segunda-feira, janeiro 18, 2010

Serviço Social Barbarie e Neoconservadorismo: Os Desafios do Projecto Ético-Político

Barbárie e Neoconservadorismo: Os desafios do projeto ético-politico.


Lucia Barroco
( Palestra realizada no Congresso “30 anos da Virada” ; São Paulo, 17 de novembro de 2009)

Bom dia. Quero saudar a todos (as) assistentes sociais, alunos e alunos, às entidades CFESS/CRESSSP/ABEPSS/ENESSO, As queridas companheiras de mesa, Carmelita, Sara, Ana Elisabete, Samya e Silvana Mara.

Nesse mesa de diálogos, coube a mim trazer uma reflexão sobre os desafios do projeto ético-politico na atual conjuntura, sob a perspectiva da ética.

Isso requer uma breve referência às tendências ideo-culturais que atravessam as relações sociais produzindo formas de hegemonia e de resistência política, com suas motivações e exigências ético-morais, nos marcos da expansão destrutiva do capitalismo financeiro e da implantação das políticas neoliberais .

As transformações operadas no capitalismo mundial, a partir da década de 70 do século XX pela ofensiva do capital, alteraram as relações sócio-econômicas instaurando um processo inédito de degradação humana que atingiu todas as esferas da vida social, em suas diversas dimensões. O desemprego estrutural e a desregulamentação dos direitos, a violência estrutural e o aprofundamento das desigualdades, a assombrosa concentração econômica e política nas mãos das elites, marcam a expansão destrutiva do capitalismo financeiro e a implantação das políticas neoliberais a partir desse marco.

Aliada à degradação econômica, que contribui para desestruturar formas de solidariedade e motivações políticas, a derrocada do socialismo no leste europeu também rebateu na organização política dos trabalhadores e na desmobilização de suas entidades de classe, enfraquecendo os sindicatos e os partidos, contribuindo para a fragilização de sua consciência de classe, ampliando o espaço para a assimilação de resistências despolitizadas e individualizadas.

Determinados ethos se revelam nesse contexto, na direção da apologia da ordem burguesa. Novas necessidades de acumulação acentuaram a tendência capitalista de mercantilização das relações humanas: o individualismo possessivo, típico do ser social burguês, adquire novas configurações em face da exacerbação do consumismo e da comunicação virtual valorizadora das imagens se expressando através de um ethos narcísico: o indivíduo centrado na vida privada, no intimismo, na indiferença social: sua igreja é o shopping; seu reino é o mundo virtual; seus mitos são as imagens que – fetichizadas em um espaço imaginário – desmaterializam o mundo real, criando uma segunda vida onde os desejos consumistas podem ser satisfeitos sem a presença do outro: o eterno empecilho a sua liberdade. Ídolos e mitos são reproduzidos incessantemente pelo mercado da publicidade e pela indústria cultural: Barbies, séries de TV, filmes, novelas, propagandas para todas as idades e classes sociais, especialmente para os extratos de classe média. Incentiva-se não apenas o consumismo, mas, também a preocupação com tudo que desvie os indivíduos da vida publica e da política: questões pessoais, de auto-ajuda, problemas íntimos, familiares, psicológicos: uma forma de controlar as tensões sociais e ao mesmo tempo imprimir um modo de ser necessário à apologia do capital.

Seu exemplo mais recente é o sucesso mundial estrondoso do filme Lua Nova e da serie de TV Crepúsculo, americanos, que contam a historia de uma jovem de classe media que se apaixona por um colega que é um vampiro adaptado aos valores conservadores da classe média. O vampirismo é o símbolo do individualismo possessivo nas relações amorosas fundadas em valores das classes médias. A série já vendeu mais de dois milhões de livros no Brasil, prevendo-se que o filme atinja sete milhões. de espectadores: multidões de jovens enlouquecidos que no Brasil passaram duas noites sem dormir, no aeroporto à espera dos atores. Segundo Ianni, parte da cultura nazifacista está presente na indústria cultural do capitalismo globalizado.

Diferentes manifestações contemporâneas expressam componentes neofacistas: estupros coletivos, genocídios, torturas, intolerâncias religiosas, étnico-racias. Os movimentos neonazistas, vinculados a partidos de extrema direita, como os skinheads, são fenômenos atuais, como estudos têm mostrado, entre o seu surgimento, nos anos 70, em função do desemprego estrutural, a precarização das condições de vida das classes trabalhadoras e a origem de classe de seus integrantes: na Europa e no Brasil, são jovens, filhos de operários, trabalhadores do subúrbio e das periferias das grandes cidades e minoritariamente das classes médias empobrecidas. Segundo dados do serviço secreto alemão, após a queda do Muro de Berlim, em 1999, existiam cerca de 3.000 skinheads na antiga Alemanha oriental e 1.200 na ocidental. Ocorreram 2.500 atentados de caráter xenófobo na Alemanha em 1992 e em 1993, ocorreram 6.000 atentados, constatando-se que vários deles tiveram o apoio da população.

Ao mesmo tempo, formas de ser neoconservadoras, buscam legitimar ideologicamente a repressão aos trabalhadores, a criminalização aos movimentos sociais e a pobreza, a militarização da vida cotidiana. Em essas formas, existe a violência contra o outro e em todas elas, em diferentes graus, existe uma dimensão ética que se expressa, entre outros aspectos, na negação do outro: quando o outro é discriminado lhe é negado o direito de existir como tal.

São manifestações neoconservadoras as que presenciamos dias atrás quando jovens universitários – homens e mulheres – insultaram selvagemente uma aluna em função de sua mini saia – avanço da geração dos anos cinqüenta do século passado – e como se não bastasse diante dessa atitude medieval a aluna foi expulsa da universidade.

Certamente parte da sociedade não concorda com essas práticas; a parcela que está aqui representando o Serviço Social, os movimentos populares democráticos, os partidos políticos e as entidades de classe dos trabalhadores, milhares de sujeitos políticos que no mundo inteiro se manifestam de formas variadas na resistência à desumanização, em confronto com o capital, na resistência ao avanço das políticas neoliberais, no processo de luta pela hegemonia em busca da construção de novos projetos e de uma nova sociedade. Os piqueteiros, as Mães da Praça de Maio, na Argentina, os Zapatistas, México, o MST, no Brasil, os movimentos de indígenas, na Bolívia e Equador, outras centenas de movimentos populares democráticos que desde 2001 se reúnem nas edições do FSM em torno da idéia de que “Outro mundo é possível”. No entanto, o cenário histórico tem mostrado uma crise de hegemonia da esquerda e dos projetos socialistas, de modo geral.

O neoconservadorismo, reatualização do conservadorismo moderno sob a influencia das idéias neoliberais, apóia-se em mitos, motivando atitudes autoritárias, discriminatórias e irracionalistas, valorizadoras da hierarquia, das normas institucionalizadas, dos valores morais tradicionais, da ordem e da autoridade. Quero ressaltar uma expressão dessa ideologia: o medo social.

Temos medo de algo real ou imaginário. Quando o objeto do medo é tratado moralmente, torna-se sinônimo do mal. Ao mesmo tempo em que a moral serve ideologicamente para dar identidade ao objeto do medo; ela passa a justificar uma inversão na moralidade do sujeito: na luta contra o mal toda moral é suspensa, tudo é válido: o mal acaba justifica o próprio mal, a morte, a tortura, a eliminação do outro. Quando essa ideologia do medo é internalizada na vida cotidiana, uma situação de insegurança excepcional passa a ser vivida como algo que pode ocorrer a qualquer momento, um estado de alerta típico de situações de guerra.

Após os atentados de 2001, nos EUA, foram produzidos centenas de filmes, seriados e programas virtuais, incentivando a insegurança e a idéia moral do outro como ameaça permanente. Não é preciso dizer quem é o outro. 24 horas, um dos seriados de maior sucesso, passado no Brasil, deixou isso claro: na série, nenhum lugar do mundo é seguro; a qualquer momento a vida pode se tornar um inferno pelas mãos do mal: terroristas, criminosos, traficantes. A política de tolerância zero e o Estado policial seguem essa lógica neofascista reproduzida na Europa, na discriminação contra os imigrantes a exemplo das milícias populares na Itália, e no Brasil, pela criminalização dos movimentos sociais e da pobreza, e na atual institucionalização da militarização do cotidiano pelo estado.

O filme brasileiro, Tropa de Elite, de 2007, que perdeu o Oscar para outro filme também violento cujo titulo é sugestivo: “Por que os fracos não têm vez”, mostra essa lógica. O violento treinamento físico e condicionamento psicológico exigido aos integrantes do Bope têm por finalidade a sua desumanização, o que significa incorporar a ideologia da guerra permanente, o que permite a suspensão de qualquer resquício de uma moralidade humanitária na consciência dos agentes: guerra é guerra. Diante dessa palavra chave qualquer moral é suspensa: tudo é válido: os fins justificam os meios.

Estudos sobre a violência no Rio de Janeiro (Batista, 2003), apontam essa ideologia na guerra ao narcotráfico: uma herança da doutrina de segurança nacional usada na ditadura: a ideologia da guerra contra o inimigo interno. Na guerra atual o discurso é moral e religioso: a droga aparece como uma metáfora diabólica contra a civilização cristã: uma cruzada contra o mal, uma guerra santa contra o traficante herege. Repete-se a lógica do Bope: guerra é guerra.

Desse modo, o filme é realista ao mostrar a lógica que move as forças de repressão no Brasil, antecipando o que veio a ser implantado definitivamente nesses dias com o projeto de lei aprovado pelo presidente da republica, que estende para as forças armadas, exercito, marinha e aeronáutica, o poder de policia, em clara consonância com a tentativa de acabar até 2012, com as tensões sociais exterminando aqueles que estão no varejo do trafico de drogas, parte da nossa juventude pobre, enquanto se reproduz a indústria capitalista da guerra e do narcotráfico.

Essas breves observações tiveram por finalidade apontar um cenário propicio à objetivação de idéias e práticas neoconservadores e narcísicas, que obviamente não se restringem às aqui apresentadas, e que coexistem com formas de oposição e de resistência, a exemplo da indignação de alunos e entidades de defesa dos Direitos Humanos, que prontamente se manifestaram em face da discriminação da aluna aqui citada e de tantas outras práticas, denúncias, resistências, mobilizações e lutas constitutivas do universo das forças políticas democrático-populares e do conjunto das classes trabalhadoras brasileiras.

Assim, considerando que o cenário atual pode ser facilitador da reatualização de projetos conservadores na profissão, mas entendendo também que nossa trajetória de lutas, inserida nesse universo de resistências da sociedade brasileira permite esse enfrentamento, quero afirmar que do ponto de vista ético-politico a busca de ruptura com o conservadorismo no serviço social princípio e objetivo que norteou o que o projeto ético-politico nesses 30 anos é nesse momento renovado como um grande desafio: o enfrentamento de suas novas formas ético-morais e manifestações teórico- políticas.

Assinalo então algumas questões para reflexão e debate:

 Em primeiro lugar cabe refletir sobre as bases sociais do nosso projeto ético-politico. Sabemos que seu surgimento foi determinado fundamentalmente em função de certas e sujeitos e condições históricas: o protagonismo das classes trabalhadoras no processo de redemocratização da sociedade brasileira. O nosso projeto está direcionado socialmente às classes trabalhadoras: sujeitos de nossa ação. Sendo assim, a nossa força política está articulada, ainda que não seja de forma mecânica, ao avanço das lutas dos trabalhadores, mesmo porque também somos trabalhadores.

 Nesse sentido, o enfrentamento do neoconservadorismo, sob o ponto de vista profissional, é de caráter político em dois aspectos articulados. Por um lado, é preciso que nossa organização política esteja fortalecida e renovada com novos quadros, supondo trabalho de base, junto à categoria, com as entidades de representação, as unidades de ensino, os profissionais e alunos. Por outro lado, nós só conseguimos consolidar politicamente o nosso projeto, na direção social pretendida, se tivermos uma base social de sustentação; logo, a articulação com os partidos, sindicatos, entidades de classe dos trabalhadores, movimentos populares e democráticos, associações profissionais, entidades de defesa de direitos, é fundamental; e o avanço político do nosso projeto está articulado ao avanço dessas forças sociais mais amplas. Ao mesmo tempo, é preciso ter clareza de que essa luta é limitada, uma vez que ela envolve dimensões que vão alem da profissão: como diz Marx ao se referir à alienação religiosa, a critica das ilusões é a exigência de acabar com as condições objetivas que fazem os homens precisarem viver de ilusão (Marx, 1991).

 A reatualização do conservadorismo é favorecida pela precarização das condições de trabalho e da formação profissional, pela falta de preparo técnico e teórico, pela fragilização de uma consciência critica e política, o que pode motivar a busca de respostas pragmáticas e irracionalistas, a incorporação de técnicas aparentemente úteis em um contexto fragmentário e imediatista. A categoria não está imune aos processos de alienação, à influência do medo social, a violência, em suas formas subjetivas e objetivas. Isso coloca um imenso desafio ao projeto ético-politico, na medida em que a sua viabilização não depende apenas da intencionalidade dos profissionais, tendo em vista as suas determinações objetivas, nem se resolve individualmente. Alem disso, não podemos ignorar que o conservadorismo tem raízes históricas na profissão: para parcela da categoria, trata-se de uma opção política conscientemente adotada. Nesse sentido, a conjuntura pode favorecer a sua reatualização; sob novas roupagens e demandas.

 A dimensão ética desse enfrentamento supõe aspectos teóricos e políticos. O Neoconservadorismo tem diversas formas de expressão. Seu conhecimento exige a pesquisa e o estudo, em suas configurações na sociedade contemporânea e brasileira, como pensamento teórico e projeto político-ideológico e em seu rebatimento particular na profissão, em sua dimensão ética e moral. É preciso conhecer nossa categoria, nossos alunos e a população que atendemos para que não sejam reproduzidos mitos e idealizações;

 A ideologia neoconservadora tende a se irradiar nas instituições sob formas de controle pautadas na racionalidade tecnocrática e sistêmica tendo por finalidade a produtividade, a competitividade e a lucratividade, onde o profissional é requisitado para executar um trabalho repetitivo e burocrático, pragmático e heterogêneo que não favorece atitudes críticas e posicionamentos políticos. Instituições voltadas à coerção, como prisões, delegacias, casas para jovens infratores, abrigos, instituições jurídicas, demandam ao assistente social atividades de controle e censura: avaliações de situações que envolvem os sujeitos criminalizados moralmente e julgados como irrecuperáveis pelo poder dominante. A ideologia da guerra e do medo social está incorporada nestas instituições de formas diversas, como mostram diversos relatos de usuários. O discurso dominante é o da naturalização e moralização da criminalidade, as praticas de encaminhamento são seletivas baseadas em critérios morais, de classe, de raça e condição social. O assistente social precisa estar capacitado para enfrentar esse discurso, para não reproduzi-lo reeditando o conservadorismo profissional, para não atender as novas requisições do estado policial, para não incorporá-las exercendo a coerção. Esse enfrentamento ético-politico supõe estratégias coletivas de capacitação e organização política, de discussão nos locais e de trabalho, de articulação com outras categorias, entidades e com os movimentos organizados da população usuária;

 O enfrentamento teórico do neoconservadorismo é um empreendimento que supõe a desmistificação dos seus pressupostos e dos seus mitos irracionalistas que falseiam a história. A crítica dos valores é uma tarefa especifica da ética, em sua explicitação do significado do uso ideológico dos valores éticos. Nos últimos 20 anos todos falam em ética: nem todos dizem em qual direção, com qual projeto, com qual significado. O código de ética é usado como uma “senha”; o projeto ético político é utilizado como “mito”. Mas o CE tem uma concepção que dá significado aos seus valores; eles não universais abstratos; se são retirados do seu contexto viram abstrações que servem para falsear a história como faz a ideologia dominante em sua apologia da guerra contra o mal.

 É também um desafio ético o incentivo à criação de núcleos de pesquisa e de estudos voltados à capacitação em ética e direitos humanos, demandas dos alunos e profissionais que precisam ser atendidas de forma qualificada, para identificar análises irracionalistas, presentes no ideário pós-moderno, que negam a universalidade dos valores, a perspectiva de totalidade, a luta de classes, o trabalho, o marxismo, afirmando um pluralismo apoiado no ecletismo e na relativização da verdade objetiva, passível de ser apreendida pela razão dialética. Outro desafio é desenvolver a análise histórica dos DH, para não repetirmos as visões abstratas que remetem aos postulados tradicionais do Serviço Social, reeditando a pessoa humana com citações de Marx;

 Formas de capacitação que tem se desenvolvido através da utilização de meios virtuais, tem contribuído para retirar do ensino a possibilidade interativa exigida pelo conhecimento critico. Cursos à distância, salas de discussão virtual, leituras virtuais, entre outras, são algumas das formas de reprodução do neoliberalismo contemporâneo: o indivíduo isolado e passivo diante de uma maquina se comunicando com imagens e idéias que substituem as relações humanas por relações entre objetos e imagens fetichizadas. Além disso, a utilização institucionalizada dos meios virtuais envolve inúmeras questões éticas como a divulgação de dados sigilosos, além de permitir a possibilidade de plágio, etc.
 As instituições de ensino, responsáveis pela transmissão do conhecimento, tendem a se adequar a lógica do mercado: empresas que vendem mercadorias; a força de trabalho de professores, super explorados e desapropriados dos meios de seu trabalho: a pesquisa, o tempo para o estudo, a construção do conhecimento como totalidade. O produto final dessa precarização subjetiva em curso, nas instituições mercantis é o empobrecimento material e espiritual da juventude, que uma vez profissionalizada tem poucos recursos para realizar seus possíveis ideais, já fragilizados pelas condições objetivas da sociabilidade burguesa.
 Só é possível fazer essas observações criticas e pretender enfrentá-las porque já dispomos - enquanto categoria profissional - de um acúmulo teórico e político nos capacitou para apreender a realidade além de sua aparência, em uma perspectiva de histórica e de totalidade, ou seja, buscando perceber a relação entre os fenômenos, em suas mais intimas e ocultas determinações. Ora, esse acúmulo foi obtido através de um longo a árduo processo de trinta anos; um esforço teórico e político que contou com o trabalho de assistentes sociais, mulheres e homens que aqui estão nessa mesa e plenária e outros que não estão; um processo de luta política que foi travado a duras penas durante a ditadura e depois dela por profissionais que fizeram a virada em 1979, dos que assumiram a direção das entidades, dos alunos e alunos que encamparam essa luta e a renovam cotidianamente.
 Se temos uma herança conservadora, também temos uma história de ruptura: um patrimônio conquistado que é nosso, mas cujos valores, cujas referencias teórica, cuja força para a luta não foram inventados por nós. Trata-se de outra herança que pertence à humanidade e que nós resgatamos dos movimentos populares revolucionários, das lutas democráticas, do marxismo, do socialismo, e incorporamos ao nosso projeto.
 Os pilares que sustentam o nosso projeto ético-politico em sua dimensão de ruptura - o marxismo, o ideário socialista da emancipação humana, o compromisso com as classes trabalhadoras e com a realização de um Serviço Social que atenda os seus reais interesses e necessidades, e busca de ruptura com o conservadorismo, em todas as suas formas – constituem o nosso mais valioso patrimônio que espero possamos cuidar como muito amor e coragem. Obrigada.

Bibliografia
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BARROCO, Maria Lucia Silva. “A historicidade dos Direitos Humanos” In Forti, Valeria e Guerra, Yolanda. Ética e Direitos: Ensaios Críticos. Rio de Janeiro, Lumen Júris, 2009.
_____________________ Bandidos, mitos e bundas: moral e cinema em tempos violentos. Festival SESC de Melhores Filmes. São Paulo: SESCSP, 2008.
BRAZ, Marcelo. “Notas sobre o projeto ético-político”. Assistente social: ética e direitos. Rio de Janeiro, CRESS-7 a. Região, 2005.
CHAUI, Marilena. “Direitos humanos e medo”. In Direitos Humanos e ... São Paulo: Editora Brasiliense, 1989.
Conselho Federal de Serviço Social (CFESS). Código de Ética do Assistente Social. Brasilia, CFESS, 1993.
IAMAMOTO, Marilda. Serviço em tempo de capital fetiche. São Paulo: Cortez, 2007.
JAMESON, F. A virada cultural: reflexões sobre o pós-moderno. São Paulo: Civilização Brasileira, 2006.
KEHL, Maria Rita. E BUCCI, Eugênio. Videologias. São Paulo: Boitempo, 2004, Coleção Estado de Sítio.
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Lukács, Georg, El assalto a la razon: la trayectoria del irracionalismo desde Schelling hasta Hitler, Barcelona, México, DF Ediciones Grijalbo, 1968
MARX, Karl. A questão Judaica. São Paulo, Editora Moraes, 1991.
MÉSZÁROS, István. A crise estrutural do capital, São Paulo, Boitempo (Coleção Mundo do Trabalho), 2009.
NETTO, José Paulo “A construção do projeto ético-político do Serviço Social frente à crise contemporânea” In Capacitação em Serviço Social e Política Social: Módulo 1: Crise Contemporânea, Questão Social e Serviço Social. Brasília: CFESS/ABEPSS/CEAD/UNB, 1999.
OZ, Amoz. Contra o fanatismo. Lisboa, Porto: Asa Editores, 2007.
TRINDADE, José Damião de Lima. História Social dos Direitos Humanos. São Paulo: Peirópolis, 2002.
VAZQUEZ, Adolfo Sanchez. “Anverso y reverso de la tolerância” in Entre la realidade y la utopia: ensayos sobre política, moral y socialismo. México, Universidad Nacional Autônoma de México; Fondo de Cultura Econômica: 1999.
TROTSKY, Leon. Moral e revolução. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1978.
WACQUANT, Loic. Punir os pobres: a nova gestão da miséria nos Estados Unidos. Rio de Janeiro. Revan, 2007.

sexta-feira, janeiro 15, 2010

Cuban social workers help out in Haiti

Cuban social workers help out in Haiti Havana.– Cuban social workers who assisted with an energy-saving program in Haiti finished their effort and were bid farewell by Serge Raphael, director of the electric company of that country.

Raphael expressed the gratitude and recognition of Haitian President Rene Preval and Prime Minister Jacques Edouard Alexis at a ceremony also attended by Cuba’s ambassador Raul Barzaga, Granma Newspaper reported .

As a result of the social workers efforts 2.8 million low-energy consumption light bulbs were installed, 7 percent more than originally planned, reported Prensa Latina.

The Cubans carried out their work in several departments of Haiti. This included visits to 93,572 homes and 63,000 workplaces, state government statistics

NASW Social Workers Prepared to Help Victims of Haiti Earthquake

Social Workers Prepared to Help Victims of Haiti Earthquake
NASW encourages members to get involved


WASHINGTON DC—In the aftermath of the deadly earthquake in Haiti this week, the National Association of Social Workers (NASW) is issuing an alert to its nearly 150,000 members to help support recovery efforts for victims and their families. In disasters such as this, social workers are uniquely suited to assess the disaster environment in a culturally competent manner and to provide leadership in promoting effective disaster relief and recovery efforts.

“Social workers are often among the first to respond to disasters both nationally and abroad,” says Elizabeth Clark, PhD, ACSW, MPH, executive director of NASW. “The people of Haiti need our help now more than ever, and we are committed to providing any assistance we can to one of the world’s poorest countries during this terrible tragedy.”

“If you would like to join with your social worker colleagues in the social work response to this disaster, you can donate through the NASW Foundation’s Social Work Disaster Assistance Fund to assist social workers and/or social welfare organizations who can provide help.”

•Click here to donate to The Social Work Disaster Assistance Fund
•Join our Facebook Cause

Social workers are already helping through various organizations both nationally and internationally. NASW is a member of InterAction, the largest coalition of U.S-based international non-governmental organizations (NGOs) focused on the world’s poor and most vulnerable people. Many NGO members of this coalition were active in Haiti prior to the earthquake and have been mobilizing immediate aid to survivors in the past few days. Social workers have a strong presence within these organizations. Social workers can also make contributions to organizations listed here:

•American Red Cross www.redcross.org
•InterAction member organizations active in Haiti
•United Nations Central Emergency Response Fund (CERF) –for the delivery of urgent medical care, food, and water to the victims of the earthquake in Haiti through UN agencies such as UNICEF, WHO, the World Food Program, UNDP, UNFPA, IOM.
Social workers can also help by offering disaster recovery services through organizations working in Haiti. Tragic events of this magnitude often require the expertise of social workers who can immediately provide their crisis management, community organizing and mental health support skills. Social workers with prior disaster relief experience can register with the Center for International Disaster Information to volunteer their time and expertise to this important cause. Or for those with more experience and seeking longer-term paid positions, social workers can search for vacancies with NGOs at www.reliefweb.int .

For further information about ways to get involved, visit the InterAction Web site at or the USAID Disaster Assistance page .

NASW recognizes that some of our members and friends have lost loved ones through this tragedy. Our thoughts are with those affected by this disaster. To find additional resources on coping with grief and loss, please visit Help Starts Here, the social work consumer Web site .

HAITI UNICEF MOBILIZA RECURSOS

Haiti has been plagued by violence and lawlessness since 2004, when President Aristide fled into exile. The chaos has hampered basic services and prevented humanitarian assistance from reaching the vulnerable.

Because of Haiti’s high population density and its decaying infrastructure, the country is particularly vulnerable to the effects of natural disasters such as floods, mudslides and hurricanes.

Issues facing children in Haiti


■Haiti has the highest rates of infant, under-five and maternal mortality in the Western hemisphere. Diarrhoea, respiratory infections, malaria, tuberculosis and HIV/AIDS are the leading causes of death.


■Some 60 per cent of people, primarily in rural areas, lack access to basic health-care services.


■Numerous schools and hospitals have closed because teachers, social workers and health providers could not go to work for fear of violence.


■It is estimated that about 5.6 per cent of people aged 15-49 years old in Haiti are living with HIV/AIDS. This includes about 19,000 children. Antiretroviral drugs are extremely scarce.


■As many as 2,000 children a year are trafficked to the Dominican Republic, often with their parents’ support.


■Only a little over half of primary school-age children are enrolled in school. Less than 2 per cent of children finish secondary school.


■Approximately 1,000 children are working as messengers, spies and even soldiers for armed gangs in Port Au Prince.


Activities and results for children


■Thanks to supplies, medical equipment and technical assistance from UNICEF and its partners, routine immunization coverage has improved significantly in recent years. Haiti has been free of measles and polio since 2001; 824,000 children were inoculated against polio in 2005.


■In a major campaign to reduce maternal mortality, UNICEF and its partners provided medical equipment and training to reopen health facilities that had been closed for up to a year. An estimated 75,000 pregnant women are expected to benefit.


■Voluntary counselling and testing facilities have successfully kept rates of mother-to-child transmission of AIDS under 10 per cent.


■A Back to School initiative encouraged 19,000 children and 350 teachers to return to school. UNICEF helped communities build 55 new schools, which will educate an additional 20,000 children. UNICEF also provided water and sanitation supplies for 75 schools, and led classes on safe hygiene.


■UNICEF and its partners continued to provide relief for victims of a September 2004 hurricane in Gonaives, which affected 300,000 people. In addition to food, water, sanitation, and vaccinations, thousands of children received identification cards, birth certificates and psychosocial support and counselling

terça-feira, janeiro 12, 2010

Seminário “Tempos de Mudança, História, Memória e Investigação em Serviço Social”

Seminário
“Tempos de Mudança, História, Memória e Investigação em Serviço Social”




15 de Janeiro de 2010 – 14h
Local: ISMT - Sala nº 1 do edf. Rua Augusta, nº46

“Enfrentamento da Pobreza no Neo-Liberalismo: Desafios para o Serviço Social ”

Prof. Doutor Carlos Montaño
(Doutor em Serviço Social – UFRJ)

Mestre Luana Siqieira
(Mestre em Serviço Social – UFRJ e em Educação e Saúde – FIOCRUZ; Doutoranda em Serviço Social – UFRJ)


Inscrições (limitadas) até ao dia 13 de Janeiro de 2010

Estudantes – 3 Euros
Profissionais – 5 Euros

Contactar
Secretariado da Escola Superior de Altos Estudos
Drª. Alexandra Damas
alexandra@ismt.pt
Telef.: 239 488043/44

Será emitido um Certificado a todos os participantes

Organização: Coordenação do 2º ciclo em Serviço Social

Este Seminário Aberto constitui uma actividade programada da unidade curricular de Seminário de Dissertação II do 2º ciclo em Serviço Social (VII Curso)

segunda-feira, janeiro 04, 2010

Assistentes Sociais Investigam a Lei Maria da Penha: MT Sem Atendimento para Agressores

Lei Maria da Penha: MT sem atendimento para agressores

Seiscentos e trinta e oito homens de Cuiabá e Várzea Grande foram presos em flagrante por violência contra a mulher em 2009


De janeiro a novembro desse ano também foram estabelecidas 1.729 medidas protetivas. Os números são parciais e foram levantados pela Polícia Civil de Mato Grosso junto aos quatro Centros Integrados de Segurança e Cidadania (Cisc) de Cuiabá e Várzea Grande.

Entre condenações à prisão e medidas protetivas, Mato Grosso não tem nenhum programa que ajude o agressor a refletir sobre o porquê da violência praticada contra sua companheira. Também não existem estatísticas sobre os índices de reincidência. Segundo a assistente social Vera Lúcia Bertoline, com a carência de programas que reeduquem esses agressores, certamente os índices de reincidência são altos.

Além de todas as medidas de proteção às mulheres que sofrem agressões de seus companheiros, a Lei Maria da Penha diz que compete a uma equipe de atendimento multidiciplinar desenvolver trabalhos de orientação, encaminhamento e prevenção para a mulher ofendida, o agressor e os familiares. Ainda segundo a lei, a união, o Distrito Federal, os estados e os municípios podem criar e promover centros de educação e de reabilitação para os agressores.
Uma pesquisa realizada pelo Instituto Patrícia Galvão e publicada em matéria da Associação Brasileira de Organizações Não-governamentais (Abong), mostra a eficiência dos grupos de reflexão para homens agressores no Rio de Janeiro e em São Paulo. Menos de 2% dos homens que praticaram violência contra mulher e participam de grupos de reflexão do Juizado Especial Criminal da Violência Doméstica contra a Mulher de São Gonçalo (RJ) voltaram a agredir suas companheiras. E o melhor, há 10 anos o Judiciário local propõem a participação em grupos como alternativa para suspensão do processo ou mesmo cumprimento da pena. Já em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, os reincidentes são menos de 4%.

Diálogo:

Para Vera Bertoline a lei punitiva tem que existir, porque sempre há excessos. Entretanto, também é preciso criar espaços coletivos de diálogo, compreensão e reestruturação da relação. "Os espaços existentes hoje para solucionar problemas de violência de gênero em Mato Grosso não são mediados, são unilaterais. Olha-se para a situação com um olhar enviesado. Ninguém escuta o agressor para saber porque ele chegou a tal atitude".

Segundo Vera, uma relação violenta entre homem e mulher funciona como um jogo. Ele bate porque sente a necessidade de impor sua virilidade e mostrar quem manda na relação. Em contrapartida, ela negocia sexo e afeto para vê-lo pedir perdão e se redimir. Ele se redime porque precisa que ela ceda para continuar a agredir. "O poder de negociação que a mulher tem é muito forte. O problema é que ela barganha e continua nesse jogo, em vez de se impor e pular fora da relação".
Para justificar esse jogo, segundo a assistente social, a agredida argumenta que os filhos não podem ficar sem pai e/ou que precisa dele para se sustentar.

Vera também faz questão de ressaltar que nada justifica a agressão, mas que tanto a mulher quanto o homem precisam rever suas ações. A mulher se utiliza do estereótipo da fragilidade e se sente confortável com isso. Do outro lado, o homem é criado e educado para ser forte, valente e até violento. Esses conceitos reforçam a estratificação da sociedade, criam de estereótipos e lugares inferiorizados.
Assim, Bertoline afirma que a Lei que prende deve criar espaços para que os sujeitos envolvidos reflitam sobre suas vidas, ações, relações e não reincidam no mesmo erro.

Outro ponto debatido por Vera Lúcia está relacionado a quantidade de relações jucicializadas existentes hoje, ou seja, "ter que levar às barras da Justiça um assunto íntimo que depende mediação".

Para evitar que a situação chegue a esse ponto, cabe ao governo se empenhar na criação de políticas reestruturantes que comecem a dialogar sobre os direitos humanos e resignificar homens e mulheres. Isso tudo, utilizando-se da educação, da cultura, dos meios de comunicação e da própria saúde pública. Formar equipes psicossociais que, assim como os agentes de saúde, mediem as relações entre homens e mulheres, desde os primeiros sinais de desrespeito.

Experiência cuiabana:

Vera Bertoline, que é professora na Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), realizou trabalhos no Núcleo Psicossocial Forense (Nups) do Juizado Especial Criminal (JECrim) em Cuiabá. Na época, o JECrim recebia os casos da Delegacia Especializada de Defesa da Mulher, antes da Lei 11.340/06 entrar em vigor, em setembro de 2006. O núcleo era uma instituição informal inserida no Juizado e composta por uma equipe de assistentes sociais e psicólogas e que, a partir de 2005, foi palco para a realização de estágios acadêmicos supervisionados. Lá, discutia-se muito a violência de gênero e os agressores compartilhavam seus problemas. Era o grupo chamado "Ajuda Mútua".

Para um trabalho de conclusão de curso, José Francisco Nunes escutou os homens agressores atendidos na instituição e constatou que eles condenam a expressão de emoções, reproduzem concepções que discriminam as mulheres, reafirmam concepções de honra masculina, atribuindo às virtudes masculinas a disposição para o trabalho e a função de prover a família. No Nups eles reviam todos esses estereótipos e tentavam perceber uma outra forma de ver a relação.

Com a criação da Lei 11.340/06, o julgamento das denúncias relacionadas à violência contra a mulher passaram a ser competências das Varas Especializadas de Violência Familiar e Doméstica contra a Mulher. De acordo com Vera, a equipe do núcleo até tentou continuar o trabalho na Vara de Violência Familiar, mas a resposta obtida foi de que a Vara não tinha esse papel.

terça-feira, dezembro 29, 2009

Luana Siqueira Publica Artigo na Revista do CPIHTS

O Paradoxo da Política de Assistência Social no Brasil

Luana Siqueira
Aqui nos cabe o desafio de discutir a assistência social no âmbito da seguridade social e as progressivas mudanças frente à conjuntura política, social e econômica dos séculos XX e XXI. Há, contudo, uma urgência em abordar essas questões, pois seus rebatimentos têm impactos diretos sob a nossa profissão, seja em aspectos sócio-ocupacionais, seja em nosso posicionamento político ou em nossos direitos sociais.
Em uma análise imediata duas coisas nos são evidentes: o crescimento da concentração de renda e o crescimento substantivo da pobreza, segundo dados do IPEA (2003) os 10% mais ricos do país se apropriam de 46% da renda per capita domiciliar e os 50% mais pobre detêm 13% da renda per capita domiciliar. Ainda que a renda não possa ser considerada o único elemento de avaliação da pobreza, podemos verificar que no Gini de 2003, considerando 130 países o Brasil é o penúltimo na concentração de riquezas, estando muito a frente do México, um país com condições mais parecidas. Isso mostra que no caso brasileiro a pobreza não é gerada pela escassez de recursos e sim pela super concentração de riqueza por uma pequena parte da população.
( ...)
Veja Artigo completo na pagina do Cpihts www.cpihts.com


Luana Siqueira. Pedagoga, assistente social, mestre em educação - Fiocruz ; mestre em Serviço Social– UFRJ; doutoranda em Serviço Social da UERJ, Tutora do Curso de Capacitação CFESS e ABEPSS. Professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Foi Assistente Social da Prefeitura de Japeri,também do Centro de Atenção Diária de Olaria. Ex-pesquisadora do NUPI (UERJ), e atualmente do CEOI (UERJ) e do GOPS. Bolsista PDEE da Capes.

domingo, dezembro 27, 2009

Uma Investigação Social: Duplo critério Para Torturar

Estudo da USP mostra que a Justiça trata diferentemente o torturador
se ele é agente público

Brasília
- A venda que simboliza um olhar igualitário para todos - ricos, pobres, humildes ou poderosos - há muito perdeu o significado. Nem quando o assunto é a tortura, um crime que, de tão grave, virou tema de convenções internacionais e não prescreve, a Justiça brasileira consegue atuar sem diferenciação.
Uma pesquisa da Universidade de São Paulo (USP) esmiuçou 51 processos que chegaram aos tribunais da capital paulista entre 2000 e 2004, totalizando 203 réus. O resultado é que, entre as ações cujos acusados eram agentes do Estado, houve 18% de condenações. Nos processos com denunciados comuns, sem função pública, esse índice subiu para 50%.
Na avaliação de Maria Gorete Marques de Jesus, pesquisadora responsável pelo estudo, é flagrante a diferença no tratamento entre acusados de tortura comuns e os ligados ao Estado. Quando o réu tem relação com o governo, diz, a vítima é colocada em descrédito, como se ela tivesse inventado a denúncia. No caso do processado comum, a coisa se inverte, é o réu quem não tem a confiança do tribunal. Para Luís Fernando Camargo de Barros Vidal, presidente da Associação Juízes para a Democracia, tal constatação pode ser facilmente percebida no dia a dia dos julgamentos. "Há uma tolerância das autoridades em todos os níveis, na polícia, no Ministério Público, no Judiciário, entre advogados, no que diz respeito à violência institucionalizada", lamenta
Vidal destaca, ainda, a dificuldade que o sistema de segurança pública e de Justiça têm, hoje, de fiscalizar e punir exemplarmente. "Muito por conta dessa mentalidade que persiste, dessa tolerância", reforça. Subsecretário da Secretaria Especial de Direitos Humanos (SEDH), ligada à Presidência da República, Perly Cirpiano lembra que a violência praticada pelo Estado está arraigada no país desde a colonização, passou pela escravidão, continuou no regime militar e persiste até hoje. "O fato de não ter havido uma punição para os torturadores da ditadura dá a sensação de impunidade aos atuais agentes do Estado", afirma Cipriano, que foi torturado nos anos de chumbo.
Para Cynthia Pinto da Luz, coordenadora de organização do Movimento Nacional dos Direitos Humanos, só falta vontade política para punir os criminosos que torturam com a credencial do Estado. "Há vista grossa de absolutamente todos os setores em todo o país", diz. A especialista refuta qualquer tipo de explicação para o número baixo de processos que chegam a serem julgados e, posteriormente, quase nunca terminam em condenação. "Não é falta de provas, inconsistência de depoimentos, nada disso. Vemos que há, nas ações, elementos claros de violência, de tortura. Mas as penas, quando existem, são sempre brandas. No máximo, o criminoso é afastado de sua função".

Aparência - Ela aponta a existência no Brasil de um discurso de democracia que não passa de "aparência". A sociedade, na avaliação de Vidal, acaba aplaudindo e concordando com a violência e tortura institucionalizadas porque não consegue ampliar os conceitos. "É preciso haver uma compreensão de observar e exigir os direitos dos outros. Amanhã pode ser eu no lugar do hoje condenado, indesejado, execrado".

A legislação que tipificou a tortura no Brasil foi criada após um caso ocorrido em 1997, na Favela Naval, em Diadema (SP). Policiais foram flagrados por uma câmera agredindo e torturando os moradores. Mesmo assim, ainda é difícil, muitas vezes, provar o crime de tortura.

in http://www.diariodepernambuco.com.br/2009/12/27/brasil10_0.asp

sábado, dezembro 19, 2009

Educación Para a Diversidad Um Artigo de Jorge Sampaio

Cómo convivir cuando la diversidad, étnica, lingüística, religiosa o cultural incrementa el desasosiego, divide a las comunidades y somete a creciente presión las democracias? Últimamente, fracturas económicas, sociales, culturales y religiosas exacerban las tensiones intercomunitarias fomentando la errónea noción de que estamos abocados a un "choque de civilizaciones".

Es esencial activar el diálogo para tender puentes, superar conflictos y promover un mejor entendimiento entre los pueblos. Para combatir estereotipos e ideas falsas que provocan hostilidad y desconfianza hay que buscar la raíz de las tensiones que dividen a las sociedades y culturas. Las tensiones se inflaman cuando individuos o grupos perciben amenazados sus valores e identidad. Las oleadas migratorias, particularmente en Europa, han generado resentimiento y hostilidad. Inequívoco indicio del malestar es el éxito de partidos de extrema derecha que propugnan programas anti-inmigración en diversos países europeos.

No podemos ignorar el alcance de unos síntomas indicadores de un creciente sentimiento de inseguridad susceptible de minar la cohesión social y el modelo de inclusión europeos. Cuestiones como el velo islámico, el lugar de la religión en las escuelas y la igualdad de género, muestran la pervivencia de fuentes de tensión y la presencia de fuerzas dispuestas a explotarlas. La iniciativa popular contra nuevos minaretes en Suiza revela un profundo malestar e ilustra cómo el miedo y los prejuicios enturbian la convivencia.

Las tensiones aparecen también al cuestionarse derechos de las minorías y su lugar en las sociedades, que se enfrentan así a cómo cohonestar los derechos de las comunidades culturales salvaguardando la cohesión social.

En tiempos de tensiones interculturales es importante defender los derechos de las minorías, frecuentemente hostigadas y discriminadas. También lo es apreciar los beneficios que aportan los inmigrantes.

Es indispensable promover una educación para la diversidad para desarrollar conocimientos y aptitudes interculturales en la juventud, y el aprendizaje durante la vida para fortalecer las bases comunes de la convivencia. Eduquemos para los derechos humanos, la ciudadanía y el respeto del otro; para la comprensión mutua y el diálogo intercultural; para la enseñanza "mediática" y la de religiones y creencias; para el diálogo en y entre religiones.

Adquiramos conocimientos interculturales enseñándolos a nuestros ciudadanos y creemos estrategias urbanas para el diálogo intercultural. Necesitamos políticas para la juventud, basadas en la igualdad de oportunidades. Impliquemos a la sociedad civil entera, juventud, líderes religiosos y medios de comunicación.

La Alianza de Civilizaciones aborda las divisiones en y entre comunidades, las "musulmanas y occidentales" especialmente, para promover políticas de gobernanza democrática de la diversidad basadas en un paradigma de respeto a las diferentes culturas y religiones. Pretende desarrollar y profundizar, priorizándolo, el diálogo intercultural en las relaciones internacionales.

Las luchas culturales y políticas evidencian la oportunidad de este enfoque estratégico y la necesidad de políticas novedosas a distintos niveles. De aquí que haya que apostar por la gobernanza democrática de la diversidad en un mundo complejo donde las percepciones polarizadas se nutren de estereotipos y prejuicios, pero también de realidades y de conflictos políticos. Para reducir la división entre sociedades musulmanas y occidentales habrá que resolver previamente algunos de esos conflictos. Pero incluso resueltos, persistirán la suspicacia y la hostilidad que fracturan las sociedades a lo largo de divisiones culturales y religiosas.

Hay unanimidad respecto del profundo foso de percepción que separa a occidentales y musulmanes. Visto en términos de oposición entre dos supuestos bloques monolíticos, islam y Occidente, este foso alimenta más los estereotipos y la polarización, favoreciendo el extremismo. Sin embargo, la mayoría de los pueblos rechaza el extremismo y apoya el respeto de la diversidad. Tanto musulmanes como no musulmanes comparten idéntica preocupación sobre seguridad, estabilidad y paz. Millones de musulmanes temen ver a sus hijos ganados para el extremismo.

Para afrontar este problema es esencial desarrollar nuevas estrategias de promoción del diálogo interreligioso, en el marco de la gobernanza democrática de la diversidad cultural basada en los principios de universalidad de los derechos humanos y libertades fundamentales, igualdad de oportunidades, solidaridad económica y cohesión social.

La Alianza de Civilizaciones persigue cambiar las mentalidades en las sociedades divididas. Tenemos que sensibilizar a los actores políticos en la necesidad de invertir en políticas públicas relacionadas con la diversidad cultural y el diálogo intercultural, dirigidas a desarrollar conocimientos y aptitudes interculturales. Hagamos un frente común para superar las dificultades presentes y aprovechémoslo para abrir nuevas vías hacia un mejor entendimiento y una cooperación reforzada. Demos una oportunidad a un diálogo que, más allá de las palabras, obtenga resultados.


Jorge Sampaio, ex presidente de Portugal, es Alto Representante de Naciones Unidas para la Alianza de Civilizaciones.

http://www.elpais.com/articulo/opinion/Educacion/diversidad/elpepuopi/20091219elpepiopi_5/Tes

sexta-feira, dezembro 18, 2009

Justiça Condena e Universidade suspende alunos acusados de racismo em SP

O Centro Universitário Barão de Mauá afastou os jovens acusados de agredir e ofender de forma racista um jardineiro de 55 anos, em Ribeirão Preto, interior de São Paulo, no último sábado (12). A instituição estuda o cabimento de possíveis punições aos alunos do curso de Medicina. As agressões e as ofensas, no entanto, não ocorreram dentro da universidade.

A Justiça libertou provisoriamente os universitários após pagamento de fiança, cada um, no valor de R$ 5.580. De acordo com o advogado Carlos Roberto Mancini, os três estudantes, Abrahão Afiune Júnior, 19 anos, Emílio Pechulo Ederson, 20 anos, e Felipe Giron Trevizani, 21 anos, tiveram o pedido de liberdade provisória concedido na noite de sábado.

Segundo a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP), os jovens, que foram presos na manhã de sábado, gritaram "seu negro" para chamar o jardineiro, que foi atacado quando ia ao trabalho de bicicleta. A vítima teve a perna e as costas feridas.

Após chamarem a atenção do jardineiro, os estudantes teriam descido do carro, um Fox preto, e agredido o homem com o tapete do veículo. Com a violência sofrida, a vítima, que já estava com ferimentos nas costas, caiu de sua bicicleta e machucou a perna. Os estudantes foram indiciados por injúria real e discriminação.

quarta-feira, dezembro 16, 2009

Protesto contra Corruptos: Cfess Condena Violência Policial contra estudantes

VIOLÊNCIA POLICIAL CONTRA ESTUDANTES E TRABALHADORES EM BRASÍLIA


CFESS defende os Direitos Humanos e reafirma sua luta contra a opressão

“É inaceitável que um Estado que se reivindica democrático autorize seu aparato policial para coibir, pela violência, manifestantes que saem às ruas para defender valores éticos e probidade na gestão pública.”



O CFESS expressa sua indignação com a violência de Estado praticada pela Polícia Militar do Distrito Federal, às vésperas do Dia Internacional dos Direitos Humanos, contra estudantes e trabalhadores que faziam manifestação pacífica e legítima nas ruas de Brasília.



A brutal repressão contra o direito de se manifestar publicamente remeteu aos confrontos mais violentos do período do Regime Militar. As imagens veiculadas em cadeia nacional, por jornais e redes de TV, chocaram a sociedade e exigiram um posicionamento de todas as pessoas que lutam pelos Direitos Humanos no país.



Leia o CFESS Manifesta e conheça o posicionamento do CFESS



Conselho Federal de Serviço Social - CFESS
Gestão Atitude Crítica para Avançar na Luta - 2008-2011
Comissão de Comunicação
Bruno Costa e Silva - Assessor de Comunicação/CFESS
www.cfess.org.br

Serviço Social, História e Memoria Social

sábado, dezembro 12, 2009

Cpihts Publica artigo de Carlos Montaño O SERVIÇO SOCIAL FRENTE AO NEOLIBERALISMO

Carlos Eduardo Montano, Doutor em Serviço Social e Professor Adjunto da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Conferencista e Professor Visitante em diversos países latino-americanos. Autor dos livros: A Natureza do Serviço Social (Cortez, 2007), Microempresa na era da globalização (Cortez, 1999) e Terceiro Setor e questão social (Cortez, 2002). É Coordenador da Biblioteca Latino-americana de Serviço Social (Cortez). Foi membro da Direção Executiva da ALAEITS (Associação Latino-Americana de Ensino e Pesquisa em Serviço Social, 2006-2009) e atualmente é Coordenador Nacional de Relações Internacionais da ABEPSS (Associação Brasileira de Ensino e Pesquisa em Serviço Social, 2008-2010). Bolsista CAPES para estudos de pós-doutoramento no Instituto Superior Miguel Torga (Coimbra, Portugal) em 2009-2010.

Consulte in www.cpihts.com
O SERVIÇO SOCIAL FRENTE AO NEOLIBERALISMO
MUDANÇAS NA SUA BASE DE SUSTENTAÇÃO FUNCIONAL-OCUPACIONAL

quinta-feira, dezembro 10, 2009

Estado Norte-Americano Indemniza Indios Liderados por Elouise Cobell


La Casa Blanca devuelve 2.250 millones a los indios tras 43 años de pleitos


DAVID ALANDETE - Washington

09-12-2009


Después de más de 100 años de lucha, el hombre blanco y el indio nativo norteamericano enterraronel hacha de guerra. En realidad fueron dos afroamericanos, el presidente, Barack Obama y el fiscal general, Eric Holder, quienes se impusieron como prioridad devolver a las tribus indias lo que por derecho propio les pertenece. Esta semana lo cumplieron, llegando a un acuerdo sin precedentes, que devuelve a los indios 3.300 millones de dólares (2.250 millones de euros) en fondos de inversión y pago por tierras arrendadas al Gobierno.

En 1966, Elouise Cobell, una banquera india, de la tribu de los pies negros y descendiente del mítico Jefe de la Montaña, presentó una demanda por supuesta mala gestión pública de los fondos de inversión que el Gobierno federal creó en el siglo XIX. Según sus cálculos, Washington les había estafado más de 137.000 millones de dólares, 92.000 millones de euros. Cobell representaba a 300.000 indios. Todos ellos secundaron la denuncia, creando la mayor demanda colectiva que se ha presentado contra el Gobierno federal de Estados Unidos.

Muchos indios y sus descendientes llevaban décadas recibiendo cheques anuales por cantidades ridículas, como el equivalente actual de 60 centavos de dólar, 40 céntimos de euro. El sistema de fondos de inversión se creó en 1887 para compensar el arrendamiento forzoso de tierras en las que ancestralmente habían residido tribus enteras. El Gobierno de EE UU gestiona unos 22 millones de hectáreas que en su día pertenecieron a la población nativa. Con los años, los propietarios de aquellos terrenos murieron y los dejaron en las manos de generaciones enteras de descendientes. Hoy, una hectárea puede estar en manos de decenas de personas.

"Esta cuestión ha sido una causa de problemas y de vergüenza desde la infancia de este Gobierno", fueron las palabras del presidente Chester Arthur en 1887. Finalmente, el martes, ambas partes, los indios y el Gobierno, llegaron a un acuerdo de compensación, con la inyección de 1.400 millones de dólares a los fondos de inversión para repartir entre sus propietarios, y la creación de un programa dotado con 2.000 millones para comprar terrenos en manos de nativos. Obama les ha propuesto a los indios comprarles las tierras, hasta ahora muy fragmentadas, unirlas en terrenos mucho más grandes y devolvérselas a las tribus para su propio uso común.

En un comunicado, el presidente dijo: "Con este anuncio, damos un paso importante para la reconciliación sincera entre los beneficiarios de esos fondos y el Gobierno federal". Los demandantes no se consideran del todo satisfechos. "No hay duda de que es una cantidad menor a la que los indios tienen derecho", dijo Cobell, la denunciante. "Pero nos vemos obligados a aceptar el acuerdo al darnos cuenta de que nuestro grupo merma cada año, cada día, mientras nuestros ancianos mueren".

sábado, dezembro 05, 2009

Memoria Social Chilenos Dizem Adeus a Vicor Jara

Con la emoción a flor de piel, como si hubiese fallecido ayer, cientos de personas han concurrido desde el jueves al velatorio que no pudo tener hace 36 años el cantautor Víctor Jara, torturado y asesinado por los militares golpistas mientras estaba prisionero. Hoy será sepultado, acompañado por el pueblo, en un cortejo que marchará hasta el cementerio, como probablemente habría querido él, un hombre de humilde origen campesino, que fue director teatral y cuyas canciones como El cigarrito y Te recuerdo Amanda ya son universales.

La presidenta Michelle Bachelet, acompañada por la viuda del cantautor, Joan Turner, hizo guardia ayer junto al ataúd donde están los restos de Jara, devueltos a la familia después de haber sido exhumados en junio -su esposa tuvo que enterrarlo el 18 de septiembre de 1973 de forma clandestina con la ayuda de dos personas- y analizados por un equipo forense, que confirmó su muerte por múltiples disparos.
"Se ha demorado nuestro país 36 años en devolverle a Chile y a su familia este Víctor que es nuestro, que es de todos nosotros, y yo creo que éste es el mejor homenaje que le podemos rendir. Víctor vive en el corazón de su pueblo", afirmó ayer Bachelet. Para la viuda, "éste no es un funeral normal, es un acto de amor y duelo por todos nuestros muertos, y también la celebración de la vida de Víctor y de todos ellos también".

Al velatorio junto al ataúd en la Fundación Víctor Jara han ido actores, directores de teatro y cine, modestos grupos musicales de barriadas periféricas, cantantes populares que interpretan por algunas monedas en los autobuses del transporte urbano, músicos, ex prisioneros políticos, admiradores y militantes.

El Comité Central del Partido Comunista, en el que Jara militó, fue hasta el local y cantó La internacional. "Ha llegado el momento en que Chile le cante a Víctor Jara", sostuvo el presidente de este partido, Guillermo Taller.

Una gran foto de un Jara sonriente en blanco y negro preside el lugar. En la plaza contigua, algunos interpretan canciones en un escenario, mientras bailarinas danzan en las veredas. Las directivas de las agrupaciones de víctimas de la dictadura hicieron guardia junto al ataúd y al salir recordaron que la muerte del cantante todavía sigue en la impunidad y sus asesinos están en libertad.

Por la noche, grupos de personas encendieron velas en las calles en recuerdo del cantautor. "La herida no se cierra mientras no haya verdad", afirmó Jorge Colon, integrante del grupo Inti Alimaña, que tocó con Jara.



http://www.elpais.com/articulo/internacional/chilenos/dicen/adios/cantautor/36/anos/despues/elpepiint/20091205elpepiint

terça-feira, dezembro 01, 2009

Ces Convoca concursos para bolseiros

Contratação de bolseiros de investigação para os seguintes projectos:


> Crises, gestão de risco e novos arranjos sócio-ecológicos para florestas: uma
perspectiva dos estudos sobre ciência e tecnologia
Candidaturas até 15 de Dezembro de 2009

Quem são os nossos magistrados? Caracterização profissional dos juízes e
magistrados do Ministério Público em Portugal
Candidaturas até 15 de Dezembro de 2009

http://www.ces.uc.pt/oportunidades/

segunda-feira, novembro 30, 2009

Carta de José Saramago para Aminetu Haidar, Activista Saharaui




José Saramago escreveu uma carta à Aminetu Haidar activista saharaui dos Direitos Humanos há 10 dias em greve da fome no Aeroporto de Lanzarote, depois de ter sido expulsa por Marrocos quando tentava entrar em Aaiun, capital do Sahara ocupado.Presa ao início da tarde sexta-feira, dia 13 de Novembro, no Aeroporto de El Aaiun, capital do Sahara Ocidental ocupado, quando descia do avião oriundo proveniente das Canárias, Aminetu Haidar foi detida durante horas pelas forças de segurança marroquinas após o que foi expulsa para Lanzarote, não sem que antes as forças policiais lhe tivessem apreendido passaporte, telemóvel e alguns dos seus pertences. Argumento das autoridades de ocupação: o facto da detida se recusar a declarar-se «marroquina» quando chegou ao aeroporto da sua cidade natal e onde reside junto com a sua família e os seus dois filhos.
Carta de José Saramago a Aminetu Haidar

Se estivesse em Lanzarote, estaria contigo.

Não porque seja um militante separatista, como te definiu o embaixador de Marrocos, mas precisamente pelo contrário. Acredito que o planeta a todos pertence e todos temos o direito ao nosso espaço para poder viver em harmonia. Creio que os separatistas são todos aqueles que separam as pessoas da sua aterra, as expulsam, que procuram desenraizá-las para que, tornando-se algo distinto do que são, eles possa alcançar mais poder e os que combatem percam a sua auto-estima e acabem por ser tragados pela irracionalidade.
Marrocos em relação ao Sahara transgride tudo aquilo que são as normas de boa conduta. Desprezar os Saharauis é a demonstração de que a Carta dos Direitos Humanos não esta enraizada na sociedade marroquina, que não se rebela com o que se faz ao seu vizinho, e que é a prova de que Marrocos não se respeita a si próprio — quem está seguro do seu passado não necessita expropriar quem lhe está próximo para expressar uma grandeza que ninguém jamais reconhecerá. Porque se o poder de Marrocos alguma vez acabasse por vergar os saharauis, esse pais admirável por muitas e muitas coisas, teria obtido a mais triste vitoria, uma vitoria sem honra, nem gloria, erguida sobre a vida e os sonhos de tanta gente, que apenas quer viver em paz na sua terra, em convivência com os seus vizinhos para que, em conjunto, possam fazer desse continente uma lugar mais feliz e habitável.

Querida Aminetu Haidar,

Dás um exemplo valioso em que todas as pessoas e todo o mundo se reconhecem. Não ponhas em risco a tua vida porque tens pela frente muitas batalhas e para elas és necessária. Os teus amigos, e os amigos do teu povo, defender-te-mos em todos os foros que forem necessários.

Ao Governo de Espanha pedimos sensibilidade. Para contigo, e para com o teu povo. Sabemos que as relações internacionais são muito complexas, mas há muito anos que foi abolida a escravidão tanto para as pessoas como para os povos. Não se trata de humanitarismo, as resoluções das Nações Unidas, o Direito Internacional e o senso comum estão do lado certo, e em Marrocos e em Espanha disso se sabe.

Deixemos que Aminetu regresse a sua casa com o reconhecimento do seu valor, à luz do dia, porque são pessoas como ela que dão personalidade ao nosso tempo e sem Aminetu todos, seguramente, seriamos mais pobres
Aminetu não tem um problema. Um problema tem seguramente Marrocos. E pode resolvê-lo… terá que resolvê-lo. Não se trata apenas de um problema de uma mulher corajosa e frágil, mas sim o de todo um povo que não se rende já que não entende nem a irracionalidade nem a voracidade expansionista, que caracterizavam outros tempos e outros graus de civilização.

Um abraço muito forte, querida Aminetu Haidar

José Saramago

sexta-feira, novembro 27, 2009

Assistente Social e Presidente da Junta de Freguesia de Baleizão Portugal




Silvestre Troncão, Assistente Social, assume lideranza como Presidente da Junta de Freguesia de Baleizão
Formado no Instituto Politécnico de Beja, finalizou o seu curso sobre uma temática difícil (suicídio ) numa região pautada pelas lutas dos trabalhadores agricolas de Portugal.
Contrastando com o pessimismo latente e a indiferênça estudantil pelos problemas sociais, sublinho nesta fotografia a condizer o ambiente vivenciado nesta turma de finalistas que ainda estão por construir as novas lideranças na profissão de Serviço Social.
Confiamos que em terras baleizoeiras este colega contribua e cultive a memória social da terra que viu nascer Catarina.

quarta-feira, novembro 25, 2009

Centro Português de Investigação em História e Trabalho Social Publica Novas Teses e Ensaios

Centro Português de Investigação em História e Trabalho Social
Publica Novas teses de Mestrado


Respostas Sociais para o Envelhecimento do Indivíduo

Portador de Deficiência Mental

Consulte in Estudos & Documentos

www.cpihts.com

http://www.cpihts.com/PDF04/Mestrado%20Vera%20Bento_c%20seguranca.pdf

terça-feira, novembro 24, 2009

Memoria Social : Ataques a Indigenas no Mato Grosso do Sul

Ataques a indígenas em Mato Grosso do Sul:
fazer viver o grande capital e deixar morrer os que a ele não se ajustam

Iara Tatiana Bonin

Doutora em Educação pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul e Professora do PPGEDU/ULBRA

Em 20 de junho de 1964, no Mississipi, sul dos Estados Unidos, uma igreja freqüentada por negros foi incendiada durante a realização de um culto, deixando várias pessoas feridas. Essa era uma prática utilizada naquela região para expulsar as famílias negras e realizar uma espécie de “limpeza racial”. Na ocasião, três jovens militantes dos direitos civis, que denunciaram o incêndio criminoso, foram presos pela polícia. Após várias horas de detenção, interrogatório e intimidação, eles foram soltos mas estavam sendo aguardados por um grupo de homens brancos, armados e encapuzados, membros do movimento racista e criminoso conhecido como Ku Klux Klan. Os três jovens foram capturados, amordaçados, torturados até a morte e seus corpos apareceram, dias depois, boiando em um açude. Quarenta anos se passaram e nenhum dos culpados foi punido, apesar das inúmeras evidências que ligam o crime aos proprietários de terra da região.



Em 29 de outubro de 2009, no Mato Grosso do Sul, algumas famílias Guarani-Kaiowá retomaram uma parcela de suas terras tradicionais, ocupada hoje pela fazenda Triunfo, no município de Paranhos. No dia seguinte, um grupo de homens brancos, armados e encapuzados entrou no acampamento, insultou e agrediu violentamente os guarani, expulsando-os da área. Dois jovens professores que também participaram da retomada – Genivaldo Vera e Rolindo Vera – foram arrastados pelos cabelos e seqüestrados pelos agressores. Dias depois o corpo de Genivaldo foi encontrado com perfurações e marcas de violência, preso a um galho de árvore, no córrego Ypoi, distante 30 quilômetros do local do crime. O corpo de Rolindo continua desaparecido e, de acordo com a polícia, as investigações “seguem”, porém em sigilo. Nem mesmo a causa da morte de Genivaldo foi revelada à família. Um mês antes, a comunidade Laranjeira Ñanderu, também dos Guarani-Kaiowá, foi atacada por outro grupo de homens brancos, encapuzados e armados, que os expulsou do lugar, ateando fogo em seus pertences e matando, inclusive, os animais de criação. Passados somente quatro dias, 10 homens atacaram a comunidade Guarani-Kaiowá Apyka´y, que vive em um acampamento às margens da BR-483. Na ocasião, um indígena de 62 anos foi baleado e diversos barracos foram queimados.



O que há de comum entre a cena de violência praticada nos Estados Unidos, há mais de 40 anos, e as de Mato Grosso do Sul? Os casos se aproximam e se confundem pela atrocidade e arrogância desses “homens brancos”, que agem contra a lei, e que incendeiam propriedades, aprisionam, torturam e matam jovens inocentes que ousam assumir a luta em defesa dos direitos humanos, sociais e políticos de seus povos.
Os símbolos de força e de poder utilizados traçam também um paralelo entre os acontecimentos de lá e daqui: incendiar construções, destruir objetos, matar animais, eliminar, a ferro e fogo, aquilo que liga os negros e indígenas às suas terras, que são o estopim do conflito. A covardia é outra marca da ação dos agressores nas situações anteriormente descritas, e se manifesta especialmente pelo uso de capuzes – signos de uma violência “sem rosto” ou, melhor dizendo, de uma violência que esconde o rosto de todos aqueles que desejam o afastamento, a retirada ou a morte de sujeitos vistos como indesejáveis por razões econômicas, políticas, culturais ou raciais.

Os assassinatos praticados também se assemelham na forma – prisão arbitrária, tortura, uso de meios cruéis, impossibilidade de defesa das vítimas – e estas são as expressões do ódio cultivado contra os negros, no caso do Mississipi, e contra os índios em Mato Grosso do Sul. É impossível imaginarmos que esses violentos ataques aos povos indígenas sejam fatos isolados, ou que eles sejam apenas sintomas de um desvio na conduta ética e moral de alguns indivíduos. Esse tipo de violência está inegavelmente relacionado às instituições sociais e às práticas contemporâneas de discriminação e segregação social protagonizadas, em grande medida, pelos governos.
O estado brasileiro, cujas instituições deveriam promover a vida de todos os cidadãos, privilegia alguns, assegurando-lhes as condições de bem viver e de liberdade para investir e para explorar, enquanto condena outros à marginalidade, à insegurança e à morte. Embora os direitos e deveres se baseiem, ao menos teoricamente, no princípio da igualdade entre todos os cidadãos, no dia a dia o que se estabelece é um tipo de racismo institucionalizado que diferencia aqueles que devem viver e os que devem morrer, tomando por base critérios econômicos e políticos. Neste contexto, ressurgem aquelas velhas hierarquias que formam as noções de supremacia racial há mais de um século, e que afirmam a superioridade, a produtividade e a utilidade de uns (aqueles que se encaixam no sistema) e a inferioridade, a improdutividade e a descartabilidade de outros (os que resistem e propõem outras formas de pensar e de viver).
O ato de deixar morrer os segmentos considerados improdutivos e descartáveis é praticado pelo estado brasileiro de muitas maneiras: no caso dos povos indígenas, através de ações e omissões que os expõem à morte, através da burocracia e da morosidade que multiplica os riscos para a vida desses povos e, em especial, dos Guarani-Kaiowá, que vivem em situações de confinamento em terras ínfimas ou em acampamentos provisórios, sem garantias mínimas de segurança e de sobrevivência. Em condições como estas, o governo decreta, também, a morte política dos povos indígenas, na medida em que não controla, não fiscaliza e nem pune as práticas de expulsão, de rejeição e de extermínio que infelizmente se tornam cada vez mais comuns em Mato Grosso do Sul e em outros estados brasileiros.
A violência sistemática de que têm sido vítimas os Guarani-Kaiowá (ameaças, assassinatos, falta de atenção à saúde, desnutrição, agressões físicas e simbólicas, descaso e omissão que intensificam as tensões internas e aumentam os suicídios, entre tantas outras) mostram que está em curso uma efetiva e cada vez mais eficaz política de extermínio. E quando o governo Lula lava as mãos diante da ultrajante situação vivida por este povo, quando dá as costas às insistentes reivindicações para que se realizem os procedimentos administrativos de demarcação das terras, quando prefere acolher as demandas dos empresários e quando afirma que o desenvolvimento do país não pode ser freado por alguns “penduricalhos”, ele não apenas acata, como também estimula as práticas individuais de “combate” e “remoção” dos obstáculos através do linchamento, do assassinato, do assédio físico e moral. Mais do que nunca, os grandes latifundiários, os fazendeiros, os agentes do agronegócio se sentem autorizados a agir por conta própria, porque encontram respaldo em um discurso governamental que tudo converte em capital (os recursos naturais, a terra, o ser humano).
O principal objetivo da Ku Klux Klan era manter os privilégios políticos e econômicos dos brancos no sul dos Estados Unidos, impedindo aos negros o acesso à terra, à educação, à participação política. O objetivo desses grupos criminosos que hoje ameaçam e agridem os Guarani-Kaiowá é o mesmo: mantê-los enfraquecidos, impedir que os Grupos de Trabalho (GTs) realizem estudos que comprovarão, inevitavelmente, o direito indígena às áreas reivindicadas. Há mais de dois anos, a Funai e o Ministério Público Federal assinaram um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), assumindo como prioridade a realização de estudos para identificação de terras tradicionais Guarani-Kaiowá, em Mato Grosso do Sul. Os trabalhos técnicos foram iniciados em agosto de 2008 e paralisados diversas vezes, tanto por ações judiciais, quanto por pressões de políticos e fazendeiros ou por ameaças sofridas pelos membros da Funai.
Por isso, no caso específico do assassinato dos dois professores – Rolindo Vera e Genivaldo Vera – as responsabilidades devem ser inteiramente atribuídas aos poderes Executivo e Judiciário: ao Governo Federal, por protelar os procedimentos administrativos de demarcação das terras; ao Judiciário, por não assegurar as condições para a realização dos GTs naquela região e, especialmente, por deixar as famílias indígenas abandonadas à própria sorte, apesar das recorrentes denúncias de abuso de poder praticado por policiais e das ameaças e agressões constantes, empreendidas por fazendeiros e pistoleiros que se colocam acima da lei e da justiça.
Além das agressões contra os Guarani-Kaiowá, registram-se ações violentas contra outros povos, tal como ocorreu com os Terena, no dia 19 de novembro, quando um grupo de fazendeiros acompanhados por seguranças particulares armados despejou, sem ordem judicial, uma comunidade que havia retomado parte da terra Buriti, no município de Sidrolândia/MS, identificada em 2001 como parte do território do povo Terena, mas até hoje mantida nas mãos de fazendeiros. Após a decisão oficial do Tribunal Regional Federal, 3ª. Região, de que os Terena poderiam permanecer naquelas terras até que a ação principal fosse julgada, os fazendeiros decidiram agir por conta própria e puderam contar, inclusive, com o apoio de cerca de 50 policiais militares que participaram da ação ilegal de despejo. Neste caso, em particular, os agentes do poder público cometeram uma dupla ilegalidade: primeiro por não assegurarem a posse e o usufruto exclusivo dos povos indígenas sobre suas terras tradicionais, conforme determina a Constituição e, segundo, por agirem em defesa de interesses de terceiros, sem o amparo de uma determinação judicial para realizar a retirada dos Terena da área por eles ocupada.
Todos esses acontecimentos mostram que, se por um lado o mundo ocidental pode se orgulhar de ter desenvolvido um sólido conjunto de princípios que resguardam os direitos humanos, a aplicação e a garantia desses direitos, por outro lado, é tremendamente desigual quando se trata de cidadãos brancos, negros ou indígenas, ricos ou pobres, influentes ou considerados descartáveis. É a absoluta inversão dos direitos humanos que possibilita ao governo brasileiro colocar, na atualidade, os interesses econômicos e políticos acima das necessidades e urgências da sociedade. É o descaso com a vida de amplas parcelas da população que leva o governo a optar pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e não por políticas sociais adequadas, que assegurem terra, emprego, moradia, saúde, segurança a todos os cidadãos e não apenas a uns poucos privilegiados. A opção por um modelo de crescimento a qualquer preço, que privilegia a monocultura, o agronegócio, os mega-investimentos e que canaliza recursos para a construção de obras monumentais, tais como a hidrelétrica de Belo Monte, o complexo hidrelétrico do Rio Madeira, a transposição do rio São Francisco, é também responsável pela morte daqueles que não se ajustam aos ditames desse arrogante e imperialista estilo de pensar.
No contexto atual, fazer viver o grande capital requer deixar morrer os resíduos humanos, os signos de atraso, os que não se enquadram nas projeções de um futuro grandioso que o governo Lula espera ver nascer do agronegócio e dos agrocombustíveis. Neste contexto de flexibilização das leis para acomodar os interesses econômicos e, ao mesmo tempo, de impunidade, fortalecem-se os grupos antiindígenas, alguns deles responsáveis por atos criminosos, tais como os que hoje se organizam em Mato Grosso do Sul. Pode-se dizer que a certeza da impunidade também aproxima as cenas de horror vividas pelos Guarani-kaiowá: a arrogância dos agressores é alimentada e potencializada pelo poder público, quando este criminaliza as iniciativas de luta empreendidas pelos povos indígenas, quando responsabiliza as próprias vítimas pelo que lhes acontece, ou quando faz uso de estratégias claramente configuradas como abusos de poder.

Nos Estados Unidos, os capuzes brancos e a cruz em chamas simbolizavam um movimento racista, discriminatório e xenofóbico que existe até os dias atuais. Em Mato Grosso do Sul as violências contínuas, com requintes de crueldade, com uso do fogo, das armas, de capuzes, mostram a revitalização de um sentimento de ódio ao “outro”, ao diferente, ao que não aceita ser subjugado. A perversidade dos atos praticados com participação ou por omissão do poder público evidenciam, naquele Estado, a prática do crime de genocídio, previsto na Lei nº. 2889/56, que se aplica a todos aqueles que, com a intenção de destruir, no todo ou em parte, grupos étnicos, raciais ou religiosos, matam pessoas pertencentes a estes grupos ou lhes causam lesões, ameaçando sua integridade física ou cultural.

segunda-feira, novembro 23, 2009

Memoria Social:Professores Guaranis Desaparecidos em Paranhos Homenageados

Os professores guarani Rolindo Verá e Genivaldo Verá, desaparecidos após confronto com fazendeiros em Paranhos, foram homenageados na 1ª Conferência Nacional de Educação Escolar Indígena, realizada de 16 a 20 de novembro e Luziânia, na periferia de Brasília.

Conforme informações do Blog da Amazônia, num artigo escrito pelo professor José Ribamar Bessa Freire, coordenador de Estudos dos Povos Indígenas, na UERJ (Universidade Estadual do Rio de Janeiro) e pesquisador do programa de pós-graduação em Memória Social, da Unirio, é citado que os dois professores foram mortos por pistoleiros, na fronteira com o Paraguai.

Os dois índios foram homenageados com um minuto de silêncio por mais de 700 participantes que discutiram a organização de um sistema educacional responsável, hoje, por 2,7 mil escolas indígenas em todo o Brasil.

Em seu artigo, Freire questiona a morte de Genivaldo e Rolindo. A pergunta foi feita por ele a um professor guarani presente na conferência, amigo dos primos e colega deles na Escola Municipal Adriano Pires.

O índio contou a Freire que no dia 29 de outubro os dois integraram o grupo que tentou retomar a terra indígena Tekoha Ypo’i, onde estão enterrados seus avôs, e que hoje, com o nome de fazenda São Luís, está ocupada pelo fazendeiro Firmino Escobar. Essa foi a última aula que deram, segundo escrito no blog.

A entrada dos guarani na área indígena ocupada pela fazenda visava justamente acelerar o estudo antropológico, que representa a única forma de evitar os conflitos, porque é ele que vai determinar quais são as áreas indígenas e quais não são. No entanto, no dia 31, pistoleiros expulsaram os índios.

“Eles chegaram atirando balas de borracha. Derrubaram a gente no chão, bateram, chutaram, gritando: Aqui não é terra de bugre, essa terra tem dono”, disse o amigo dos índios Rolindo e Genivaldo a Freire.

Quase todos retornaram à aldeia Pirajuí, com ferimentos e hematomas no corpo. Menos os dois professores, que desapareceram.

A partir daí, toda a saga em busca dos primos foi narrada a Freire pelo amigo deles. Ele citou que no dia 7 de novembro foi encontrado o cadáver de um deles, Genivaldo, no córrego Ypo’i, enroscado ao galho de uma árvore, com duas perfurações no corpo. O outro, até hoje, não foi localizado.

Os índios encaminharam documento ao MPF (Ministério Público Federal), divulgado ontem, na comunidade virtual ‘literatura indígena’, pelo guarani Chamirin Kuati Verá, denunciando “a violência armada dos fazendeiros” e indicando ao procurador Thiago dos Santos de Luz os nomes dos criminosos Joanelse Pinheiro, Toninho e Blanco.

A Freire, o índio amigo dos primos desaparecidos pediu sigilo em relação ao nome, para que represálias sejam evitadas.

Conforme o índio, Genivaldo, 21 anos, casado, pai de um filho, ensinava informática. Seu primo, Rolindo, 28 anos, com quatro filhos, era professor da quarta série. Ambos estavam concluindo o Curso Ará Verá de Magistério Guarani-Kaiowá. Suas respectivas mulheres estavam em adiantado estado de gravidez.

Na conferência foi questionado também “o silêncio espantoso, quase cúmplice, da mídia de circulação nacional, tanto sobre o assassinato dos professores guarani, quanto em relação à Conferencia Nacional de Educação Indígena, que desenhou as diretrizes para as escolas indígenas”.

A Conferência aprovou a criação dos chamados ‘territórios etnoeducacionais’, que reorganiza a educação escolar bilíngue e intercultural em novas bases, respeitando a territorialidade dos povos indígenas.

De acordo com o professor José Ribamar, “o Brasil generoso e solidário precisa manifestar sua indignação, exigindo a punição dos criminosos e apoiando a luta dos guarani pela recuperação de suas terras”.

Ainda conforme as informações do artigo de José Ribamar, oito dias depois do assassinato de Rolindo, sua mulher, grávida, pariu um filho. Uma semana depois, foi a mulher de Genivaldo quem deu à luz uma criança.

domingo, novembro 22, 2009

Ética do Governante: Os corruptos nas autarquias

La imprescindible ética del gobernante
La corrupción corroe los cimientos de la democracia.
La partitocracia y su financiación, la profesionalización de la política y el transfuguismo son algunas de sus principales causas. Es necesario un rearme moral

La corrupción, en mayor o menor grado, ha existido siempre en el ámbito de la gestión de los asuntos públicos. En todos los tiempos, sistemas políticos, culturas y religiones. El fenómeno es global. Al parecer, las graves penas establecidas ya en el Código de Hammurabi contra los gobernantes corruptos no han devenido eficaces. Cicerón forjó su carrera política denunciando la corrupción de Verres. En la obra Breviario de los políticos, del cardenal Mazarino, se destaca el capítulo "dar y hacer regalos": relevantes ministros de la monarquía francesa de 1700 fueron grandes depredadores. El comercio mundial se desarrolló en el siglo XVII bajo la bandera de las comisiones ocultas. Hasta el Estado Vaticano se ha visto envuelto en algún asunto de corrupción (verbigracia, el cardenal Marzinkus y el Banco Ambrosiano).

La corrupción política, entendida como utilización espúrea, por parte del gobernante, de potestades públicas en beneficio propio o de terceros afines y en perjuicio del interés general, es un mal canceroso que vive en simbiosis con el sistema democrático, a pesar de ser teóricamente incompatible con el mismo, y que debe preocupar muy seriamente a todos los demócratas, ya que corroe los cimientos de la democracia, en tanto que elimina la obligada distinción entre bien público y bien privado, característica de cualquier régimen liberal y democrático; rompe la idea de igualdad política, económica, de derechos y de oportunidades, pervirtiendo el pacto social; traiciona el Estado de derecho; supone desprestigio de la política y correlativa desconfianza de la ciudadanía en el sistema, desigualdad en la pugna política, violación de la legalidad y atentado a las reglas del mercado.

En España, en los últimos años, numerosos sucesos han puesto de manifiesto que el fenómeno de la corrupción en la gobernabilidad del Estado (principalmente, Comunidades Autónomas y Ayuntamientos), no es algo coyuntural, sino estructural, que prolifera peligrosamente en las instituciones públicas. Los casos denominados Gürtel, Pretoria, Palma Arena, Palau, Operación Poniente, Operación Malaya, etc., que recorren la geografía nacional, han revelado que muchas Corporaciones Públicas han estado sometidas al poder económico y se han convertido así, crecientemente, en verdaderas plataformas de negocios varios, y de tráfico de influencias; hasta el punto de que hoy se corre el riesgo, cierto, de que intereses de grupos de presión económicos cambien el sentido del sacrosanto concepto del interés general, para inhabilitarlo. Obviamente, no es posible una estadística real de la corrupción, que por definición es oculta; y, de otra parte, como es natural, no todos los mandatarios públicos son corruptos.

En una sociedad abierta y democrática como la española, todos, en mayor o menor medida, somos responsables de la ola de corrupción que nos asola. Los políticos que la practican, promoviéndola o aceptándola; los sobornadores (promotores empresariales), ora causantes, ora víctimas; los partidos políticos, carentes a estas alturas de autoridad moral para combatirla; el estamento judicial (jueces y fiscales), que en muchas ocasiones no ha dado la talla; las instituciones encargadas del control y fiscalización de la actividad administrativa, negligentes casi siempre en su tarea; los medios de comunicación, silenciando o minimizando, a veces, el fenómeno corrupto; la intelectualidad, poco comprometida en su erradicación; la ciudadanía en general, tolerante en exceso con el político corrupto, quizás porque aún no es consciente de que la corrupción la paga de su bolsillo.

Las causas que propician esta perversión pública son múltiples, a saber: la partitocracia, con sus taras e imperfecciones; la profesionalización de la política, entendida en su peor versión; el fenómeno del transfuguismo; o el deficiente sistema de financiación de las formaciones políticas. Otras, propias del municipalismo, son la crónica insuficiencia de sus recursos económicos; el raquítico régimen de incompatibilidades legales de alcaldes y concejales; la galopante empresarización de los ayuntamientos para huir del Derecho Administrativo; o el deficiente sistema legal de control interno de sus actos económico-financieros.

Pero, por encima de todas ellas, a mi modo de ver, la causa primera de todos los males en el sector público español es la falta de ética pública de muchos de nuestros gobernantes, llegados a la política no por vocación ni espíritu de servicio, ni siquiera por ideología (qué rancios suenan ya estos conceptos), sino por propio interés. En términos generales, ética es el sentido, la intuición o la conciencia de lo que está bien y lo que no, de lo que se ha de hacer y de lo que debe evitarse.

La ética pública ha de ser correlativa de la privada. Mal podrá defender la integridad y la moralidad en el plano público quien carece de ella. Por otra parte, la actuación de cualquiera que realiza una función pública en nuestro país debe estar presidida por la idea de servicio de los intereses generales, que es el principal valor político. El artículo 103 de la Constitución Española -"La Administración Pública sirve con objetividad los intereses generales"- constituye un mandato para autoridades y funcionarios. Los valores clásicos del gestor público (imparcialidad, neutralidad, honradez y probidad) se han de ver complementados hoy con los nuevos valores de eficacia y transparencia, propios de las Administraciones Públicas del siglo XXI.

La corrupción socava la integridad moral de una sociedad. Supone la quiebra general de los valores morales. La corrupción pública, en cuanto supone lucro indebido del agente y su disposición a mal utilizar las potestades públicas que tiene encomendadas, es una práctica inmoral, ante todo; una violación de los principios éticos, sean individuales o sociales.

Algunos analistas consideran que la ética pública ha perdido hoy relevancia social, dada su naturaleza subjetiva. La gran mayoría entiende, sin embargo, que la ética ha de ser el mejor antídoto contra el veneno de la corrupción, y preconiza la necesidad de un rearme ético, de un regreso a los valores antes enunciados. Por eso, se observa últimamente en el mundo una gran preocupación oficial por la ética pública (el reciente Informe Kelly, en Reino Unido, sobre los gastos de los diputados británicos; Recomendación del Consejo de la OCDE, de 1998; Convención Americana contra la Corrupción, de 1996).

La política, que puede ser la más noble de todas las tareas, es susceptible de convertirse en el más vil de los oficios; precisamente porque es una actividad humana y, como tal, defectuosa. Todo el mundo coincide en que la ejemplaridad y la honradez son virtudes que deben presidir la actuación de los políticos, en tanto que escaparate y guía de la ciudadanía.

Pues bien, es la falta generalizada de ética pública de nuestros gestores municipales, por ejemplo, la razón principal del despilfarro del gasto público en los ayuntamientos, del favoritismo en la selección del personal o en la contratación de obras y servicios, de la interesada arbitrariedad en la planificación urbanística, de la negligencia en la gestión del patrimonio municipal o de los frecuentes cambalaches en la composición de las mayorías de gobierno. Es a partir de la ausencia de moral, o de dignidad en el desempeño del cargo, cuando el alcalde (o el concejal delegado de turno, o el funcionario revestido de capacidad decisoria o meramente asesora), experimenta un total desprecio por el interés general de la ciudadanía y utiliza sus potestades en beneficio particular (propio, de sus allegados o de su partido), orillando los principios constitucionales de eficacia, objetividad, independencia e igualdad, y demás preceptos legales y reglamentarios.

Llegados a este punto, hemos de convenir que ni uno sólo de los gestores públicos que recientemente han sido imputados en nuestro país por prácticas presuntamente corruptas, se distingue precisamente por cumplir los postulados éticos que se han descrito, a tenor de los modos y maneras de su malhadada gestión pública, que hemos conocido con todo detalle por las oportunas crónicas mediáticas sobre causas judiciales en marcha. Se diría más bien que utilizan la política como medio de vida y, según se ha visto, como negocio (primun vivere, deinde filosofare). La falta de ética pública de esos políticos es, por tanto, el denominador común de la práctica presuntamente corrupta a que se refieren los escándalos de corrupción antes señalados.

José Manuel Urquiza Morales, abogado, es autor de Corrupción municipal (Almuzara)

http://www.elpais.com/articulo/opinion/imprescindible/etica/gobernante/elpepiopi/20091121elpepiopi_11/Tes

terça-feira, novembro 17, 2009

Curso de Serviço Social Para Supervisores de Serviço Social

Mato Grosso do Sul, Sexta-Feira, 13 de Novembro de 2009 - 08:08


Curso de Serviço Social oferece capacitação aos supervisores de estágio

A cada semestre, dois a três seminários abrirão espaços para os profissionais se fortalecerem como categoria. Atuando nas prefeituras e no Governo do Estado, nas empresas e em outras instituições, é por meio dos supervisores de campo que os acadêmicos de Serviço Social da UNIGRAN conhecem o cotidiano da profissão. Segundo a coordenadora do curso, professora Maria Madalena Marques, os seminários são um reconhecimento à participação deles na formação dos futuros assistentes sociais.

“Nós sentimos a necessidade de ter proximidade com os supervisores de campo, porque eles recebem nossos alunos e – não é dar em troca – mas, sempre trabalhando, muitas vezes, eles não têm espaço de discussão a respeito da profissão; o curso de Serviços Social vem oferecer isso, através de projeto de capacitação continuada”, disse a professora. Ela explicou que, conforme a turma, os estágios são de observação, planejamento, intervenção e avaliação de projetos visam a assegurar a quem precisa os direitos de cidadania, garantidos por lei.

É um trabalho que exige postura ética, conhecimento técnico e afirmação do assistente social frente outras profissões. É preciso também superar costumes arraigados e, ainda, os próprios preconceitos, conforme disse a professora Tatiana Reidel, convidada do segundo seminário realizado neste semestre. Ela repassou todos os pontos do Código de Ética do Serviço Social, ressaltando que o mais importante deles é o respeito à liberdade e à condição de fragilidade das pessoas que buscam a assistência social.

Doutoranda da PUC-RS, Reidel os participantes da palestra a pensarem sobre questões de ordem prática – como, conquistar a confiança do usuário, com respeito a sua condição, simpatia e sigilo dos atendimentos –, e outras de ordem pessoal, como a reflexão sobre os valores que formam a ética de cada pessoa. “Esses valores são os valores que nos movimentam e influenciam diretamente a qualidade do nosso trabalho”, disse a palestrante.

Tatiana Reidel defende que a atuação no Serviço Social não se resume à garantia de direitos e a inclusão de pessoas nos programas sociais. Para ela, também é importante a interação com a pessoa que busca os serviços da assistência social, sendo isso o que permite conhecer as raízes dos problemas e buscar soluções para eles.

O seminário de capacitação continuada reuniu cerca de vinte supervisores de estágio, no anfiteatro da Unigran, no dia 30 de outubro. (JR)

terça-feira, novembro 10, 2009

Expulsada, acosada e insultada por vestir una minifalda
Una universidad brasileña echa a una alumna por llevar un vestido corto





Geisy Arruda, de 20 años, fue expulsada de su universidad el 22 de octubre pasado tras acudir a clases vestida con una minifalda. La joven, además, fue acosada por sus compañeros de clase, que protestaron por su vestuario. Su expulsión, ocurrida en la Universidad Bandeirantes (Uniban) de São Bernardo do Campo en el Estado de São Paulo, comenzó como un episodio estudiantil que sólo había recibido la atención de los medios locales pero ha acabado convirtiéndose en una polémica nacional en un país famoso por los minibikinis y el culto a la belleza.

El Ministerio de Educación brasileño pidió este lunes explicaciones por la expulsión de la estudiante. La secretaria de Educación Superior, María Paula Dallari calificó de "desproporcionada" la sanción que recibió la estudiante, y señaló que existe una discriminación por la diferencia entre el castigo que recibió Arruda y el que recibieron los cientos de estudiantes varones que la acosaron y agredieron de tal manera que tuvo que intervenir la policía para rescatarla. Los jóvenes se agolparon en la puerta del salón de clases y la persiguieron mientras bajo gritos de "¡Puta, puta!".

Las agresiones sufridas por Geisy han levantado protestas, por considerarlas producto de una actitud machista y discriminatoria. En la Uniban, una institución privada a la que asisten 60.000 estudiantes, no existe una norma escrita que regule el vestuario adecuado para acudir a clase. Tampoco existe un reglamento similar en otra universidad brasileña.

La institución educativa ha respondido con anuncios pagados en medios impresos locales donde afirma que la alumna había demostrado "una falta de respeto a la dignidad académica y a la moral" y que la reacción de los estudiantes había sido "reacción colectiva de defensa del ambiente escolar". El comunicado añade: "La alumna frecuentó la universidad con ropa inadecuada. El día de los hechos, ella aumentó su exposición y estimuló en forma explícita la reacción de los alumnos".

La Unión Nacional de Estudiantes (UNE) ha iniciado una campaña en defensa de la joven. Para su presidente, Augusto Chagas, la acción de la universidad ha sido descomunal: "Es como cuando afirman que la causa de una violación es la forma en como una mujer iba vestida", afirma.

Sergio Haddad, dirigente de las ONGs Ação Educativa y Fondo Brasil de los Derechos Humanos, la función de la universidad es la de discutir la tolerancia y califica la expulsión y la violenta reacción de los estudiantes como "un machismo deplorable", más aún en una universidad.

La Uniban sigue en sus trece y a través de su abogado, Décio Machado, ha hecho saber que la expulsión es "irrevocable", ya que la rectoría de la universidad decidió expulsar a la estudiante al considerar que su decisión de asistir a clase con una minifalda "hiere los principios de dignidad y moral dispuestos en el reglamento de la institución". Por su parte, el abogado de Geisy, Nehemias de Melo, anunció que tomarán medidas legales contra la institución.

Las reacciones a los hechos, sobre todo las difundidas a través de Internet, muestran solidaridad hacia Geisy y sorpresa por la reyerta entre una institución educativa y una alumna, causada por una minifalda. ¡Y en Brasil!

La agresión, en la Red
Buena parte del mérito de que la historia de Geisy Arruda haya trascendido los medios locales de São Paulo se debe a Internet. Un vídeo colgado en YouTube muestra a la joven sentada en clase con un vestido hasta la mitad del muslo. Después, la joven sale escoltada por policías mientras sale del lugar, cubierta con una chaqueta blanca y bajo los insultos de decenas de estudiantes. El vídeo deja en claro los gritos que le proferían.

En la versión en línea del diario Folha de São Paulo Henrique Morales opinaba que la reacción contra Arruda responde a "un moralismo estrecho y una doble moral"; mientras que Lilian Camelo juzgaba que la expulsión había sido "correcta" u se preguntaba si "¿esta persona realmente cree que puede ir a una clase con una blusa? Porque para ser un vestido debería llegar por lo menos cerca de la rodilla".

El estudiante Gabriel Ozaki, de 18 años, opinaba a través de Orkut (la red social más popular en Brasil) que una universidad "debería promover la convivencia entre personas y no tolerar las actitudes como las de los que humillaron a esa chica". Y añade: "Yo aplaudiría y alentaría que mis compañeras llevaran un vestido corto".

V. C., Madrid

quinta-feira, novembro 05, 2009

A Escolha do Novo Presidente Europeu

La elección del nuevo presidente europeo

NORMAN BIRNBAUM

La costumbre estadounidense de dar consejo a quienes no lo han solicitado parece incurable... En su visita a Islamabad, la secretaria de Estado Clinton empleó un tono condescendiente para hablar del país. Los europeos (recordemos "euroesclerosis" y "la vieja Europa") han soportado durante años la arrogancia de nuestras élites, mucho menos excusable que la ignorancia y los prejuicios de nuestros ciudadanos. Cierto es que Estados Unidos ha tenido su propia quinta columna: académicos, banqueros, empresarios, generales, funcionarios, políticos y publicistas europeos que respaldan y repiten en todo momento la absurda idea de que poseemos una corrección moral y una sabiduría política incuestionables. ¿Hay alguna posibilidad de que en las elecciones a la Presidencia Europea salga elegido un presidente que incremente la independencia del continente con respecto a EE UU?
Nuestro propio presidente se va pareciendo cada vez más a Gulliver apresado por los liliputienses. Los europeos también padecen esta misma miniaturización política. Los presidentes de gobierno socialistas hicieron muy bien en rechazar la candidatura de Tony Blair. Su inexpugnable fidelidad a EE UU y la seguridad sacerdotal de que hace gala (sobre todo cuando se equivoca) son razones más que suficientes. Sin embargo, parece evidente que los líderes europeos no están buscando grandes talentos para el cargo. La canciller Merkel no designará candidato a Schröder, ni a Steinmeier ni a Steinbrück ni a Fischer. Berlusconi no quiere ni oír hablar de Amato. Sarkozy no oculta que pasa por alto a Aubry, a Strauss-Kahn y a Vedrine. El presidente polaco no propone a su distinguido predecesor, Kwasniewski. Zapatero no menciona a su camarada de partido, González.

El hecho de que el presidente de la Comisión actual sea Barroso, fiel servidor de EE UU y refractario al Estado de bienestar europeo, parecería subrayar la necesidad de nombrar a una figura política relevante, que se atreva a llevar a cabo la modernización del modelo social europeo y a convertir Europa en una fuerza autónoma en la política mundial. ¿Cuándo fue la última vez que se alzó alguna voz de peso en Europa para explicarle a EE UU que su obsesión con el "terror", su yihad en el mundo islámico, su hostilidad con Irán, su falta de voluntad para contener a Israel eran desastrosos? Europa, en cambio, acepta un papel subordinado y, a veces, se queja de las consecuencias.

Sería inexacto achacar la crisis financiera sólo al capitalismo americano, pues muchos capitalistas europeos son tan irresponsables, tienen tan poco espíritu social, como sus socios del otro lado del Atlántico. No hace mucho que oíamos a los líderes europeos ensalzar la desregularización y la privatización, como si hubieran estudiado Económicas en la Universidad de Chicago. Sin embargo, cuando las prestaciones del desempleo y los subsidios gubernamentales permiten que algunos de los países de la UE funcionen mejor que EE UU, tanto desde el punto de vista económico como desde el social, son muy pocos los que se lanzan a sacar las conclusiones obvias. Una sociedad civilizada no requiere menos intervención económica pública, sino más. El primer presidente europeo será recordado si es capaz de conducir a la UE a un nuevo equilibrio entre el mercado y el Estado. Los jefes de gobierno europeos, sin embargo, debaten el nombramiento de los candidatos desde un punto de vista partidista, lo que sólo servirá para relegar al nuevo presidente a una oscuridad instantánea.

Grandes corrientes de ideas y prácticas sociales han cruzado siempre el Atlántico en ambas direcciones. El Estado de bienestar estadounidense que construyeron los dos Roosevelt y Wilson le debe mucho al socialismo y a la democracia cristiana europeos. Los Estados de bienestar europeos posteriores a 1945 copiaron, a su vez, el modelo del New Deal. Ahora EE UU atraviesa una crisis. Puede elegir entre ser una sociedad de consumo o un imperio, pero no las dos cosas a la vez. Puede permitir que se intensifique nuestro terrible darwinismo social o puede construir nuevas instituciones más solidarias. Nuestros recursos intelectuales y morales siguen siendo abundantes, como lo demostró la elección a la presidencia del hijo de un inmigrante africano. No obstante, el temor a verse desposeídos de sus privilegios está profundamente arraigado en muchos de nuestros ciudadanos, y a no ser que reparemos el tejido social, seguirán aumentando los síntomas, cada vez más agudos, de desintegración.

Los presidentes estadounidenses terminan por ser prisioneros de la Casa Blanca, y, aunque inteligente y abierto al mundo, Obama tampoco es una excepción. Gran parte de nuestra élite política es propensa a hacer caso omiso de la experiencia, recuérdese, si no, la discusión sobre Afganistán. Pese a todo, el debate sobre los costes del imperio y el precio del capitalismo sigue adelante. Una Europa más segura de su propia singularidad histórica, más orgullosa de sus logros poscoloniales, innovadora en sus instituciones sociales y menos complaciente con respecto a sus prácticas democráticas podría ejercer una influencia importante -una vez más- en nuestro futuro. Esperamos que el nuevo presidente europeo sea consciente de que a este lado del Atlántico tiene un electorado moral, y lo esperamos por la cuenta que nos tiene.


Norman Birnbaum es catedrático emérito en la Facultad de Derecho de la Universidad de Georgetown.
Traducción de Pilar Vázquez.
in

http://www.elpais.com/articulo/opinion/eleccion/nuevo/presidente/europeo/elpepuopi/20091104elpepiopi_5/Tes

segunda-feira, novembro 02, 2009

Os Novos Moralismos nas Universidades Mini-saias Provoca Violência na UNIBAN de S.Paulo

Para universitárias de SP, minissaia não combina com sala
BRASIL - 01/11/2009 - 10:12:00
G1

Beatriz Helena Alves de Sá Souza, aluna da PUC: 'Antigamente era normal botar uma minissaia'

A roupa adequada para o lugar certo. Para ser mais claro: minissaia não combina com sala de aula, principalmente em faculdade. Por mais que transpareça uma pontinha de machismo nesta assertiva, a opinião de que não se deve usar roupas, digamos, chamativas ou até apelativas na hora dos estudos é praticamente uma unanimidade em algumas das mais tradicionais universidades e faculdades de São Paulo. Entre elas, estão a Pontifícia Universidade Católica (PUC), o Mackenzie, a Fundação Armando Álvares Penteado (Faap) e a Cásper Líbero.

O assunto está em alta depois que uma universitária de 20 anos foi hostilizada no dia 22, na instituição onde estuda, por usar um vestido curto e salto alto. O padrão na sala de aula costuma ser calça jeans, camiseta – ou algum outro tipo de blusa sem decote – e tênis ou sandália baixa aberta, principalmente no calor.

Sapato de salto alto só para aquelas que saem direto do trabalho para a classe. Como dizem as alunas entrevistadas pelo G1, “bom senso” é o que conta nessas horas.

Mas, segundo elas, há as exceções também nestas universidades. Atraem os olhares por onde passam e geram comentários, mas tudo dentro do aceitável no convívio social.

Muito diferente da agressiva reação exibida pelos estudantes da unidade de São Bernardo do Campo, no ABC, da Uniban. Além de hostilizada, a aluna foi quase agredida por causa da roupa que usava. Ela precisou vestir um jaleco de um professor que a defendeu e saiu escoltada por policiais militares do local. Vídeos gravados pelos alunos viraram hit na internet.

“Um absurdo”, afirmou Mayra Martins, estudante do 2º ano de Publicidade e Propaganda da Cásper Líbero, que ficou inconformada depois de assistir ao vídeo com a reação dos alunos da Uniban. Ela foi a única a defender a liberdade das pessoas de se vestirem da maneira que bem entenderem, independentemente de lugar e hora. “É difícil fazer qualquer julgamento. Ela pode usar o que quiser”, disse.

Segundo ela, durante o verão as roupas tendem a “encolher” mesmo. “É normal virem de vestinho e de shortinho, principalmente no verão. Algumas vão sair depois da aula então já vêm preparada. Não tem cabimento uma reação daquelas”, chutando para longe qualquer sinal de machismo.

Mas, para as demais alunas, a sociedade é machista, sim, e, cientes disso, o melhor a se fazer é evitar algumas situações. “Tudo tem um limite. Muito apelativo não é adequado para o ambiente de uma faculdade, não fica legal”, defendeu Evili Borges, também aluna do 2º ano do curso de Publicidade e Propaganda da Cásper Líbero.

De luxo

Nívea Moura, de 23 anos e que cursa o 4º ano da Administração de Empresas do Mackenzie, defende que uma minissaia serve até para ir a um shopping, mas não para uma faculdade. “O grande ‘X’ da questão foi o vestido. A roupa diz um pouco do que você é. Uma roupa dessas costuma provocar, e a faculdade é um lugar para estuda”, declarou. “Mas a atitude dos alunos foi errada”, completou a aluna, que também assistiu ao vídeo.

Como a roupa diz um pouco quem você é, fica mais fácil tirar conclusões a respeito também. Assim como na Uniban, algumas alunas da Faap também vão às aulas com roupas sumárias. “Tem uma que vem com a ‘polpa’ da b... aparecendo. Ela passa e todo mundo comenta. Tanto os comentários bons quanto os ruins. Ela já deve vir preparada para sair da aula e ir ‘trabalhar’”, disse Laís Belfort, de 20 anos e que cursa o 3º ano de publicidade.

Samara Figueiredo, de 20 anos e aluna de Relações Internacionais na Faap, foi mais explícita: “Aqui têm as chamadas putas de luxo. Elas já vêm vestidas para ‘trabalhar’ depois”, contou. Apesar disso, ambas se manifestaram contra a reação agressiva dos alunos da Uniban. “Ela tem o direito de se vestir como quiser. Não se justifica (as agressões)”, ressaltou Samara.

Para Beatriz Helena Alves de Sá Souza, de 21 anos e aluna do 4º anos de Relações Internacionais da PUC, uma “ponta de falso moralismo, muito de machismo e um pouco de inveja” motivaram reação das e dos estudantes da Uniban.

“Antigamente era normal botar uma minissaia”, lembrou, sobre a peça criada, com inspiração da moda de rua, em meados da década de 1960 pela inglesa Mary Quant. Em quase 40 anos, o comprimento da saia teve várias mudanças, tanto para cima quanto para baixo, conforme o humor de estilistas e modelos. Neste período, no entanto, o moralismo e o machismo parecem não ter saído de moda.

http://www.vooz.com.br/noticias/entrevista-com-aluna-da-uniban-que-foi-hostilizada-pelos-colegas-20411.html

domingo, novembro 01, 2009

A Carta Europeia das Cidades Pesquisa Acção

Carta Europeia das Mulheres na Cidade


DECLARAÇÃO EM DOZE TÓPICOS

'Para que as mulheres tenham plenos direitos à cidade"

As mulheres na cidade e ...a

1.A CIDADANIA ATIVA
O modo de exercício da cidadania ativa deve ser abordado a partir de uma reflexão baseando-se por um lado, sobre a influência do local de vida e por outro lado sobre o funcionamento das instâncias de representação e os mecanismos econômicos e políticos que fazem a cidade.

2. A TOMADA DE DECISÕES E A DEMOCRACIA PARITÁRIA
As mulheres devem estar associadas a todos os níveis de decisão em matéria de planejamento territorial, urbano, habitacional de transportes e meio ambiente.

3. A IGUALDADE DE OPORTUNIDADES
A igualdade de oportunidades deve ser favorecida na educação e na pesquisa, no seio de todas as instâncias profissionais e no exercício de todas as profissões relativas ao planejamento territorial, ao espaço urbano, ao habitat, à mobilidade, e à segurança urbana.

4. A PARTICIPAÇÃO
Processos participativos equitativos com respeito às mulheres devem ser instituídos tendo em vista favorecer novas relações de solidariedade.

5. A VIDA COTIDIANA
As contingências da vida cotidiana, analisadas do ponto de vista das mulheres, devem tornar-se um compromisso político.

6.O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
As mulheres devem estar plenamente associadas às políticas de manutenção do equilíbrio ecológico do nosso planeta.

7. A SEGURANÇA E A MOBILIDADE
Todas as mulheres, e em particular aquelas entre os mais desfavorecidos e isolados, devem dispor de todas as facilidades de acesso aos transportes a fim de poder se locomover livremente e em total segurança para poder gozar plenamente da vida econômica, social e cultural da cidade. As mulheres têm igualmente "direito à cidade".

8. O DIREITO À MORADIA E AO HABITAT
As mulheres têm direito a uma moradia e um habitat apropriados.

9. A DIMENSÃO DO GÊNERO
A dimensão do gênero aplicada à cidade, deve ser admitida como fonte de uma nova cultura partilhada, além de participar da elaboração de uma nova filosofia de planificação e planejamento territorial.

10. O ENSINO E A EXPERIMENTAÇÃO LOCAL
A dimensão do gênero aplicada à cidade deve ser ensinada nas escolas, nos institutos de arquitetura e urbanismo, assim como nas universidades. A experimentação nas cidades deve ser empreendida urgentemente para incitar mudanças.

11. O PAPEL DA MÍDIA E A TRANSMISSÃO DE CONHECIMENTOS ADQUIRIDOS
A mídia deve procurar difundir mensagens que vão de encontro aos estereótipos e mostrar mulheres em papéis que reflitam a sua evolução e emancipação.

12. AS REDES
Deve ser criada uma rede de troca de informação em escala europeia, para promover a Carta e a aplicação dos princípios que ela encerra.


Quais são os caminhos para traduzir os interesses das mulheres ?
- Implicar as mulheres e renovar as maneiras de tomadas de decisão.
- Multiplicar as trocas de informação e projetos inovadores.
- Determinar os indicadores principais da cidade de ordem sócio-econômica e cultural do ponto de vista das mulheres.
- Sensibilizar os homens e formá-los dentro de um processo de pensamento, que inclua plenamente o gênero, ou seja, os dois sexos.
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Pesquisa e ação 1994-1995

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