti need our help now more than ever, and we are committed to providing any assistance we can to one of the world’s poorest countries during this terrible tragedy.”

“If you would like to join with your social worker colleagues in the social work response to this disaster, you can donate through the NASW Foundation’s Social Work Disaster Assistance Fund to assist social workers and/or social welfare organizations who can provide help.”

•Click here to donate to The Social Work Disaster Assistance Fund
•Join our Facebook Cause

Social workers are already helping through various organizations both nationally and internationally. NASW is a member of InterAction, the largest coalition of U.S-based international non-governmental organizations (NGOs) focused on the world’s poor and most vulnerable people. Many NGO members of this coalition were active in Haiti prior to the earthquake and have been mobilizing immediate aid to survivors in the past few days. Social workers have a strong presence within these organizations. Social workers can also make contributions to organizations listed here:

•American Red Cross www.redcross.org
•InterAction member organizations active in Haiti
•United Nations Central Emergency Response Fund (CERF) –for the delivery of urgent medical care, food, and water to the victims of the earthquake in Haiti through UN agencies such as UNICEF, WHO, the World Food Program, UNDP, UNFPA, IOM.
Social workers can also help by offering disaster recovery services through organizations working in Haiti. Tragic events of this magnitude often require the expertise of social workers who can immediately provide their crisis management, community organizing and mental health support skills. Social workers with prior disaster relief experience can register with the Center for International Disaster Information to volunteer their time and expertise to this important cause. Or for those with more experience and seeking longer-term paid positions, social workers can search for vacancies with NGOs at www.reliefweb.int .

For further information about ways to get involved, visit the InterAction Web site at or the USAID Disaster Assistance page .

NASW recognizes that some of our members and friends have lost loved ones through this tragedy. Our thoughts are with those affected by this disaster. To find additional resources on coping with grief and loss, please visit Help Starts Here, the social work consumer Web site .

HAITI UNICEF MOBILIZA RECURSOS

Haiti has been plagued by violence and lawlessness since 2004, when President Aristide fled into exile. The chaos has hampered basic services and prevented humanitarian assistance from reaching the vulnerable.

Because of Haiti’s high population density and its decaying infrastructure, the country is particularly vulnerable to the effects of natural disasters such as floods, mudslides and hurricanes.

Issues facing children in Haiti


■Haiti has the highest rates of infant, under-five and maternal mortality in the Western hemisphere. Diarrhoea, respiratory infections, malaria, tuberculosis and HIV/AIDS are the leading causes of death.


■Some 60 per cent of people, primarily in rural areas, lack access to basic health-care services.


■Numerous schools and hospitals have closed because teachers, social workers and health providers could not go to work for fear of violence.


■It is estimated that about 5.6 per cent of people aged 15-49 years old in Haiti are living with HIV/AIDS. This includes about 19,000 children. Antiretroviral drugs are extremely scarce.


■As many as 2,000 children a year are trafficked to the Dominican Republic, often with their parents’ support.


■Only a little over half of primary school-age children are enrolled in school. Less than 2 per cent of children finish secondary school.


■Approximately 1,000 children are working as messengers, spies and even soldiers for armed gangs in Port Au Prince.


Activities and results for children


■Thanks to supplies, medical equipment and technical assistance from UNICEF and its partners, routine immunization coverage has improved significantly in recent years. Haiti has been free of measles and polio since 2001; 824,000 children were inoculated against polio in 2005.


■In a major campaign to reduce maternal mortality, UNICEF and its partners provided medical equipment and training to reopen health facilities that had been closed for up to a year. An estimated 75,000 pregnant women are expected to benefit.


■Voluntary counselling and testing facilities have successfully kept rates of mother-to-child transmission of AIDS under 10 per cent.


■A Back to School initiative encouraged 19,000 children and 350 teachers to return to school. UNICEF helped communities build 55 new schools, which will educate an additional 20,000 children. UNICEF also provided water and sanitation supplies for 75 schools, and led classes on safe hygiene.


■UNICEF and its partners continued to provide relief for victims of a September 2004 hurricane in Gonaives, which affected 300,000 people. In addition to food, water, sanitation, and vaccinations, thousands of children received identification cards, birth certificates and psychosocial support and counselling

terça-feira, janeiro 12, 2010

Seminário “Tempos de Mudança, História, Memória e Investigação em Serviço Social”

Seminário
“Tempos de Mudança, História, Memória e Investigação em Serviço Social”




15 de Janeiro de 2010 – 14h
Local: ISMT - Sala nº 1 do edf. Rua Augusta, nº46

“Enfrentamento da Pobreza no Neo-Liberalismo: Desafios para o Serviço Social ”

Prof. Doutor Carlos Montaño
(Doutor em Serviço Social – UFRJ)

Mestre Luana Siqieira
(Mestre em Serviço Social – UFRJ e em Educação e Saúde – FIOCRUZ; Doutoranda em Serviço Social – UFRJ)


Inscrições (limitadas) até ao dia 13 de Janeiro de 2010

Estudantes – 3 Euros
Profissionais – 5 Euros

Contactar
Secretariado da Escola Superior de Altos Estudos
Drª. Alexandra Damas
alexandra@ismt.pt
Telef.: 239 488043/44

Será emitido um Certificado a todos os participantes

Organização: Coordenação do 2º ciclo em Serviço Social

Este Seminário Aberto constitui uma actividade programada da unidade curricular de Seminário de Dissertação II do 2º ciclo em Serviço Social (VII Curso)

segunda-feira, janeiro 04, 2010

Assistentes Sociais Investigam a Lei Maria da Penha: MT Sem Atendimento para Agressores

Lei Maria da Penha: MT sem atendimento para agressores

Seiscentos e trinta e oito homens de Cuiabá e Várzea Grande foram presos em flagrante por violência contra a mulher em 2009


De janeiro a novembro desse ano também foram estabelecidas 1.729 medidas protetivas. Os números são parciais e foram levantados pela Polícia Civil de Mato Grosso junto aos quatro Centros Integrados de Segurança e Cidadania (Cisc) de Cuiabá e Várzea Grande.

Entre condenações à prisão e medidas protetivas, Mato Grosso não tem nenhum programa que ajude o agressor a refletir sobre o porquê da violência praticada contra sua companheira. Também não existem estatísticas sobre os índices de reincidência. Segundo a assistente social Vera Lúcia Bertoline, com a carência de programas que reeduquem esses agressores, certamente os índices de reincidência são altos.

Além de todas as medidas de proteção às mulheres que sofrem agressões de seus companheiros, a Lei Maria da Penha diz que compete a uma equipe de atendimento multidiciplinar desenvolver trabalhos de orientação, encaminhamento e prevenção para a mulher ofendida, o agressor e os familiares. Ainda segundo a lei, a união, o Distrito Federal, os estados e os municípios podem criar e promover centros de educação e de reabilitação para os agressores.
Uma pesquisa realizada pelo Instituto Patrícia Galvão e publicada em matéria da Associação Brasileira de Organizações Não-governamentais (Abong), mostra a eficiência dos grupos de reflexão para homens agressores no Rio de Janeiro e em São Paulo. Menos de 2% dos homens que praticaram violência contra mulher e participam de grupos de reflexão do Juizado Especial Criminal da Violência Doméstica contra a Mulher de São Gonçalo (RJ) voltaram a agredir suas companheiras. E o melhor, há 10 anos o Judiciário local propõem a participação em grupos como alternativa para suspensão do processo ou mesmo cumprimento da pena. Já em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, os reincidentes são menos de 4%.

Diálogo:

Para Vera Bertoline a lei punitiva tem que existir, porque sempre há excessos. Entretanto, também é preciso criar espaços coletivos de diálogo, compreensão e reestruturação da relação. "Os espaços existentes hoje para solucionar problemas de violência de gênero em Mato Grosso não são mediados, são unilaterais. Olha-se para a situação com um olhar enviesado. Ninguém escuta o agressor para saber porque ele chegou a tal atitude".

Segundo Vera, uma relação violenta entre homem e mulher funciona como um jogo. Ele bate porque sente a necessidade de impor sua virilidade e mostrar quem manda na relação. Em contrapartida, ela negocia sexo e afeto para vê-lo pedir perdão e se redimir. Ele se redime porque precisa que ela ceda para continuar a agredir. "O poder de negociação que a mulher tem é muito forte. O problema é que ela barganha e continua nesse jogo, em vez de se impor e pular fora da relação".
Para justificar esse jogo, segundo a assistente social, a agredida argumenta que os filhos não podem ficar sem pai e/ou que precisa dele para se sustentar.

Vera também faz questão de ressaltar que nada justifica a agressão, mas que tanto a mulher quanto o homem precisam rever suas ações. A mulher se utiliza do estereótipo da fragilidade e se sente confortável com isso. Do outro lado, o homem é criado e educado para ser forte, valente e até violento. Esses conceitos reforçam a estratificação da sociedade, criam de estereótipos e lugares inferiorizados.
Assim, Bertoline afirma que a Lei que prende deve criar espaços para que os sujeitos envolvidos reflitam sobre suas vidas, ações, relações e não reincidam no mesmo erro.

Outro ponto debatido por Vera Lúcia está relacionado a quantidade de relações jucicializadas existentes hoje, ou seja, "ter que levar às barras da Justiça um assunto íntimo que depende mediação".

Para evitar que a situação chegue a esse ponto, cabe ao governo se empenhar na criação de políticas reestruturantes que comecem a dialogar sobre os direitos humanos e resignificar homens e mulheres. Isso tudo, utilizando-se da educação, da cultura, dos meios de comunicação e da própria saúde pública. Formar equipes psicossociais que, assim como os agentes de saúde, mediem as relações entre homens e mulheres, desde os primeiros sinais de desrespeito.

Experiência cuiabana:

Vera Bertoline, que é professora na Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), realizou trabalhos no Núcleo Psicossocial Forense (Nups) do Juizado Especial Criminal (JECrim) em Cuiabá. Na época, o JECrim recebia os casos da Delegacia Especializada de Defesa da Mulher, antes da Lei 11.340/06 entrar em vigor, em setembro de 2006. O núcleo era uma instituição informal inserida no Juizado e composta por uma equipe de assistentes sociais e psicólogas e que, a partir de 2005, foi palco para a realização de estágios acadêmicos supervisionados. Lá, discutia-se muito a violência de gênero e os agressores compartilhavam seus problemas. Era o grupo chamado "Ajuda Mútua".

Para um trabalho de conclusão de curso, José Francisco Nunes escutou os homens agressores atendidos na instituição e constatou que eles condenam a expressão de emoções, reproduzem concepções que discriminam as mulheres, reafirmam concepções de honra masculina, atribuindo às virtudes masculinas a disposição para o trabalho e a função de prover a família. No Nups eles reviam todos esses estereótipos e tentavam perceber uma outra forma de ver a relação.

Com a criação da Lei 11.340/06, o julgamento das denúncias relacionadas à violência contra a mulher passaram a ser competências das Varas Especializadas de Violência Familiar e Doméstica contra a Mulher. De acordo com Vera, a equipe do núcleo até tentou continuar o trabalho na Vara de Violência Familiar, mas a resposta obtida foi de que a Vara não tinha esse papel.

terça-feira, dezembro 29, 2009

Luana Siqueira Publica Artigo na Revista do CPIHTS

O Paradoxo da Política de Assistência Social no Brasil

Luana Siqueira
Aqui nos cabe o desafio de discutir a assistência social no âmbito da seguridade social e as progressivas mudanças frente à conjuntura política, social e econômica dos séculos XX e XXI. Há, contudo, uma urgência em abordar essas questões, pois seus rebatimentos têm impactos diretos sob a nossa profissão, seja em aspectos sócio-ocupacionais, seja em nosso posicionamento político ou em nossos direitos sociais.
Em uma análise imediata duas coisas nos são evidentes: o crescimento da concentração de renda e o crescimento substantivo da pobreza, segundo dados do IPEA (2003) os 10% mais ricos do país se apropriam de 46% da renda per capita domiciliar e os 50% mais pobre detêm 13% da renda per capita domiciliar. Ainda que a renda não possa ser considerada o único elemento de avaliação da pobreza, podemos verificar que no Gini de 2003, considerando 130 países o Brasil é o penúltimo na concentração de riquezas, estando muito a frente do México, um país com condições mais parecidas. Isso mostra que no caso brasileiro a pobreza não é gerada pela escassez de recursos e sim pela super concentração de riqueza por uma pequena parte da população.
( ...)
Veja Artigo completo na pagina do Cpihts www.cpihts.com


Luana Siqueira. Pedagoga, assistente social, mestre em educação - Fiocruz ; mestre em Serviço Social– UFRJ; doutoranda em Serviço Social da UERJ, Tutora do Curso de Capacitação CFESS e ABEPSS. Professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Foi Assistente Social da Prefeitura de Japeri,também do Centro de Atenção Diária de Olaria. Ex-pesquisadora do NUPI (UERJ), e atualmente do CEOI (UERJ) e do GOPS. Bolsista PDEE da Capes.

domingo, dezembro 27, 2009

Uma Investigação Social: Duplo critério Para Torturar

Estudo da USP mostra que a Justiça trata diferentemente o torturador
se ele é agente público

Brasília
- A venda que simboliza um olhar igualitário para todos - ricos, pobres, humildes ou poderosos - há muito perdeu o significado. Nem quando o assunto é a tortura, um crime que, de tão grave, virou tema de convenções internacionais e não prescreve, a Justiça brasileira consegue atuar sem diferenciação.
Uma pesquisa da Universidade de São Paulo (USP) esmiuçou 51 processos que chegaram aos tribunais da capital paulista entre 2000 e 2004, totalizando 203 réus. O resultado é que, entre as ações cujos acusados eram agentes do Estado, houve 18% de condenações. Nos processos com denunciados comuns, sem função pública, esse índice subiu para 50%.
Na avaliação de Maria Gorete Marques de Jesus, pesquisadora responsável pelo estudo, é flagrante a diferença no tratamento entre acusados de tortura comuns e os ligados ao Estado. Quando o réu tem relação com o governo, diz, a vítima é colocada em descrédito, como se ela tivesse inventado a denúncia. No caso do processado comum, a coisa se inverte, é o réu quem não tem a confiança do tribunal. Para Luís Fernando Camargo de Barros Vidal, presidente da Associação Juízes para a Democracia, tal constatação pode ser facilmente percebida no dia a dia dos julgamentos. "Há uma tolerância das autoridades em todos os níveis, na polícia, no Ministério Público, no Judiciário, entre advogados, no que diz respeito à violência institucionalizada", lamenta
Vidal destaca, ainda, a dificuldade que o sistema de segurança pública e de Justiça têm, hoje, de fiscalizar e punir exemplarmente. "Muito por conta dessa mentalidade que persiste, dessa tolerância", reforça. Subsecretário da Secretaria Especial de Direitos Humanos (SEDH), ligada à Presidência da República, Perly Cirpiano lembra que a violência praticada pelo Estado está arraigada no país desde a colonização, passou pela escravidão, continuou no regime militar e persiste até hoje. "O fato de não ter havido uma punição para os torturadores da ditadura dá a sensação de impunidade aos atuais agentes do Estado", afirma Cipriano, que foi torturado nos anos de chumbo.
Para Cynthia Pinto da Luz, coordenadora de organização do Movimento Nacional dos Direitos Humanos, só falta vontade política para punir os criminosos que torturam com a credencial do Estado. "Há vista grossa de absolutamente todos os setores em todo o país", diz. A especialista refuta qualquer tipo de explicação para o número baixo de processos que chegam a serem julgados e, posteriormente, quase nunca terminam em condenação. "Não é falta de provas, inconsistência de depoimentos, nada disso. Vemos que há, nas ações, elementos claros de violência, de tortura. Mas as penas, quando existem, são sempre brandas. No máximo, o criminoso é afastado de sua função".

Aparência - Ela aponta a existência no Brasil de um discurso de democracia que não passa de "aparência". A sociedade, na avaliação de Vidal, acaba aplaudindo e concordando com a violência e tortura institucionalizadas porque não consegue ampliar os conceitos. "É preciso haver uma compreensão de observar e exigir os direitos dos outros. Amanhã pode ser eu no lugar do hoje condenado, indesejado, execrado".

A legislação que tipificou a tortura no Brasil foi criada após um caso ocorrido em 1997, na Favela Naval, em Diadema (SP). Policiais foram flagrados por uma câmera agredindo e torturando os moradores. Mesmo assim, ainda é difícil, muitas vezes, provar o crime de tortura.

in http://www.diariodepernambuco.com.br/2009/12/27/brasil10_0.asp

sábado, dezembro 19, 2009

Educación Para a Diversidad Um Artigo de Jorge Sampaio

Cómo convivir cuando la diversidad, étnica, lingüística, religiosa o cultural incrementa el desasosiego, divide a las comunidades y somete a creciente presión las democracias? Últimamente, fracturas económicas, sociales, culturales y religiosas exacerban las tensiones intercomunitarias fomentando la errónea noción de que estamos abocados a un "choque de civilizaciones".

Es esencial activar el diálogo para tender puentes, superar conflictos y promover un mejor entendimiento entre los pueblos. Para combatir estereotipos e ideas falsas que provocan hostilidad y desconfianza hay que buscar la raíz de las tensiones que dividen a las sociedades y culturas. Las tensiones se inflaman cuando individuos o grupos perciben amenazados sus valores e identidad. Las oleadas migratorias, particularmente en Europa, han generado resentimiento y hostilidad. Inequívoco indicio del malestar es el éxito de partidos de extrema derecha que propugnan programas anti-inmigración en diversos países europeos.

No podemos ignorar el alcance de unos síntomas indicadores de un creciente sentimiento de inseguridad susceptible de minar la cohesión social y el modelo de inclusión europeos. Cuestiones como el velo islámico, el lugar de la religión en las escuelas y la igualdad de género, muestran la pervivencia de fuentes de tensión y la presencia de fuerzas dispuestas a explotarlas. La iniciativa popular contra nuevos minaretes en Suiza revela un profundo malestar e ilustra cómo el miedo y los prejuicios enturbian la convivencia.

Las tensiones aparecen también al cuestionarse derechos de las minorías y su lugar en las sociedades, que se enfrentan así a cómo cohonestar los derechos de las comunidades culturales salvaguardando la cohesión social.

En tiempos de tensiones interculturales es importante defender los derechos de las minorías, frecuentemente hostigadas y discriminadas. También lo es apreciar los beneficios que aportan los inmigrantes.

Es indispensable promover una educación para la diversidad para desarrollar conocimientos y aptitudes interculturales en la juventud, y el aprendizaje durante la vida para fortalecer las bases comunes de la convivencia. Eduquemos para los derechos humanos, la ciudadanía y el respeto del otro; para la comprensión mutua y el diálogo intercultural; para la enseñanza "mediática" y la de religiones y creencias; para el diálogo en y entre religiones.

Adquiramos conocimientos interculturales enseñándolos a nuestros ciudadanos y creemos estrategias urbanas para el diálogo intercultural. Necesitamos políticas para la juventud, basadas en la igualdad de oportunidades. Impliquemos a la sociedad civil entera, juventud, líderes religiosos y medios de comunicación.

La Alianza de Civilizaciones aborda las divisiones en y entre comunidades, las "musulmanas y occidentales" especialmente, para promover políticas de gobernanza democrática de la diversidad basadas en un paradigma de respeto a las diferentes culturas y religiones. Pretende desarrollar y profundizar, priorizándolo, el diálogo intercultural en las relaciones internacionales.

Las luchas culturales y políticas evidencian la oportunidad de este enfoque estratégico y la necesidad de políticas novedosas a distintos niveles. De aquí que haya que apostar por la gobernanza democrática de la diversidad en un mundo complejo donde las percepciones polarizadas se nutren de estereotipos y prejuicios, pero también de realidades y de conflictos políticos. Para reducir la división entre sociedades musulmanas y occidentales habrá que resolver previamente algunos de esos conflictos. Pero incluso resueltos, persistirán la suspicacia y la hostilidad que fracturan las sociedades a lo largo de divisiones culturales y religiosas.

Hay unanimidad respecto del profundo foso de percepción que separa a occidentales y musulmanes. Visto en términos de oposición entre dos supuestos bloques monolíticos, islam y Occidente, este foso alimenta más los estereotipos y la polarización, favoreciendo el extremismo. Sin embargo, la mayoría de los pueblos rechaza el extremismo y apoya el respeto de la diversidad. Tanto musulmanes como no musulmanes comparten idéntica preocupación sobre seguridad, estabilidad y paz. Millones de musulmanes temen ver a sus hijos ganados para el extremismo.

Para afrontar este problema es esencial desarrollar nuevas estrategias de promoción del diálogo interreligioso, en el marco de la gobernanza democrática de la diversidad cultural basada en los principios de universalidad de los derechos humanos y libertades fundamentales, igualdad de oportunidades, solidaridad económica y cohesión social.

La Alianza de Civilizaciones persigue cambiar las mentalidades en las sociedades divididas. Tenemos que sensibilizar a los actores políticos en la necesidad de invertir en políticas públicas relacionadas con la diversidad cultural y el diálogo intercultural, dirigidas a desarrollar conocimientos y aptitudes interculturales. Hagamos un frente común para superar las dificultades presentes y aprovechémoslo para abrir nuevas vías hacia un mejor entendimiento y una cooperación reforzada. Demos una oportunidad a un diálogo que, más allá de las palabras, obtenga resultados.


Jorge Sampaio, ex presidente de Portugal, es Alto Representante de Naciones Unidas para la Alianza de Civilizaciones.

http://www.elpais.com/articulo/opinion/Educacion/diversidad/elpepuopi/20091219elpepiopi_5/Tes

sexta-feira, dezembro 18, 2009

Justiça Condena e Universidade suspende alunos acusados de racismo em SP

O Centro Universitário Barão de Mauá afastou os jovens acusados de agredir e ofender de forma racista um jardineiro de 55 anos, em Ribeirão Preto, interior de São Paulo, no último sábado (12). A instituição estuda o cabimento de possíveis punições aos alunos do curso de Medicina. As agressões e as ofensas, no entanto, não ocorreram dentro da universidade.

A Justiça libertou provisoriamente os universitários após pagamento de fiança, cada um, no valor de R$ 5.580. De acordo com o advogado Carlos Roberto Mancini, os três estudantes, Abrahão Afiune Júnior, 19 anos, Emílio Pechulo Ederson, 20 anos, e Felipe Giron Trevizani, 21 anos, tiveram o pedido de liberdade provisória concedido na noite de sábado.

Segundo a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP), os jovens, que foram presos na manhã de sábado, gritaram "seu negro" para chamar o jardineiro, que foi atacado quando ia ao trabalho de bicicleta. A vítima teve a perna e as costas feridas.

Após chamarem a atenção do jardineiro, os estudantes teriam descido do carro, um Fox preto, e agredido o homem com o tapete do veículo. Com a violência sofrida, a vítima, que já estava com ferimentos nas costas, caiu de sua bicicleta e machucou a perna. Os estudantes foram indiciados por injúria real e discriminação.

quarta-feira, dezembro 16, 2009

Protesto contra Corruptos: Cfess Condena Violência Policial contra estudantes

VIOLÊNCIA POLICIAL CONTRA ESTUDANTES E TRABALHADORES EM BRASÍLIA


CFESS defende os Direitos Humanos e reafirma sua luta contra a opressão

“É inaceitável que um Estado que se reivindica democrático autorize seu aparato policial para coibir, pela violência, manifestantes que saem às ruas para defender valores éticos e probidade na gestão pública.”



O CFESS expressa sua indignação com a violência de Estado praticada pela Polícia Militar do Distrito Federal, às vésperas do Dia Internacional dos Direitos Humanos, contra estudantes e trabalhadores que faziam manifestação pacífica e legítima nas ruas de Brasília.



A brutal repressão contra o direito de se manifestar publicamente remeteu aos confrontos mais violentos do período do Regime Militar. As imagens veiculadas em cadeia nacional, por jornais e redes de TV, chocaram a sociedade e exigiram um posicionamento de todas as pessoas que lutam pelos Direitos Humanos no país.



Leia o CFESS Manifesta e conheça o posicionamento do CFESS



Conselho Federal de Serviço Social - CFESS
Gestão Atitude Crítica para Avançar na Luta - 2008-2011
Comissão de Comunicação
Bruno Costa e Silva - Assessor de Comunicação/CFESS
www.cfess.org.br

Serviço Social, História e Memoria Social

sábado, dezembro 12, 2009

Cpihts Publica artigo de Carlos Montaño O SERVIÇO SOCIAL FRENTE AO NEOLIBERALISMO

Carlos Eduardo Montano, Doutor em Serviço Social e Professor Adjunto da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Conferencista e Professor Visitante em diversos países latino-americanos. Autor dos livros: A Natureza do Serviço Social (Cortez, 2007), Microempresa na era da globalização (Cortez, 1999) e Terceiro Setor e questão social (Cortez, 2002). É Coordenador da Biblioteca Latino-americana de Serviço Social (Cortez). Foi membro da Direção Executiva da ALAEITS (Associação Latino-Americana de Ensino e Pesquisa em Serviço Social, 2006-2009) e atualmente é Coordenador Nacional de Relações Internacionais da ABEPSS (Associação Brasileira de Ensino e Pesquisa em Serviço Social, 2008-2010). Bolsista CAPES para estudos de pós-doutoramento no Instituto Superior Miguel Torga (Coimbra, Portugal) em 2009-2010.

Consulte in www.cpihts.com
O SERVIÇO SOCIAL FRENTE AO NEOLIBERALISMO
MUDANÇAS NA SUA BASE DE SUSTENTAÇÃO FUNCIONAL-OCUPACIONAL

quinta-feira, dezembro 10, 2009

Estado Norte-Americano Indemniza Indios Liderados por Elouise Cobell


La Casa Blanca devuelve 2.250 millones a los indios tras 43 años de pleitos


DAVID ALANDETE - Washington

09-12-2009


Después de más de 100 años de lucha, el hombre blanco y el indio nativo norteamericano enterraronel hacha de guerra. En realidad fueron dos afroamericanos, el presidente, Barack Obama y el fiscal general, Eric Holder, quienes se impusieron como prioridad devolver a las tribus indias lo que por derecho propio les pertenece. Esta semana lo cumplieron, llegando a un acuerdo sin precedentes, que devuelve a los indios 3.300 millones de dólares (2.250 millones de euros) en fondos de inversión y pago por tierras arrendadas al Gobierno.

En 1966, Elouise Cobell, una banquera india, de la tribu de los pies negros y descendiente del mítico Jefe de la Montaña, presentó una demanda por supuesta mala gestión pública de los fondos de inversión que el Gobierno federal creó en el siglo XIX. Según sus cálculos, Washington les había estafado más de 137.000 millones de dólares, 92.000 millones de euros. Cobell representaba a 300.000 indios. Todos ellos secundaron la denuncia, creando la mayor demanda colectiva que se ha presentado contra el Gobierno federal de Estados Unidos.

Muchos indios y sus descendientes llevaban décadas recibiendo cheques anuales por cantidades ridículas, como el equivalente actual de 60 centavos de dólar, 40 céntimos de euro. El sistema de fondos de inversión se creó en 1887 para compensar el arrendamiento forzoso de tierras en las que ancestralmente habían residido tribus enteras. El Gobierno de EE UU gestiona unos 22 millones de hectáreas que en su día pertenecieron a la población nativa. Con los años, los propietarios de aquellos terrenos murieron y los dejaron en las manos de generaciones enteras de descendientes. Hoy, una hectárea puede estar en manos de decenas de personas.

"Esta cuestión ha sido una causa de problemas y de vergüenza desde la infancia de este Gobierno", fueron las palabras del presidente Chester Arthur en 1887. Finalmente, el martes, ambas partes, los indios y el Gobierno, llegaron a un acuerdo de compensación, con la inyección de 1.400 millones de dólares a los fondos de inversión para repartir entre sus propietarios, y la creación de un programa dotado con 2.000 millones para comprar terrenos en manos de nativos. Obama les ha propuesto a los indios comprarles las tierras, hasta ahora muy fragmentadas, unirlas en terrenos mucho más grandes y devolvérselas a las tribus para su propio uso común.

En un comunicado, el presidente dijo: "Con este anuncio, damos un paso importante para la reconciliación sincera entre los beneficiarios de esos fondos y el Gobierno federal". Los demandantes no se consideran del todo satisfechos. "No hay duda de que es una cantidad menor a la que los indios tienen derecho", dijo Cobell, la denunciante. "Pero nos vemos obligados a aceptar el acuerdo al darnos cuenta de que nuestro grupo merma cada año, cada día, mientras nuestros ancianos mueren".